ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Da esquerda à direita Michele Curto, Paolo Pacicchio e Carlotta Prosperi, integrantes da 3ª Brigada Gino Doné.

PARA homenagear o lendário Guerrilheiro Heroico Ernesto (Che) Guevara, no 50ª aniversário da sua morte em combate na Bolívia, jovens italianos conformaram a 3ª Brigada Gino Doné, pretendendo fazer um percurso pela Ilha, desde 27 de setembro até 9 de outubro, para ajudar a pessoas afetadas pelo furacão Irma, nas cidades de Morón, Baracoa, Santiago de Cuba, Santa Clara e Havana.

Os 35 membros da brigada farão a Noite da Solidariedade nos lugares que visitarão e dialogarão acerca da cultura, a dança e a comida, para construir pontes culturais e de amizade.

Carlotta Prosperi tem 23 anos e integra o grupo pela segunda vez, manifestando ao semanário Granma Internacional que visita o país ansiando o diálogo com os cubanos e desejando aprender histórias de vida, que os inspirem a continuar com as lutas sociais.

«Cuba constrói um modelo de sociedade diferente do capitalismo da Europa ocidental, com um sistema econômico, político e social ao qual aspiramos e que consideramos muito útil para melhorar as relações humanas em nosso país», destacou a estudante de Direito na Universidade de Torino.

Expressou que as principais preocupa-ções dos jovens na Itália estão manifestas na precariedade do trabalho, o desemprego, a incerteza de um futuro, muito poucas possibilidades para desenvolver suas ideias políticas e mudar a situação atual, o que qualificou de: «frustrante, muito frustrante».

Ela pertence à organização juvenil Papaveri Rossi, que há dois anos ocupou um quartel com um enorme valor histórico, porque nele os fascistas torturavam e assassinavam os italianos. O prédio, com alto valor arquitetônico, estava abandonado, fechado e sem nenhuma utilidade. Hoje, foi tornado um centro cultural e recreativo, onde se explica a história do lugar e se unem os jovens para dialogar acerca dos principais problemas sociais, propor ações de protesto e enfrentamento às autoridades, como forma de solução.

A esse respeito acrescentou: «Nesse lugar dedicamos um espaço a Cuba e realizamos várias conversas acerca da história da Revolução. Mantemos trocas permanentes com a embaixada cubana, também recebemos a visita de uma delegação que nos explicou o processo de transformações executadas para melhorar o socialismo. Daí nasceu a ideia de visitar a Ilha caribenha».

Seu amigo Paolo Pacicchio, 31 anos, desempenha-se como presidente da Associação Trem da Memória. Esta organização, há 13 anos, coordena viagens aos principais lugares históricos da Itália, relacionados com as ações de genocídio fascista para lembrar o aspecto negativo de um nacionalismo de direita e evitar que reviva.

Mora no município Lecce, na província Puria, ao sul da Itália. «Em nossa associação organizamos vários acampamentos no ano, onde os jovens se reúnem e debatem as diversas temáticas. Inspira-nos conhecer a vida e obra de Fidel Castro Ruz e Che Guevara. Eles estão presentes no imaginário da juventude, tentamos continuar seu compromisso, pois representam um símbolo para nossa geração», alegou Paolo Pacicchio e assinalou que fica apaixonado pela figura de Camilo Cienfuegos.

O coordenador da brigada Michele Curto relatou que há três anos, um grupo de jovens mostrou interesse de conhecer a construção do socialismo cubano, porque recebeu informação acerca do processo de atualização do modelo econômico, a partir dos acordos aprovados no 6º Congresso do Partido Comunista de Cuba, realizado em 2011.

Resolveram adotar o nome de Gino Doné para lembrar o italiano que integrou a expedição do iate Granma, em 1956, liderada por Fidel Castro, para começar a luta armada na Serra Maestra e derrocar a ditadura militar de Fulgencio Batista. A partir de uma primeira viagem, em 2015, muitos jovens da Itália se somaram à iniciativa que consiste na aproximação real das comunidades cubanas.

Michele Curto destacou: «A brigada Gino Doné surgiu como uma necessidade de garantir conhecimento aos jovens com pensamento progressista e ativos na luta contra o capitalismo. Eles consideram Cuba como um ponto de referência e têm a esperança de acelerar uma mudança social em seu país, seguindo o exemplo do internacionalismo cubano».

Destacou que em 2016, alguns integrantes da brigada, em um ato de coragem, após conhecerem da morte do Comandante-em-chefe, em 25 de novembro último, subiram ao prédio mais alto da cidade de Torino e colocaram uma bandeira de 30 metros com as palavras: «Até sempre Fidel».

Relatou que em seus percursos pela Ilha maior das Antilhas fazem uma iniciativa nomeada Rua Itália, na qual estabelecem pontos gastronômicos que mostram receitas culinárias do país europeu. Em 2016, a experiência foi levada ao bairro Tivolí, perante o Museu da Clandestinidade, em Santiago de Cuba, e em cinco dias distribuíram mais de 10 mil pratos.

«Neste viagem ― assinalou ― a brigada repetirá essa experiência nas cidades muito afetadas pelo furacão Irma, entre elas Morón e Baracoa. Não deixaremos de visitar novamente Santiago de Cuba».

Michele Curto resume o significado de organizar este tipo de brigada, dizendo, que os jovens participantes fazem trabalho social em suas respectivas comunidades de origem e visitar Cuba representa uma jornada que fecha com o trabalho cotidiano e a luta política por transformar sua sociedade. (N.B.L.)