ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Foto: Cuenta en X de la Asamblea Nacional Cuba
Para avaliar propostas de transformações econômicas e sociais, de vital importância para o futuro do país, realiza-se em 18 de junho a 3ª sessão extraordinária da Assembleia Nacional do Poder Popular (ANPP), em sua 10ª Legislatura.
 
A reunião, que ocorre em seu local habitual, o Palácio das Convenções, conta com a presença de deputados de Havana e dos que residem na capital em função de seus compromissos oficiais, bem como de todos os deputados do país conectados digitalmente. O general-de-exército Raúl Castro Ruz participa remotamente.
 
Também está presente na sessão o primeiro-secretário do Comitê Central do Partido Comunista e presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez. 
O Presidente da ANPP e do Conselho de Estado, Esteban Lazo Hernández, homenageou Vilma Espín Guillois, heroína da Revolução Cubana, falecida há 19 anos nesta mesma data.
 
 
PRIMEIRO-MINISTRO ANUNCIA TRANSFORMAÇÕES ESTRATÉGICAS NO MODELO ECONÔMICO E SOCIAL DE CUBA
 
No contexto mais complexo que o país enfrenta desde o «período especial», o membro do Bureau Político e primeiro-ministro Manuel Marrero Cruz compareceu perante a Assembleia Nacional do Poder Popular (ANPP) para apresentar transformações estratégicas no modelo econômico e social de Cuba.
 
 Essas transformações são concebidas como um exercício de soberania para preservar as conquistas da Revolução sem abandonar o socialismo.
Durante seu discurso, o chefe de governo contextualizou a situação atual: uma combinação sem precedentes de medidas coercitivas por parte do governo dos Estados Unidos, que interrompeu o fornecimento de combustível e as fontes de divisas, impactando significativamente a estabilidade da infraestrutura energética e a qualidade de vida da população. 
Marrero também reconheceu que seus próprios erros e falhas nunca foram negados, mas ressaltou que esse conjunto de fatores influenciou consistentemente a implementação das transformações aprovadas desde o 6º Congresso do Partido, em 2011, cujos resultados positivos se mantiveram até meados de 2019, quando a política de sanções se intensificou, sendo reforçada no início de janeiro de 2025.
 
Nesse cenário, o Partido e o Governo, no exercício legítimo de sua soberania, promoveram medidas para reativar a economia e corrigir distorções, um processo fortalecido com a aprovação do Programa Econômico e Social do Governo, validado pelo povo por meio de consulta popular.
 
Tomando o sentimento popular como ponto de referência direto, o primeiro-ministro anunciou transformações cujo fundamento principal reside no pensamento do Comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz, que, em 1993, no auge do "período especial" (crise dos anos 90), alertou: «A vida, a realidade, a situação dramática que o mundo está vivenciando, este mundo unipolar, nos obriga a fazer o que jamais faríamos se tivéssemos o capital e a tecnologia para tal».
 
Guiadas pelo princípio de fazer o necessário para preservar o essencial, as medidas propostas incluem ampliar a participação de todos os agentes econômicos em igualdade de condições, promover o investimento estrangeiro e adotar mecanismos de mercado como meio de alocação de recursos. Essas ações, enfatizou, não constituem uma capitulação, mas sim a adaptação soberana dos instrumentos de desenvolvimento às circunstâncias específicas do país.
 
O primeiro-ministro lembrou os princípios do general-de-exército Raúl Castro Ruz na condução da atualização do modelo econômico e social: não ser dogmático ou inflexível, rejeitar a associação mecânica entre socialismo e igualitarismo e reconhecer que o planejamento socialista não exclui, mas deve incorporar e regular as regras do mercado.
 
As transformações propostas, que serão debatidas, fazem parte de um esforço coletivo para reativar a economia e corrigir distorções, sem jamais abandonar a construção socialista, mas sim como condição para sua preservação.
 
Photo: José Manuel Correa
Photo: José Manuel Correa
Photo: José Manuel Correa
Marrero Cruz explicou que foram considerados no desenvolvimento das transformações propostas: as diretrizes do general-de-exército e do primeiro-secretário do Comitê Central, o Programa de Governo 2026, a proposta de atualização da Conceituação do Modelo Econômico e Social, bem como os acordos do Congresso da Associação de Economistas (ANEC) e dos líderes de Estado e de Governo. 
 
Observou que foram recebidas 390 propostas, das quais 66,7% foram aceitas. As demais correspondem ao processo de implementação, outras avaliações positivas e aspectos que não constituem transformações.
 
Como resultado da análise das transformações propostas realizada pelo Bureau Político, 69 recomendações foram incorporadas ao documento. 
 
O chefe do Governo destacou que o documento apresentado inclui 176 transformações propostas, agrupadas em 23 pilares fundamentais da vida econômica e social do país.
 
EIXO 1: TRANSFORMAÇÕES NO MODELO DE GESTÃO DOS ATORES ECONÔMICOS
 
Empresa Estatal Socialista
 
- Ampliar os poderes do sistema de empresas estatais para que opere com maior autonomia e em condições semelhantes às de outros agentes econômicos, incluindo a realização de qualquer atividade lícita, sem abandonar seu propósito corporativo primordial. Daqui em diante, quaisquer regulamentações aprovadas para outros agentes também serão aplicadas à empresa estatal socialista.
 
- Descentralizar o poder de aprovação dos preços de atacado e varejo para o setor empresarial. O processo levará em consideração custos, despesas, tendências de mercado, cadeias de valor e as relações verticais e horizontais entre os agentes econômicos.
 
- Redimensionar as OSDEs, sem incluir funções de Estado ou aquelas que são específicas para empresas.
 
- Capacitar as OSEs (Organizações Estatais de Desenvolvimento Empresarial) a criarem empresas estatais e micro, pequenas e médias empresas (MPMEs); capacitar as empresas a criarem subsidiárias e MPMEs estatais; e capacitar ambos os níveis a:
 
*Fusões, dissoluções, liquidações e outras movimentações organizacionais, conforme o caso.
 
*Os OSDEs (Escritórios Estatais de Desenvolvimento de Habilidades) terão autonomia para definir suas estruturas e agrupar cargos administrativos ou subcontratar serviços.
 
- Para tornar a aprovação e a alocação de lucros após impostos mais flexíveis.
 
- Atualizar as funções e poderes dos Conselhos Administrativos para tornar seu funcionamento mais flexível.
 
- Para permitir o acesso ao mercado cambial nas novas condições resultantes da implementação das transformações, às estruturas empresariais que participam nas cadeias de abastecimento.
 
* Eliminar a escala salarial no sistema de empresas estatais e estabelecer um salário mínimo que leve em consideração os níveis de inflação:
 
Photo: José Manuel Correa
* Os níveis salariais, negociados com os trabalhadores e com a participação do sindicato, dependerão da capacidade econômica e financeira das empresas.
 
- Alterar a relação entre o orçamento do Estado e o sistema empresarial, incluindo a revisão do ônus financeiro e a eliminação de subsídios às empresas.
 
- Capacitar os governos provinciais e os conselhos de administração municipal para a criação, fusão, extinção e liquidação de empresas estatais locais, bem como para as demais movimentações organizacionais.
 
- Reduzir ao mínimo indispensável os indicadores utilizados para medir a eficiência do sistema empresarial estatal.
 
- Permitir e incentivar que as empresas (incluindo empresas privadas) façam investimentos financeiros.
 
- Desenvolver instrumentos financeiros que permitam a capitalização de empresas sem a participação do orçamento do Estado.
 
- Implementar um Programa Nacional para a Avaliação e Titulação de Ativos Empresariais Estatais (avaliações) que: 
 
*Realizem um inventário nacional dos ativos tangíveis e intangíveis do sistema empresarial, com sua respectiva avaliação de mercado. 
 
*Emitam certificados de propriedade válidos que possam servir como garantia para empréstimos bancários. 
 
*Permitir que empresas estatais monetizem ativos subutilizados por meio de arrendamento de longo prazo para diferentes agentes da economia e investimentos estrangeiros.
 
- Desenvolver um sistema de negócios eficiente e competitivo que gere renda para apoiar os serviços de organizações do setor social.
 
- Estabelecer procedimentos para falência, liquidação e reestruturação de ativos com perdas acumuladas no setor público.
 
- Transformar a empresa estatal socialista em uma empresa comercial por meio de ações ou participações:
 
*O Estado definirá sua participação acionária nos setores da economia, garantindo sua presença majoritária nos setores estratégicos.
 
*Empresas estatais poderão comprar ações de outras empresas.
 
*Entidades de gestão não-estatais e indivíduos também poderão adquirir ações, de acordo com um cronograma definido. 
 
*Este processo exigirá a classificação de empresas.
Formulários de gestão não estatais
 
- Autorizar a criação de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) não-agrícolas e cooperativas, sujeitas à aprovação em
 
Plataforma de Atores Econômicos.
 
- Reduzir os requisitos, procedimentos e prazos para a criação, conversão e operação de formulários de gestão não estatais, definindo os tempos de aprovação.
 
- Permitir a contratação de mais de 100 trabalhadores. Acima desse número, as empresas serão classificadas como empresas privadas.
 
- Permitir que uma pessoa física seja proprietária de mais de uma empresa privada.
 
- Ampliar as formas jurídicas sob as quais as empresas privadas podem ser organizadas, incluindo as sociedades anônimas.
 
- Permitir que a mesma pessoa detenha ações em mais de uma empresa privada.
 
Photo: José Manuel Correa
- Conceder direitos reais (usufruto e direitos de superfície) a empresas privadas ou cooperativas, a fim de que realizem investimentos para o desenvolvimento de suas atividades produtivas ou de serviços.
 
- Autorizar que depósitos em moeda estrangeira provenientes de entidades não-estatais sejam creditados em contas bancárias na mesma moeda, mediante declaração da origem lícita dos fundos e do direito de saque.
 
- Permitir que entidades de gestão não-estatais desenvolvam outras atividades produtivas e de serviços, sem abandonar sua atividade principal.
 
- Reduzir a lista de atividades proibidas para agentes econômicos não-estatais. 
 
- Aprimorar a Plataforma de Atores Econômicos e incorporar o uso de Inteligência Artificial. Garantir sua transparência, rastreabilidade e agilidade.
 
Transformar a estrutura institucional e as formas de propriedade e gestão da base produtiva do setor agrícola. Permitir a atividade de empresas privadas no setor agrícola.
 
- Desenvolver um mercado de insumos, com a participação de todos os agentes e com possibilidade de acesso ao mercado cambial.
 
- Criar uma Plataforma Nacional para Ligações Produtivas que estabeleça a obrigação das empresas estatais de divulgar suas necessidades de insumos e subcontratação, bem como a concessão de incentivos fiscais com base nos níveis de compra aos produtores nacionais.
 
EIXO 2: TRANSFORMAÇÕES NAS RELAÇÕES DE PROPRIEDADE. DIFERENÇAS ENTRE PROPRIEDADE E GESTÃO.
 
O chefe do Governo salientou que, no que diz respeito às transformações nas relações de propriedade e às diferenças entre propriedade e gestão, a propriedade social dos meios de produção fundamentais está ratificada e se estão fazendo progressos na gestão não-estatal desses meios.
 
Marrero acrescentou que as novas medidas incluem permitir a compra de ações e propriedades de empresas estatais por entidades jurídicas estatais e não-estatais, nacionais e estrangeiras, bem como por indivíduos, desde que seja comprovada a origem lícita dos fundos.
 
Destacou a criação de um Programa de Investimentos que incentiva a participação de cubanos residentes no país e no exterior em empresas cubanas; além de reconhecer o crescimento legítimo do patrimônio financeiro e material de pessoas físicas e jurídicas e garantir a proteção dos direitos trabalhistas e sociais, sem permitir a exploração indiscriminada do homem pelo homem.
 
EIXO 3: TRANSFORMAÇÕES NO SISTEMA DE PLANEJAMENTO ECONÔMICO
 
- Aprimorar o planejamento de médio e longo prazo, com foco no desenho do desenvolvimento, priorizando os equilíbrios macroeconômicos, reduzindo os problemas estruturais e fornecendo sinais políticos para todos os agentes econômicos.
 
-Incorporar nas projeções do Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social até 2030 e nas Estratégias de Desenvolvimento Provinciais e Municipais as atividades econômicas, comerciais e de serviços de agentes econômicos não-estatais.
 
- Transição para um modelo de planejamento financeiro em que o Estado abandona progressivamente a distribuição física de recursos, dando maior peso aos sinais de mercado:
 
• As empresas estatais terão acesso descentralizado a insumos, moeda estrangeira e outros recursos para sua produção por meio de mecanismos de mercado. 
 
• A ordem estatal será executada por meio de um esquema contratual entre as entidades ofertante e demandante. 
 
• O processo de planejamento deve levar em consideração a satisfação das demandas do mercado interno. 
 
- Manter os equilíbrios fundamentais da economia (agroalimentar, cambial, energética e orçamento do Estado), tornando-se instrumentos para diagnóstico, antecipação e correção de políticas.
 
- Ampliar os limites para aprovação de investimentos, descentralizando o poder para empresas estatais, empresas comerciais ou empresas de investimento estrangeiro, com base em suas capacidades financeiras e acesso a recursos.
 
EIXO 4: TRANSFORMAÇÕES E REDIMENSIONAMENTO DO SETOR ORÇAMENTÁRIO
 
Marrero Cruz indicou que as propostas de transformação econômica incluem uma reestruturação da Administração Central do Estado, o que implicaria uma redução significativa no número de ministérios e órgãos orçamentários.
 
Explicou que já está circulando uma proposta legislativa que contempla a reorganização das estruturas estatais e governamentais, com o objetivo de adaptá-las às novas condições econômicas do país e tornar a gestão pública mais eficiente.
 
Afirmou que esse processo também teria impacto direto nas administrações provinciais e municipais, onde se prevê uma reestruturação das estruturas e da força de trabalho.
 
EIXO 5: TRANSFORMAÇÕES NA AUTONOMIA MUNICIPAL
 
Descentralizar os seguintes poderes a nível municipal:
 
- Planejamento estratégico.
 
- Planejamento territorial e urbano.
 
Soberania alimentar e segurança alimentar e nutricional.
 
- Serviços comunitários.
 
 - Promoção do desenvolvimento econômico local:
 
• Diversificar e fortalecer seu tecido produtivo, que considera a participação de diferentes agentes econômicos, cubanos residentes no país e no exterior, e inclui sistemas de produção locais. 
 
• Capacidade de exportar e importar, bem como de gerar e reter moeda estrangeira para despesas correntes e de capital. 
 
• Estimular e gerir o investimento direto estrangeiro. 
 
- Gestão administrativa e de recursos humanos municipais.
 
- Gestão orçamentária, financeira e tributária local.
 
EIXO 6: TRANSFORMAÇÕES DE ENERGIA
 
-Permitir a participação de capital privado e estrangeiro na importação e comercialização de combustíveis, incluindo a rede de varejo.
 
- Expandir e reestruturar a gestão da rede de postos de serviço, incluindo os postos de serviço móveis:
 
*Estabelecer que os postos de serviço geridos por diferentes agentes econômicos incorporem sistemas fotovoltaicos com armazenamento, de forma a tornarem-se independentes do Sistema Elétrico Nacional.
 
*Incentivar a instalação de estações de carregamento para promover o serviço de carregamento de veículos elétricos. 
 
- Desenvolver opções de financiamento, simplificar os requisitos e ampliar as garantias para empréstimos a pessoas físicas e jurídicas, a fim de incentivar a transição energética. Estimular o investimento por parte da demanda.
 
-Permitir que empresas estatais utilizem plataformas estrangeiras para efetuar pagamentos na compra e venda de combustíveis.
 
-Aplicar um imposto de até 1% sobre a importação de combustível físico ou financeiro destinado a estoques operacionais.
 
-Reduzir o imposto, em montante equivalente ao investimento realizado, para agentes econômicos estatais e não-estatais que façam investimentos em fontes de energia renováveis, no âmbito da sua responsabilidade social, em centros de serviços à população, sociais ou de assistência, incluindo a iluminação pública. 
 
EIXO 7: TRANSFORMAÇÕES PARA INCENTIVAR A RECUPERAÇÃO AGRÍCOLA
 
- Modificar a gestão e o uso da terra para todos os agentes econômicos:
 
*Defender o princípio da propriedade da terra por parte de todo o povo.
 
*Conceder o direito real de usufruto sobre a terra a pessoas jurídicas estatais, privadas, mistas ou naturais que o solicitem, por tempo indeterminado e na área correspondente ao projeto apresentado, para todas as produções agrícolas, florestais e de tabaco, bem como para projetos de desenvolvimento de ecoturismo e agroturismo.
 
*Capacitar a empresa estatal que administra as terras de propriedade socialista de todo o povo a concedê-las em usufruto aos requerentes por meio do contrato correspondente, em conformidade com as normas legais vigentes.
 
*Autorizar a cessão de terras em usufruto às Cooperativas de Produção Agrícola (CPA), após aprovação da Assembleia Geral da cooperativa e em conformidade com a legislação vigente.
 
*Eliminar a exigência de trabalho direto e estável na terra por parte dos usufrutuários.
 
*Avalie a definição de coletivos de trabalho e proponha as transformações estruturais necessárias.
 
- Transformando o modelo de gestão das cooperativas:
 
*Autorizar cooperativas a importar e comercializar combustíveis como insumo. 
 
*Conceder às cooperativas a autorização para realizar comércio exterior diretamente, para a exportação de seus produtos e a importação de insumos e tecnologias agrícolas.
 
*Permitir que as cooperativas gerenciem diretamente o financiamento externo para produção exportável, substituição de importações e investimentos.
 
*Permitir que as cooperativas abram contas bancárias no exterior e em bancos cubanos, tanto em pesos quanto em moeda estrangeira.
 
*Tornar o marketing agrícola mais flexível. Reconhecer o papel do mercado na formação de preços:
 
*Descentralizar e fortalecer a formação de preços para produtos agrícolas, concedendo-lhes poder às entidades do sistema empresarial estatal e não-estatal, às cooperativas e aos produtores.
 
*A contratação e a definição de preços dos produtos agrícolas serão acordadas entre o produtor e o comprador.
 
*Padronizar o regime tributário para todos os agentes econômicos que produzem, processam e comercializam alimentos.
 
*Criar o Sistema Nacional de Informação de Preços para os mercados de produtos agrícolas, com a publicação de preços de referência em plataformas digitais.
 
- Criar incentivos para que todos os agentes econômicos negociem insumos agrícolas em moeda estrangeira e pesos e tenham acesso ao mercado cambial:
 
*Autorizar todos os agentes econômicos a comercializar diretamente insumos e equipamentos agrícolas em moeda estrangeira e em pesos.
 
*Promover a criação de mercados de entrada de moeda estrangeira, nos quais pessoas físicas e jurídicas nacionais e estrangeiras participem, por meio de um processo simplificado.
 
*Aprovar um regime tributário especial para todos os agentes econômicos que participam do mercado de insumos, com incentivos e bônus para a importação e comercialização de insumos em moeda estrangeira.
 
*Criar procedimentos bancários que garantam a execução de transações em moeda estrangeira para a venda de insumos a produtores e o pagamento a fornecedores no exterior, por meio do uso de POS para pagamento com cartão magnético, transferência bancária, pagamento em dinheiro, comércio eletrônico e outros instrumentos de pagamento autorizados. 
 
-Aumentar o financiamento para o setor de produção primária através da expansão e descentralização territorial do Fundo de Desenvolvimento Agrícola e da criação de um Banco de Desenvolvimento Agrícola:
 
*Descentralizar a utilização do Fundo de Desenvolvimento Agrícola para os municípios, adaptando-a às características do território, após apresentação de projetos que contribuam para as Estratégias de Desenvolvimento, ligadas à produção alimentar.
 
EIXO 8: TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS
 
- Digitalizar e tornar transparente a gestão da assistência através da utilização da plataforma SOBERANIA para a atualização em tempo real do cadastro de pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade, de forma a sistematizar as diferentes formas de assistência, a sua rastreabilidade e o controlo governamental e público.
 
- Estabelecer que todos os agentes econômicos (estatais e privados – nacionais e estrangeiros), como parte de sua responsabilidade social em nível comunitário, na ordem financeira, nos recursos materiais e nos serviços, participem diretamente das seguintes atividades:
 
*Pagamentos de apoio a pensionistas através de acordos com bancos.
 
*Apoie os refeitórios do Sistema de Assistência Familiar e os Centros Comunitários de Distribuição de Alimentos.
 
*Apoiar lares para crianças sem cuidados parentais.
 
*Apoiar lares de idosos, maternidades, centros para idosos e outros centros sociais.
 
*Estabelecer preços diferenciados, descontos, serviços gratuitos ou quotas de solidariedade para pessoas em situação de vulnerabilidade.
 
*Atender aos casos de indivíduos vulneráveis ​​identificados pelos governos locais.
 
*Apoiar o transporte social e de saúde.
 
*Apoiar instituições de saúde pública e centros educacionais.
 
*Contribuir para a higiene e o saneamento da comunidade em áreas críticas.
 
*Destinar produtos básicos a instituições sociais.
 
*Criar módulos mensais básicos para pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade.
 
*Oferecer emprego, formação ou aprendizagem profissional a pessoas em situação de vulnerabilidade.
 
*Criar fundos de emergência locais com contribuições privadas.
 
*Permitir que instalações privadas sejam utilizadas como pontos de coleta e distribuição em situações de emergência.
 
*Apoiar serviços funerários para famílias sem recursos.
 
*Promover feiras e vendas populares em comunidades vulneráveis. 
 
- Fortalecer o Serviço Social com uma abordagem proativa e preventiva, priorizando seu trabalho no município.
 
-Fornecer recursos de pequena escala para o desenvolvimento de atividades não-estatais a pessoas em situação de vulnerabilidade multidimensional, como forma de acesso ao mercado de trabalho e superação dessa condição.
 
- Desenvolver serviços educacionais, de formação, de pós-graduação, culturais e outros serviços selecionados que constituam fontes de rendimento para o setor social.
 
-Desenvolver tarifas diferenciadas para serviços de creche e semi-internato de acordo com a renda familiar. 
 
-Desenvolver incentivos fiscais para oficinas onde trabalham pessoas com deficiência, com o objetivo de aumentar a renda dos trabalhadores.
 
EIXO 9: TRANSFORMAÇÕES DE SUBSÍDIOS A PRODUTOS EM SUBSÍDIOS PESSOAIS
 
-Eliminar os subsídios aos produtos, transformando-os em subsídios às pessoas, e implementar isso na seguinte ordem:
 
*Produtos transversais à economia (combustíveis, eletricidade, transporte de mercadorias e passageiros e tarifas de água) que impactam a produção e os serviços, transferindo custos reais para os preços de atacado e varejo.
 
*Outros produtos.
 
-Criar um Fundo de Proteção Social, como pré-requisito para as transformações, com base em uma parcela da economia resultante da eliminação dos subsídios aos produtos. 
 
EIXO 10: TRANSFORMAÇÕES DO TRABALHO E DOS SALÁRIOS
 
- Implementar uma reforma salarial abrangente no setor financiado pelo Estado.
 
- Fixar anualmente o salário mínimo e, consequentemente, o montante das prestações da segurança social e das pensões, bem como os aumentos salariais, com base na tendência da inflação.
 
-No que diz respeito ao Sistema de Pensões da Segurança Social, estabelecer:
 
*Eliminação do limite na escala estabelecida para o pagamento da contribuição social do setor não-estatal.
 
*Que as pessoas que trabalham simultaneamente nos setores público e privado possam aderir e contribuir para os sistemas correspondentes a cada atividade. 
 
*Que, dos 30 anos mínimos de serviço exigidos pelo regime contributivo, sejam considerados até um máximo de 10 anos se a pessoa os tiver dedicado ao cuidado familiar.
 
-Eliminar a necessidade de aprovação administrativa para o exercício de múltiplos empregos por técnicos, profissionais de saúde, pesquisadores, professores e funcionários.
 
- Criar incentivos para reter mão de obra qualificada, com ênfase nos jovens.
 
- Estabelecer uma renda mensal equivalente ao salário mínimo, a título de bolsa reembolsável, para jovens entre 18 e 30 anos que não estejam estudando nem trabalhando e que se matriculem em um curso de formação. O financiamento virá do orçamento da assistência social ou do setor empresarial, conforme o caso. O período de formação será reconhecido como tempo de serviço prestado. 
 
- Capacitar os empregadores, em acordo com a organização sindical, a negociar a redução do horário de trabalho e os pagamentos correspondentes às atividades profissionais, que devem estar incluídos no acordo coletivo de trabalho.
 
-Estabelecer, para o setor empresarial e orçamentário, que os próprios trabalhadores da entidade possam exercer atividades profissionais, manutenção de obras e atividades similares.
 
-Permitir o exercício do teletrabalho a partir do estrangeiro, a pedido do empregador.
 
-Inclui-se como causa justificada para a suspensão do cumprimento do serviço social a promoção para o estrangeiro por interesse pessoal associado ao perfil profissional, com o consentimento do empregador.
 
-Capacitar diretamente as entidades a determinar quais trabalhadores devem rescindir seu contrato de trabalho por razões econômicas, tecnológicas e estruturais, após avaliação pelo órgão colegiado de gestão, em comum acordo com a organização sindical, e análise na assembleia de membros e trabalhadores:
 
*Os trabalhadores nesta condição recebem uma proteção monetária equivalente a um mínimo de três e um máximo de seis vezes o salário base do cargo que ocupavam, em caráter único. 
 
-Estabelecer uma proteção equivalente a um mês de remuneração para os trabalhadores contratados no setor autônomo ou privado , em caso de suspensão temporária ou cancelamento da atividade.
 
EIXO 11: TRANSFORMAÇÕES E MODERNIZAÇÃO DO SISTEMA BANCÁRIO E FINANCEIRO
 
- Incentivar a participação do capital privado na atividade bancária:
 
* Expansão das instituições financeiras bancárias e não-bancárias por empresas privadas, cooperativas e investimento estrangeiro com licenças bancárias corporativas e universais.
 
* Os bancos privados operarão sob a supervisão do BCC em igualdade de condições regulatórias com os bancos estatais.
 
*Será permitida a criação de instituições financeiras não-bancárias ou instituições não-financeiras que apoiem o setor bancário, sejam elas de capital privado nacional ou estrangeiro, para a concessão de microcréditos.
 
- Eliminar as restrições aos pagamentos em moeda estrangeira entre empresas com capital estrangeiro e seus fornecedores nacionais.
 
- Permitir a abertura de contas em moeda estrangeira por pessoas jurídicas e físicas, sem autorização administrativa prévia.
 
Implementar o quadro regulatório para ativos virtuais e o uso de tecnologias financeiras, ampliando sua utilização para operações de cobrança e pagamento nacionais e internacionais. Criar entidades financeiras para ativos virtuais.
 
- Atualizar o sistema de taxas de juros, ajustando-o às condições econômicas atuais (incluindo títulos soberanos).
 
* Os bancos privados operarão sob a supervisão do BCC em igualdade de condições regulatórias com os bancos estatais.
 
* Será permitida a criação de instituições financeiras não-bancárias ou instituições não financeiras que apoiem o setor bancário, sejam elas privadas ou estrangeiras, para a concessão de microcréditos.
 
- Implementar a função de agente de pagamento de última milha para formalizar os fluxos de remessas por meio de um canal privado.
 
- Desenvolver outras formas de capitalizar os bancos, além dos recursos do orçamento estadual.
 
- Atualizar a estratégia com uma nova abordagem para o tratamento da dívida externa, levando em consideração as condições atuais.
 
- Acelerar o processo de automatização dos bancos e reduzir a burocracia associada aos seus serviços.
 
- Conceder ao Transfermóvil uma licença como instituição financeira não-bancária.
 
- Concluir o processo de eliminação dos limites para transferências e saques bancários por pessoas físicas e jurídicas, nacionais e estrangeiras.
 
TRANSFORMAÇÕES NA TAXA DE CÂMBIO
 
- Redimensionar o mercado oficial de câmbio e remessas, com a participação de agentes econômicos não-estatais, o que inclui a concessão de licenças para operações de casas de câmbio privadas:
 
* Criar um mercado de câmbio digital em tempo real com agentes autorizados.
 
* Implementar um sistema de leilão de câmbio.
 
- Implementar desvalorizações sucessivas da moeda nacional para reduzir as diferenças cambiais. As empresas que não suportarem a desvalorização serão liquidadas.
 
* Incorporar ao Segmento II as cooperativas, o setor diplomático, as micro, pequenas e médias empresas estatais e o investimento estrangeiro que opera sob estruturas de gestão não-estatais, garantindo que não ocorra arbitragem. As empresas estatais participarão livremente nas vendas e nas compras controladas.
 
- Criar instituições financeiras não-bancárias, estatais e privadas, dedicadas a canalizar fluxos financeiros, incluindo remessas, por meio de operações cambiais.
 
- Estabelecer balcões de negociação únicos para todos os agentes econômicos definidos.
 
- Ampliar a finalidade corporativa das instituições financeiras não-bancárias que oferecem serviços de administração de fundos de cooperação internacional.
 
EIXO 12: TRANSFORMAÇÕES DO SISTEMA TRIBUTÁRIO
 
- Melhorar a tributação sobre o consumo através da implementação gradual do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA). Esta implementação começará com cadeias específicas de produção e consumo e incluirá taxas de imposto reduzidas para produtos dentro da cesta de bens e serviços.
 
- Implementar a faturação fiscal eletrónica com incentivos que promovam a sua adoção pelos contribuintes.
 
- Aplicar um bônus ao Imposto sobre Vendas e Serviços com base nos níveis de vendas contabilizadas.
 
- Reduzir a carga tributária sobre o setor empresarial em termos de imposto de renda corporativo, com o objetivo de aumentar seu crescimento e capacidade de investimento. Ampliar a base tributária eliminando deduções especiais que não se justificam economicamente e reduzindo o risco de evasão fiscal.
 
* Estabelecer um imposto sobre o rendimento bruto para empresas que declarem prejuízos por mais de dois períodos fiscais.
 
- Aplicar uma taxa reduzida de imposto de renda corporativa ao setor agrícola.
 
- Simplificar o cálculo e o pagamento do Imposto de Renda, eliminando o termo lucro per capita, o que implica a aplicação do imposto aos sócios da CNA, CPA e UBPC.
 
- Desenvolver um regime de depreciação acelerada para a aquisição de máquinas, tecnologias de produção de alimentos e processamento industrial, que favoreça a recuperação dos investimentos.
 
- Reduzir o ônus financeiro das entidades, determinado pela contribuição do retorno do investimento estatal, condicionado à sua utilização no desenvolvimento e na capitalização.
 
- Aplicar incentivos fiscais a agentes econômicos estatais e não-estatais que financiam investimentos no setor social.
 
- Atualizar o imposto de renda de pessoa física, de acordo com o cenário inflacionário atual, por meio dos seguintes ajustes:
 
* Modificar a escala progressiva para o acerto e pagamento anual do imposto. Reduzir o número de faixas para padronizar a aplicação do imposto.
 
 * Aumentar o valor mínimo de isenção fiscal para o nível do salário médio do país no final de 2025.
 
- Restabelecer o regime tributário simplificado para atividades menos complexas, com um sistema de ajuste automático baseado nos níveis de receita bruta anual, permitindo que a Administração Tributária Nacional concentre o controle nos contribuintes de maior porte.
 
- Aumentar os valores fixos dos seguintes impostos:
 
* Imposto sobre transporte terrestre de acordo com o tipo de veículo, seu valor, combustível, entre outros aspectos.
 
* Imposto náutico.
 
* Imposto sobre documentos.
 
* Impostos ambientais.
 
* Taxa de registro para anúncios e publicidade comercial.
 
- Desenvolver tarifas e incentivos que favoreçam os processos de produção nacionais e a importação de matérias-primas, materiais, tecnologias e equipamentos para o uso de fontes de energia renováveis.
 
EIXO 13: TRANSFORMAÇÕES NA POLÍTICA DE PREÇOS
 
- Descentralizar o poder de aprovar preços e tarifas para empresas e administrações territoriais e locais.
 
- Eliminar a formação de preços pelo método das despesas e estabelecer o preço de referência de mercado ou a correlação para a sua formação, marcando a sua posição na cadeia de valor.
 
EIXO 14: TRANSFORMAÇÕES NO INVESTIMENTO ESTRANGEIRO
 
- Estimular a participação de investimento estrangeiro em empresas privadas e cooperativas, através da criação de joint ventures e contratos de associação econômica internacional.
 
- Estender o prazo máximo para concessão de direitos de superfície para 99 anos e de direitos de usufruto para mais de 50 anos para investimentos estrangeiros.
 
- Permitir que empresas com capital estrangeiro, sob qualquer forma, abram contas bancárias no exterior sem autorização. Em todos os casos, o Banco Central de Cuba e a Administração Nacional de Impostos devem ser notificados.
 
- Permitir que empresas imobiliárias realizem transações de compra e venda de unidades residenciais.
 
- Eliminar a obrigatoriedade do uso de entidades empregadoras para selecionar e contratar funcionários.
 
- Permitir que o investimento estrangeiro tenha acesso aos seus rendimentos em moeda estrangeira, opere com flexibilidade num ambiente de dolarização parcial da economia e tenha acesso ao mercado cambial.
 
- Reduzir a burocracia e os tempos de processamento, e descentralizar a aprovação de investimentos estrangeiros, incluindo a aplicação da aprovação tácita. Isso será aplicado a todos os processos de licenciamento no país relacionados à emissão de licenças para atividades econômicas, financeiras e comerciais com impacto direto no registro de empresas.
 
- Permitir o investimento estrangeiro na Velha Havana e em outras áreas históricas.
 
EIXO 15: TRANSFORMAÇÕES NO COMÉRCIO EXTERIOR
 
- Promover as exportações de bens e serviços que, através da descentralização dos poderes de exportação, de incentivos diferenciados e da integração produtiva com o capital estrangeiro, elevem o valor total das exportações para alcançar um superávit sustentado na balança comercial de bens e serviços.
 
- Aplicar o princípio da nomenclatura negativa para empresas que realizam comércio exterior, incluindo investimento estrangeiro.
 
- Permitir que empresas privadas e cooperativas realizem atividades de comércio exterior diretamente, mediante autorização prévia do ministério do Comércio Exterior e o Investimento Estrangeiro.
 
- Aprovar que as instituições podem vender marcas registradas e patentes no mercado internacional, mediante autorização prévia.
 
EIXO 16: ÂMBITO DA DOLARIZAÇÃO PARCIAL DA ECONOMIA
 
- Ampliar o escopo da dolarização parcial da economia em transações interempresariais e comerciais, de acordo com a situação atual.
 
- Modificar a concepção atual de esquemas fechados de autofinanciamento em moeda estrangeira para um esquema de contribuições provenientes de transações em moeda estrangeira.
 
EIXO 17: TRANSFORMAÇÕES NO SETOR DO TURISMO
 
-Adicionar aos modelos de negócio existentes (joint ventures e contratos de gestão) para todas as atividades turísticas:
 
* Arrendamentos.
 
* Concessão de direitos reais de usufruto em regime oneroso.
 
* Concessão de licenças para áreas com ativos ou em desenvolvimento em diferentes regiões do país e venda de imóveis (aprovação caso a caso).
 
Isso se aplica a investidores estrangeiros, cubanos residentes no exterior e em território nacional.
 
-Incluir no Portfólio de Oportunidades de Negócios certas áreas do país como Zonas de Desenvolvimento Econômico, onde regimes especiais são estabelecidos. 
 
-Permitir a aplicação de todos os modelos de negócio nas áreas históricas de Havana Velha e Trinidad, bem como em todos os destinos turísticos do país onde esses modelos sejam benéficos para o setor e o investimento estrangeiro seja necessário para o seu desenvolvimento.
 
- Permitir o desenvolvimento imobiliário em todas as áreas turísticas do país onde esse tipo de negócio seja necessário. Estabelecer a possibilidade de desenvolvimento de empreendimentos imobiliários em áreas de Havana e outras áreas urbanas do país ligadas ao turismo.
 
-Permitir a opção de joint ventures e arrendamento para a negociação de marinas turísticas.
 
-Aprovar benefícios fiscais e tributários para todos os agentes econômicos em projetos de ecoturismo e outras modalidades de turismo especializado, a fim de atrair investimentos estrangeiros e diversificar o desenvolvimento do turismo sustentável e responsável. 
 
- Criar um banco corporativo online para o setor de turismo com laços internacionais que promova serviços de ativos virtuais. 
 
-Atualizar a atividade de aluguel de carros (atualmente restrita a duas empresas no país) para incluir outras empresas estatais, investimentos estrangeiros e formas de gestão não-estatal. 
 
-Atualizar a constituição das agências de viagens para empresas mistas, 100% estrangeiras, bem como para formas de gestão não-estatais. 
 
-Autorizar guias turísticos e agentes de vendas privados, mediante autorização prévia devido ao alto nível de especialização exigido para esta atividade. 
 
-Aprovar gestores de destinos locais que sejam capazes de integrar todas as partes interessadas e garantir o funcionamento do modelo de governança mista. 
 
-Avaliar a cobrança de um imposto especial – que não existe atualmente – ou contribuição para todos aqueles que praticam turismo em uma área ou centro turístico, e destiná-lo à sustentabilidade, manutenção e promoção dessa área. 
 
-Promover franquias de marcas cubanas no exterior como forma de geração de renda, por exemplo: Casas Cuba, Casas del Habano, La Bodeguita del Medio, El Floridita e Tropicana. 
 
EIXO 18: TRANSFORMAÇÕES NO TRANSPORTE
 
-Eliminar as restrições estabelecidas para a aquisição de veículos por diferentes agentes económicos e pessoas singulares, bem como os prazos estabelecidos, estimulando a mobilidade elétrica fotovoltaica.
 
-Autorizar a importação direta, não-comercial, por pessoas físicas de um veículo 100% elétrico. Desde que acompanhado de sua respectiva estação de carregamento com fonte de energia renovável e cobertura total, estará isento do pagamento de impostos e taxas.
 
-Permitir a importação comercial direta, para montagem e comercialização, de veículos elétricos das classes de ciclomotores, motocicletas e triciclos, a entidades jurídicas autorizadas, estatais ou não estatais. Desde que acompanhados de sua respectiva estação de carregamento com fonte de energia renovável e cobertura total, estarão isentos do pagamento de impostos.
 
EIXO 19: TRANSFORMAÇÕES NO COMÉRCIO, GASTRONOMIA E SERVIÇOS
 
-Modificar a política de gestão administrativa estatal do comércio, gastronomia e serviços, priorizando formas de gestão não-estatal e modalidades de investimento estrangeiro.
 
-Reorganizar o comércio atacadista priorizando a criação de mercados de abastecimento com acesso direto para pessoas físicas e jurídicas. Não impor limites aos agentes que exercem essa atividade.
 
-Autorizar a comercialização e a prestação de serviços por entidades estrangeiras sediadas no país, incluindo filiais e representações.
 
-Criar cadeias de lojas, restaurantes e uma rede de gastronomia leve de marcas reconhecidas ou outras, que se estendam por todo o país.
 
-Convidar franquias de alimentação leve para investir no país.
 
-Licitar a empresas estatais, estrangeiras, privadas e cooperativas a gestão de parques recreativos, zoológicos, aquários, áreas protegidas e unidades de hospedagem, estabelecendo as condições para seu funcionamento, incluindo percentuais de vendas em pesos e em moeda estrangeira.
 
-Formalizar, nas comunidades, os vendedores ambulantes em diversas modalidades, habilitar um cartão de «vendedor ambulante» e aplicar um regime tributário simplificado.
 
-Estimular as compras públicas por atacado e a varejo, utilizando o fundo orçamentário de compras públicas e empréstimos bancários como capital de giro.
 
- Criar um sistema automatizado, digital, auditável e público para a licitação de imóveis e ativos a todos os agentes econômicos.
 
-Transição da cesta básica familiar regulamentada para vendas controladas sem subsídios na rede varejista.
 
-Autorizar indivíduos a realizar importações comerciais, cobrando tarifas em moeda estrangeira. Isso não implica a concessão de poderes de comércio exterior.
 
EIXO 20: TRANSFORMAÇÕES NA APÓLICE DE SEGUROS
 
-Reconhecer a rentabilidade dos recursos financeiros mobilizados na atividade de seguros.
 
- Criar um seguro de vida como complemento às proteções da segurança social.
 
-Impulsionar a comercialização de apólices de seguro em moeda estrangeira para proteção contra riscos em despesas de transporte, viagens e médicas.
 
-Regulamentar o seguro obrigatório de responsabilidade civil para condutores de veículos.
 
EIXO 21: TRANSFORMAÇÕES DIGITAIS, INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E A ECONOMIA DO CONHECIMENTO
 
- Estabelecer o quadro nacional para interoperabilidade obrigatória, governança de dados, inteligência artificial e equidade territorial.
 
- Implementar um sistema de remuneração competitivo que contribua para impulsionar a exportação de serviços profissionais em tecnologias digitais e inteligência artificial.
 
- Permitir investimento estrangeiro na expansão das capacidades do centro de dados da Etecsa.
 
- Permitir que o setor privado forneça serviços de data center que não incluam plataformas de gerenciamento de infraestrutura crítica do país, fabricação de equipamentos, bem como a instalação de redes móveis e fixas, marketing triple play, data centers, serviços em nuvem, telefonia IP e contact centers.
 
- Estabelecer uma plataforma digital que utilize inteligência artificial para o sistema de contratação pública e licitações, garantindo transparência, segurança e incluindo classificação de risco.
 
- Permitir a gestão mista da infraestrutura postal e da logística de última milha.
 
- Reconhecer os dados como o quinto fator de produção (juntamente com a terra, o trabalho, o capital e a capacidade empreendedora), o que implica considerá-los um recurso econômico não-renovável, com capacidade de gerar riqueza.
 
EIXO 22: TRANSFORMAÇÕES NO SISTEMA ESTATÍSTICO NACIONAL
 
- Desenvolver um sistema estatístico que se adapte às transformações econômicas e sociais.
 
- Concluir a alteração do ano-base para as Contas Nacionais.
 
- Retomar a construção dos índices de preços ao produtor e de comércio exterior, mantendo o índice de preços ao consumidor, vinculado aos produtos derivados dos preços observados.
 
EIXO 23: TRANSFORMAÇÕES NOS MECANISMOS DE CONTROLE E INSPEÇÃO
 
- Criar um grupo de trabalho, devido à sua importância e natureza transversal, liderado pelo Comitê Central do PCC e composto pela ANPP, Procuradoria-Geral da República, Controladoria-Geral da República, Supremo Tribunal Popular, Conselho de Ministros (DAOLPP, DSPOD e Departamento de Prevenção ao Crime), Minint e Minjus, a fim de analisar o que foi estabelecido em matéria de controle e apresentar propostas de transformação.
 
Os resultados preliminares indicam que a implementação das transformações impacta mais de 148 disposições do sistema jurídico cubano:
 
■ 15 regras a serem revogadas.
 
■ 22 regras a serem completamente modificadas.
 
■ 79 regras serão parcialmente modificadas.
 
■ Mais de 50 regulamentos suplementares de nível inferior (resoluções).
 
Além disso, será necessário desenvolver 32 novos regulamentos de nível superior (10 leis, 14 decretos-lei e 8 decretos).
 
O primeiro-ministro cubano, Manuel Marrero Cruz, afirmou que as propostas de transformações econômicas e sociais estão sendo desenvolvidas em consonância com o Programa de Governo para 2026, considerando que ambas as estratégias são complementares e respondem às condições objetivas da economia e à dinâmica sociodemográfica atual.
 
Conforme explicou, 76% dessas transformações correspondem integralmente ao conteúdo do programa, enquanto o restante o expande, integrando mudanças no tecido empresarial, maior abertura ao capital privado nacional e estrangeiro, modernização do sistema bancário, coerência entre as reformas cambiais, tributárias e de preços, bem como descentralização territorial e redimensionamento da administração central do Estado.
 
Marrero Cruz enfatizou que essas transformações não implicam renunciar à responsabilidade social do Estado, mas sim incorporar o reconhecimento dos mecanismos de mercado como instrumentos para a alocação eficiente de recursos.
 
Também observou que os principais desafios para a implementação incluem a definição de uma sequência operacional e um cronograma adequados, o fortalecimento das capacidades institucionais, a proteção social, a legitimidade jurídica e a participação cidadã, bem como a mitigação dos riscos geopolíticos.
 
O primeiro-ministro indicou que, durante a execução do processo, surgirão contradições que precisarão ser resolvidas, incluindo o impacto da dolarização parcial na avaliação econômica, a eliminação de subsídios e sua relação com os preços, bem como a descentralização de poderes sem capacidade municipal suficiente e a liberalização dos preços agrícolas sem um aumento proporcional na produção.
 
A este respeito, afirmou que o processo de implementação será flexível, com revisão constante, adoção de ações corretivas e um sistema de aprendizagem direcionado a gestores e executivos.
 
Marrero Cruz também enfatizou que as propostas buscam abordar a atual crise econômica por meio de uma janela de transformação estrutural, cuja não implementação poderia gerar consequências irreversíveis na ordem política e social.
 
Por fim, reiterou que essas medidas não constituem um desvio do projeto socialista, mas sim respondem à lógica de seu desenvolvimento, em um contexto no qual Cuba continua a construção do socialismo guiada pelas ideias de Fidel e Raúl.
 
NA VOZ DOS DEPUTADOS 
 
Photo: José Manuel Correa
O deputado Danhiz Díaz Pereira afirmou que, entre os principais sentimentos despertados pela análise do documento sobre transformações econômicas e sociais, estão a defesa do socialismo e a vontade de construir um país mais desenvolvido, com plena dignidade para todos os cidadãos.
 
Considerou que as propostas constituem uma oportunidade para avançar rumo a um modelo capaz de garantir educação de qualidade, melhores universidades, melhores salários para professores e trabalhadores, bem como saúde universal com melhores instituições e disponibilidade de medicamentos.
 
Entre as suas propostas, sugeriu que na transformação 63, referindo-se ao projeto da plataforma Soberania, se especifique que esta constitui uma forma adicional de identificação de pessoas vulneráveis ​​e não a única, tendo em conta que o ministério do Trabalho e da Segurança Social dispõe de outros mecanismos para esse efeito.
 
Saudou o reconhecimento da contribuição social que as empresas podem dar e acreditava que um sistema empresarial único deveria ser estabelecido em Cuba. E também sugeriu a inclusão de cuidadores entre os beneficiários de oportunidades de emprego, treinamento e aprendizagem.
 
Também propôs que as disposições sobre a habilitação de espaços privados como pontos de coleta e distribuição incluam crises específicas, que não necessariamente constituem situações de emergência.
 
Díaz Pereira comentou, a respeito da criação de um fundo de proteção social e da implementação de uma reforma salarial abrangente, que essas são prioridades que devem ser concretizadas antes de se realizar outras transformações para evitar maiores prejuízos à população.
 
Em relação à eliminação das proibições administrativas para professores e médicos exercerem cargos públicos, sugeriu esclarecer a definição de «funcionário público» para uma melhor compreensão do seu alcance.
Enfatizou que mais de 10 medidas no documento incluem explicitamente os jovens, em consonância com a política aprovada para este setor.
 
Entre as ações complementares propostas, sugeriu a criação de um canal de comunicação, inclusive com o auxílio de inteligência artificial, que permitisse à população esclarecer dúvidas sobre as transformações; a revisão dos procedimentos da política de pessoal para aumentar a presença dos melhores líderes nos municípios; e apelou aos ministérios da Educação e do Ensino Superior para que adaptem os planos e programas de estudo às novas realidades.
 
Também propôs a criação de um cadastro nacional de emprego único, centralizado e digital para facilitar a gestão das informações trabalhistas.
 
O deputado destacou a necessidade de fortalecer as capacidades de gestão dos municípios e apontou experiências positivas em Havana, onde ministros e vice-ministros acompanharam diretamente as autoridades locais para transmitir habilidades e competências de gestão.
 
Expressou preocupação com os riscos de corrupção e tráfico de influência associados às novas medidas, embora tenha afirmado que as transformações não devem ser temidas, mas sim que os mecanismos de controle e as proteções sociais devem ser fortalecidos. Nesse sentido, enfatizou a importância de preservar os direitos trabalhistas e continuar aprimorando as salvaguardas existentes.
 
Por fim, enfatizou que comunicar as transformações é uma responsabilidade compartilhada e afirmou que os 470 deputados, juntamente com as agências e instituições, têm o dever de explicar o alcance das medidas à população. Ressaltou a necessidade de dar atenção especial à juventude cubana e expressou confiança na capacidade do país de salvar a pátria, a Revolução e o socialismo.
 
O deputado Carlos Miguel Pérez Reyes afirmou que, apesar da política de pressão máxima exercida contra Cuba, o país permanece firme na defesa da pátria e de seu modelo socioeconômico. Contudo, ressaltou que, além dos efeitos do bloqueio, existem obstáculos internos que precisam ser eliminados e enfatizou que diversas das reformas propostas vêm sendo defendidas há anos.
 
Enfatizou que mudança não significa abandonar o socialismo, mas sim defender as condições atuais do país, e afirmou que a verdadeira justiça social não pode existir em uma economia improdutiva. Nesse sentido, apoiou as reformas propostas que favorecem maior autonomia para as empresas estatais e espaços abertos para todos os agentes econômicos, destacando também a visão de um setor empresarial cubano único, composto por entidades estatais, cooperativas, privadas e estrangeiras.
 
Durante sua apresentação, ele fez diversas observações sobre o documento em análise. No que diz respeito às transformações relacionadas à propriedade estatal, à gestão não-estatal e à transferência de ativos, considerou necessário definir com precisão o conceito de meios de produção fundamentais e evitar afirmações vagas sobre a natureza gradual das transformações.
 
Ele propôs a revisão do ponto 32 para evitar contradições entre a propriedade pública dos meios de produção fundamentais e a expansão de formas não-estatais de gestão sobre esses meios. Sugeriu também a remoção da palavra «privado» do ponto 23 e o esclarecimento de que um único indivíduo pode deter ações e participações societárias em mais de uma empresa.
 
Em relação ao ponto 56, solicitou esclarecimentos sobre o alcance da contribuição adicional de 1% vinculada aos combustíveis, considerando que a acumulação de diversos impostos pode aumentar o custo de um produto que é altamente sensível para a população.
 
Em relação ao sistema tributário, propôs que, até que o imposto sobre valor agregado e a faturação eletrônica sejam implementados, o imposto sobre vendas e o imposto sobre serviços por atacado sejam eliminados, considerando que aumentam os custos nas cadeias de valor.
 
Em matéria bancária, propôs incluir explicitamente o setor privado cubano entre os agentes com capacidade para efetuar cobranças no exterior, em igualdade de condições com outras entidades econômicas.
 
O deputado destacou cinco elementos essenciais para o sucesso das transformações: prestação de contas pública em relação aos progressos e dificuldades; implementação ágil das medidas; participação ativa de economistas, universidades, empresas, governos locais e da população; atenção àqueles que implementam as mudanças; e a necessidade de subsidiar pessoas e não produtos, acompanhando essas ações com um aumento de renda.
 
Também fez um apelo ao setor privado cubano para que fortaleça sua responsabilidade social, apoiando, na medida do possível, aposentados, sistemas de apoio familiar, orfanatos, centros para idosos, creches e outros grupos vulneráveis. Ele acreditava que as contribuições desse setor deveriam ser organizadas para se tornarem uma força concreta a serviço do povo.
 
Para concluir, afirmou que o maior risco não está em transformar demais, mas em fazer uma transformação incompleta, e apelou para que se avance em conjunto, com o povo e para o povo, na produção, nas transformações e no desenvolvimento do país.
 
«Como já disse em diversas ocasiões, isto é realmente aplicar o conceito de Revolução», afirmou o deputado Emilio Interián Rodríguez, que reconheceu o trabalho realizado no desenvolvimento das propostas e apelou a uma ação rápida, sem burocracia nem medo, para implementar as transformações e ajudar a superar a complexa situação que o país enfrenta.
 
Referindo-se ao setor agrícola, considerou que as medidas apresentadas abordam muitos dos problemas que têm limitado o crescimento da produção alimentar. Destacou as transformações relacionadas com a comercialização, a contratação e a formação de preços, e salientou que estas devem corresponder a custos reais, de forma a incentivar os produtores e recuperar os setores afetados, incluindo a pecuária.
 
Enfatizou a importância de manter os incentivos fiscais à produção e promover a importação de insumos e matérias-primas por meio de políticas tarifárias e tributárias que reduzam os custos e aumentem a competitividade da produção nacional. Citou a produção de carne suína como exemplo, afirmando que seu desenvolvimento poderia se beneficiar de um melhor aproveitamento das matérias-primas disponíveis e da produção de produtos de maior qualidade.
 
Interián Rodríguez descreveu as transformações relacionadas ao uso e à propriedade da terra como revolucionárias. E considerou necessário ampliar o acesso a áreas ociosas para produtores com resultados comprovados e eliminar as limitações que dificultam a incorporação de novas terras à produção.
 
Também solicitou uma revisão das dívidas pendentes para com os produtores agrícolas, considerando que os atrasos nos pagamentos afetam a motivação e constituem um elemento que requer atenção.
 
O deputado salientou que as novas medidas exigem maior iniciativa por parte dos produtores e a busca de alternativas próprias através das cadeias produtivas e outras formas de gestão, em conformidade com as diretrizes destinadas a aumentar a produção nacional.
 
Enfatizou que as transformações econômicas e sociais são uma resposta às decisões soberanas do país e assegurou que quaisquer mudanças futuras continuarão sendo feitas sob a premissa de preservar a independência nacional e o socialismo.
 
No âmbito do debate, a Deputada Laura Marian Bacallao Padrón elogiou propostas inovadoras como as de números 66 e 69, associadas ao Eixo das Transformações Sociais, que necessitam de alguém responsável para as implementar, e sugeriu que se considere a possibilidade de explicar as transformações à população para uma melhor compreensão e para evitar interpretações erradas.
 
Da mesma forma, o deputado por Santiago de Cuba, Francisco Ricardo Sagaró, propôs estimular o pagamento por cumprimento de indicadores e diferenças salariais que incentivem, entre outras coisas, o estudo de carreiras e o pagamento por desempenho. 
 
Por outro lado, a deputada Ailyn Febles assegurou que essas são transformações para todos os cubanos e não apenas para alguns, medidas que permitirão, apesar do bloqueio, «mais socialismo à moda cubana».
 
Ela reconheceu que todas as empresas são nacionais e que o funcionamento do sistema empresarial deve ser baseado no socialismo, e enfatizou a importância do diálogo direto com a população sobre o significado dessas medidas.
 
Da mesma forma, Ana Teresa Igarza sustentou que o desafio fundamental das transformações reside na sua implementação e na manutenção do projeto original do Comandante nas conquistas alcançadas.
 
Considerou que, dadas as transformações, é hora de falar sobre o Direito Empresarial, visto que há um grande número de atores envolvidos, e, em relação à plataforma da cadeia produtiva, enfatizou que ela é aplicável a todo o setor empresarial.
 
Ele propôs que as PMEs não fossem avaliadas pelo número de trabalhadores, mas sim pela renda que recebem e pela rentabilidade desses trabalhadores. 
 
Em outro momento, a Deputada Leydis María Labrador comentou sobre a garantia legal das propostas e transformações, levando em conta que a Constituição ampara as medidas, e considerou que, a partir dos fundamentos políticos da Magna Carta, há uma forma de endossar essas propostas.
 
O deputado José Carlos del Toro Ríos, presidente da Associação Nacional de Economistas e Contadores de Cuba (ANEC), enfatizou que as propostas apresentadas são também resultado de análises e contribuições de economistas cubanos. Destacou o compromisso da organização em comunicar as transformações e monitorar sua implementação, a fim de contribuir para a identificação e mitigação de riscos. Manifestou ainda seu apoio às transformações e reafirmou o compromisso de avançar em defesa do socialismo, sob a premissa estabelecida pelo Comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz: mudar tudo o que precisa ser mudado para preservar o essencial.
 
Em seu discurso no debate, o primeiro-secretário do Comitê Central do Partido e presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, ressaltou que as transformações econômicas e sociais propostas não significam uma renúncia ao socialismo, mas sim uma busca por maneiras de continuar construindo-o nas condições específicas de Cuba, um país que enfrenta há décadas o bloqueio imposto pelos Estados Unidos.
 
Destacou que se trata do socialismo cubano e explicou que as propostas são resultado de contribuições de economistas, do estudo das experiências de outros países socialistas e do amplo debate desenvolvido no país ao longo dos anos. 
 
Lembrou que muitas das medidas já estavam incluídas na primeira versão das Diretrizes e considerou que, independentemente do cenário complexo atual, o país deveria avançar rumo a essas transformações.
 
«Chegamos a um momento de maturidade, de reflexão, típico do debate que se desenvolveu ao longo de todos esses anos, que nos diz que tínhamos que continuar defendendo o socialismo, mas construindo-o com algumas transformações», disse.
 
Díaz-Canel salientou que, mesmo num contexto económico mais favorável, estas mudanças teriam sido necessárias, ainda que em circunstâncias mais confortáveis. Acrescentou que o principal desafio é preservar e expandir a justiça social construída pela Revolução, para o que é essencial uma economia capaz de gerar os recursos necessários.
 
«Todos falamos sobre a necessidade de manter a justiça social, mas a primeira coisa que temos que fazer é produzir. Se não produzirmos, se não gerarmos riqueza, se não oferecermos serviços de qualidade, inclusivos e abrangentes, que tipo de justiça social vamos defender?», refletiu.
 
O presidente afirmou que a justiça social exige uma base econômica sólida e enfatizou que a prioridade é trabalhar, produzir e gerar riqueza. «Em condições tão difíceis, só há uma maneira de fazer certo: inovando», concluiu.
 
Ao encerrar o debate, o membro do Bureau Político e primeiro-ministro, Manuel Marrero Cruz destacou a profundidade das análises realizadas tanto no Bureau Político quanto na reunião plenária do Comitê Central do Partido e na sessão extraordinária da Assembleia Nacional, e enfatizou o caráter enriquecedor e transformador do debate.
 
Enfatizou que as intervenções dos deputados não se limitaram ao apoio às propostas, mas incluíram também sugestões concretas que implicam modificações e até mesmo novas transformações. Nesse sentido, informou que o grupo de trabalho responsável pela elaboração do documento iniciará imediatamente um processo de revisão para incorporar as propostas, opiniões e critérios apresentados durante a análise, com o objetivo de criar um documento único.
 
Marrero Cruz esclareceu que as transformações propostas constituem o «quê» e que o próximo passo é desenvolver o «como»; ou seja, os mecanismos para sua implementação e uma definição mais precisa de seu alcance. Ele observou que muitas das propostas feitas pelos representantes fazem parte justamente dessa fase de implementação, onde as medidas devem ser finalizadas e ampliadas para que seus resultados possam ser observados.
 
E reconheceu que se trata de um processo árduo e complexo, que exige gestão rigorosa e coordenação entre diversas instituições. Explicou que, por decisão adotada no mais alto nível, o Governo é responsável por dirigir e gerir todo o processo de implementação; a Assembleia Nacional do Poder Popular e seu presidente, Esteban Lazo Hernández, são responsáveis ​​por dar suporte jurídico às transformações; e Roberto Morales Ojeda, membro do Bureau Político e secretário de Organização do Comitê Central do Partido, é responsável por assegurar pessoalmente a supervisão política do processo.
 
O primeiro-ministro salientou que a cúpula do governo assumiu a responsabilidade de orientar de forma abrangente o processo decorrente das transformações econômicas e sociais propostas.
 
O membro do Bureau Político e secretário do Conselho de Ministros, José Amado Ricardo Guerra, leu uma carta do general-de-exército Raúl Castro Ruz, na qual este expressava seu apoio às reformas econômicas e sociais propostas. Na mensagem, o líder da Revolução afirmou concordar com as medidas apresentadas e estar convicto de que elas contribuem para o fortalecimento do socialismo e para a preservação das conquistas alcançadas diante do complexo cenário que o país enfrenta.