ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

MAYARÍ, Holguín.— A impressionante massa de água da represa Mayarí (354 milhões de metros cúbicos) e a cortina que a contém, única no país por sua altura e muro impermeável de betão armado, proclamam que o Transvasse Leste-Oeste é uma megaconstrução, fruto da capacidade técnica do país.

Com o ponto de partida na represa Nuevo Mundo, no município de Moa, a complexa rede de túneis, canais principais e secundários, pontes-túneis, válvulas, tomadas e demais componentes, foi projetada para atravessar uma extensa porção da província de Holguín e terminar no território de Las Tunas, na represa Juan Sáez.

Sua magnitude e as soluções de engenharia previstas e executadas confirmam a decisão estatal de conduzir água desde zonas onde sua disponibilidade seja maior até as menos favorecidas pela natureza.

Com sede nas proximidades da cidade de Mayarí, a Empresa de Serviços Engenheiros, da Direção Integrada de Projetos (DIP) Transvases é a responsável por administrar o multimilionário empreendimento, que consta de seis etapas, previstas de forma gradual.

TRAÇAS DE PROFISSIONALISMO

As complexidades técnicas e de outros tipos não impediram o andamento do Transvase Leste-Oeste. A primeira etapa, iniciada em 2005 e concluída em 2009, solucionou o abastecimento de água à população da cidade de Holguín e às instalações dos polos turísticos do norte da mesma província, prejudicados antes da conclusão das obras, por secas cíclicas e severas.

Com o fim de beneficiar a capital da província foi construído o canal de transvase Nipe-Gibara, que começa na represa Mayarí e chega à represa Birán. Desta, a água vai para a de Nipe, pelo canal Nipe-Deleite e prossegue, impulsionada por três estações de bombeamento colocadas em locais chaves e distantes entre si, até a represa Gibara.

A situação da área turística mudou com o acabamento da rede condutora que enlaça as represas Colorado e Naranjo, ao qual seguiu a ligação à usina potabilizadora da zona de Pesquero.

Em 2012, foi terminada a segunda etapa, que também começou em 2005. Trata-se de um sistema que parte da represa Mayarí, no município de igual nome, e termina na de Birán, no território do município de Cueto. Em seu trajeto une as represas de Seboruquito e La Esperanza.

A ligação entre estes reservatórios foi atingida através de dez quilômetros de túneis, 18 de canais, três pontes-canais, três obras de arco e cerca de uma centena de outras obras engenheiras.

O orçamento inicial disponível foi próximo dos 550 milhões de pesos, mas a introdução de novas tecnologias e o incremento da eficiência, em geral, permitiram poupar cerca de 40 milhões.

Uma avaliação feita no fim de dezembro passado, com a presença na obra do primeiro vice-presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros e membro do Bureau Político do Partido Comunista de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, expôs os benefícios conseguidos até agora.

A tubulação Nipe-Gibara transferiu 28,60 milhões de metros cúbicos até a cidade de Holguín, e a Colorado-Naranjo enviou ao Polo Turístico mais 3,16 milhões de metros cúbicos.

A isto se acrescenta que a água armazenada, ascendente a 317 milhões de metros cúbicos de água e as possibilidades de transferí-la, mediante o Canal Nipe-Deleite, facilita colocar sob irrigação 12.800 hectares dedicados à produção agrícola, em geral, e à cana-de-açúcar. Deles, mais de 2.564 já ti-nham os sistemas de abastecimento prontos.

A represa Mayarí pôs fim às enchentes da capital do município de igual nome e evitou, daqui em diante, os consideráveis gastos requeridos para a evacuação e proteção de pessoas, animais e recursos diversos.

Na margem direita foi construída uma pequena usina hidrelétrica, a qual foi sincronizada ao Sistema Elétrico Nacional, em 26 de outubro de 2016 e até o fim de dezembro passado tinha gerado 23 gigaWatt/hora e poupado 5.700 toneladas de combustível.

Esses benefícios irão aumentando com o uso sistemático da instalação e a terminação, no presente ano, de outra usina de igual tipo, mas com capacidade levemente inferior, situada no extremo esquerdo da base da cortina do reservatório.

AÇÕES CONTÍNUAS E RACIONAIS

Posta em andamento em 2012, a terceira etapa transita por diferentes momentos. Na direção norte se encontra o Canal Birán-Báguano, que hoje tem terminados cerca de 12 quilômetros, do total de 28 previstos. Entre outras bondades, facilitará irrigar 13.400 hectares.

No leste se encontra o Túnel Mayarí-Levisa com um comprimento de 18,5 quilômetros e algo mais de dez executados. Ao ser concluída, a represa Levisa (a ser construída) transferirá do rio do mesmo nome 80,0 milhões de metros cúbicos para a represa Mayarí.

O ritmo de trabalho das forças construtoras é evidente no avanço do canal Nipe-Deleite-Cosme-Herrera, primordial para os planos do atual ano porque aponta ao coração do polo agrícola de Cosme-Her-rera, empenhado em pôr sob irrigação, futuramente, 2 mil hectares destinados à cultura de arroz.

A maneira dinâmica de atuar na presente etapa responde a uma espécie de «correção do tiro», ao ser adotada a estratégia que insiste no avanço físico das obras e, ao mesmo tempo, organiza os investimentos em equipamentos, com o objetivo de incrementar a capacidade construtiva e diminuir o prazo dos programas que proporcionarão consideráveis volumes de alimentos.

O Granma Internacional teve acesso a registros dos resultados do Programa de Desenvolvimento Agropecuário Associado ao Transvase. As análises resultaram em que a partir de 2016 Mayarí, um município que apenas dava grãos, elevou em 14,7 vezes a disponibilidade desse produto necessário.

No caso particular do feijão e do milho, em relação ao ano 2011, cresceram 3,7 e 9,8 vezes, respectivamente.

Ali não existia tradição de cultura, co-lheita e processamento de arroz, o que contrasta com as mais de 1.500 toneladas vendidas, nos dois últimos anos, ao Ministério do Comércio Interior para a distribuição e venda através da cesta básica normalizada.

É notável que no mesmo período os rendimentos do cereal fossem, em média, 4,2 toneladas por hectare, superiores em 50% aos inscritos no estudo de factibilidade.

A revisão de relatórios da Empresa Açucareira Holguín revela a influência crescente do Transvase nas áreas produtoras de cana-de-açúcar dos municípios de

Báguanos, Banes e Cueto. A disponibilidade de água e as intenções de usá-la racionalmente instou ali à construção de modernas estações de bombeamento e a instalação de sistemas de irrigação, mediante a técnica de gotejamento subterrâneo, aos que se acrescentam máquinas elétricas de irrigação e do tipo pivô.

As mesmas fontes indicam que no fechamento do atual ano, o programa concebido para incrementar a irrigação nos canaviais permitirá ter em exploração cerca de 2 mil hectares.

Em seu contínuo avanço para o território de Las Tunas, o Transvase Leste-Oeste marca profundas pautas de desenvolvimento. Com a água também chegam outras mudanças transcendentais para o âmbito econômico e social.

Se alguém deseja conhecer isso, deve levar em conta a sugestão de visitar Guaro, localidade de Mayarí. Entre o feito naquele lugar, onde pouco tempo atrás tinham predomínio absoluto os trabalhos agrícolas, hoje se distinguem a usina produtora de derivados da árvore do Nim e de amendoim, gergelim e girassol, e um moinho processador de arroz, instalações que estimulam a preparação técnica e profissional de dezenas de moradores.

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ANTECEDENTES DO TRANSVASE:

Os antecedentes do Transvase Leste-Oeste se localizam na consequente política da decisão hidráulica, desenvolvida pela Revolução Cubana entre 1959 e o fim de 1980, etapa na qual a capacidade de armazenamento de água de Cuba cresceu de 29 milhões de metros cúbicos para mais de 9 bilhões.

Fidel sempre esteve acompanhando este assunto vital e uma vez que avaliou objetivamente os riscos e perigos da mudança climática em alarmante avanço, desenvolveu a ideia de transferir água através do território de nove províncias do oriente e centro do país. Assim, surgiu um amplo programa de investimentos para utilizar os caudais de água da Serra Maestra, o maciço montanhoso Nipe-Sagua-Baracoa e a Serra do Escambray.

De imediato começaram as ações a cargo de empresas do Ministério da Construção, o Instituto Nacional dos Recursos Hidráulicos e a Direção de Construções Militares. Mas a entrada na fase mais aguda do ‘Período Especial’ parou projetos e obras. Em Mayarí, Holguín e Agabama, Sancti Spíritus, registravam-se os primeiros avanços.

O reinício, acompanhado de uma concepção mais eficiente, ocorreu no fim de 2004. Ao avaliar as vultosas e dramáticas perdas, deixadas naquele ano pela seca nas províncias de Holguín e Camaguey, Fidel orientou ao general-de-exército Raúl Castro retomar o plano estratégico dos canais de transvase.

Depois das análises correspondentes, o então ministro das FARs emitiu uma diretriz para reagrupar os dirigentes fundamentais, projetos e forças que estiveram trabalhando nas obras iniciais e orientou constituir um Grupo Especial de Enfrentamento à Seca e uma Direção Integral de Projetos (DIP) que começaram a atuar a inícios de 2005.

A última dessas estruturas motivou o surgimento da Empresa de Serviços Engenheiros DIP-Transvases, à qual foram expostos requerimentos dos quais não se afastaram, entre eles trabalhar com os projetos criados, levar em conta o impacto ecológico e provocar o mínimo de prejuízos à população e resolvê-las o antes possível.

ALGUMAS DAS PRINCIPAIS OBRAS SOCIAIS

INDUZIDAS PELO TRANSVASE LESTE-OESTE

Construção de moradias nos novos assentamentos de Arroyo Seco, Las Cuevas, Seboruco, La Pedrona e La Yaya.

Ponte de 280 metros de comprimento que une bairros do assentamento de Arroyo Seco que tinham ficado separados pela represa Mayarí. Também restabeleceu a comunicação com o município de Segundo Front, Santiago de Cuba.

Construção de uma ponte em Arroyo Hondo, no polo produtivo de Chavaleta, Mayarí e mais de 50 quilômetros de caminhos.