ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

DILMA disse que para derrubar um presidente é preciso explicar por quê. E falou das campanhas sujas difundidas nas redes sociais. Em 5 de julho o PSDB tornou oficial sua opção de programa para a demissão do governo.

“Vamos chamar as coisas por seu nome”, disse Dilma e falou extensivamente pela primeira vez, do golpismo que prometeu enfrentar “com unhas e dentes”. Foi em uma entrevista publicada em 7 de julho, o início de uma semana política que começou cedo com a convenção na qual o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) tornou oficial sua opção programática para a demissão do governo, eleito no segundo turno, em 26 de outubro do ano passado.

Aécio Neves, vencido por Dilma nessas eleições, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso concordaram, apesar das diferenças parciais, na estratégia do golpe institucional, comparável ao que acabou com o mandato do presidente paraguaio Fernando Lugo.

Detalhe: o PSDB justificou, em 2012, a queda de Lugo e três anos antes a de Manuel Zelaya em Honduras.

“Eu não vou cair, não cairei... não esperem que eu fique nervosa, não me assustam”, pregando a favor do impeachment (julgamento político) reivindicado por “uma oposição um pouco golpista”. Por que é que eu não vou acabar o mandato? Para derrubar um presidente é preciso explicar o por quê”, disse Dilma na reportagem, na qual também falou de campanhas sujas difundidas nas redes sociais.

“Um outro dia divulgaram que eu tinha tentado me suicidar, que estava muito traumatizada. Não apostem nisso. Eu vivi algo mil vezes pior quando eu fui apreendida e torturada (durante a ditadura). Se eu não quis me suicidar quando eles queriam me matar, por que o faria agora?... Dizer isso é absolutamente desproporcionado, isso não vai comigo .... Não queiram comparar a atual disputa política com a tortura. Isso faz parte de uma luta para construir (um modelo) de país”.

Durante a longa entrevista à Folha de São Paulo, Dilma falou sobre cada uma das engrenagens do golpe que está sendo gestado. Referiu-se, inclusive, à parte judicial, encarnada em um juiz provincial, claramente aliado à oposição, quem substancia parcialmente o processo de corrupção na Petrobras.

No conteúdo e na forma das respostas de Dilma é advertida a decisão política de enfrentar o touro: ou se esmaga a conspiração ou será difícil para este quarto governo do Partido dos Trabalhadores (PT) concluir seu mandato, em 31 de dezembro de 2018.

Desde as bases do PT houve apoio às respostas de Dilma. “A presidente fez o correto, porque a situação é grave, ela finalmente apareceu depois de um longo tempo, voltou a ser a Dilma de coração valente (lema da campanha eleitoral) disposta a assumir a luta”, assim a apoiou Lindbergh Farias.

O senador carioca Farias dirige, com setores do PT, a formação de um amplo front com partidos de esquerda e movimentos sociais para conter a avançada que quer fazer demitir a presidente.

O GOLPE DE FREUD

Na oposição coexistem grupos diferentes, que vão desde neoliberais representantes das classes médias e altas, como Aécio Neves, até evangélicos com base eleitoral nas favelas, onde pregam a identificação de Dilma com a homossexualidade e Lúcifer. Por enquanto, o liberal-social Neves; o evangélico Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, e o chefe do Senado, Renan Calheiros, juntam forças para tornar inviável o governo e criar condições para o impeachment.

Além do poder de fogo desses líderes, aos quais se junta o social-democrata José Serra, o fato é que entre eles têm disputas fratricidas e termos diferentes.

Serra ainda anseia ser presidente, depois de duas derrotas contra o PT, em 2002 e 2010, mas desconfia de uma saída imediata e prefere “fazer sangrar” lentamente Dilma e o partido no poder.

Os prazos de Serra são diferentes do seu inimigo e parceiro Neves, comprometido com o “impeachment já”, que lhe permitiria concorrer em umas impensadas eleições antecipadas. O ímpeto de Neves para chegar ao Planalto costuma traí-lo, tal como aconteceu quando em um ato fracassado disse que “fui reeleito pela convenção do PSDB, em 5 de julho, como presidente da República”. Na verdade, ele foi reeleito como líder do PSDB e como tal já fez um apelo para uma nova marcha golpista, que espera seja tão movimentada, como as que tiveram lugar em março e abril passados, para o próximo dia 16 de agosto.

A entrevista de Dilma foi alvo de controvérsias no Congresso, onde petistas e socialdemocratas cruzaram lanças. “O que está fazendo o PSDB, em cumplicidade com os meios de comunicação, que se chama a si mesma como um partido político, é criminalizar o PT e o governo. Isso é chamado de golpe”, gritou no local o senador Humberto Costa, chefe do bloco oficialista, onde se percebia um espírito de luta renovado. (Excertos reproduzidos de Página 12)