ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Em uma mostra de carros da década de 1950 também se apropria a da estrela solitária. Photo: Valiente, Jorge

AO retornar do exílio em 1899, o poeta Bonifacio Byrne (Matanzas 1861-1936) escreveu os seguintes versos: Onde está minha bandeira cubana, a bandeira mais bela que existe?

A referência é ao poema Mi Bandera, aparecido pela primeira vez em 5 de maio de 1899, em um jornal de Matanzas e depois incluído no volume Lira y espada.

Agora, um dos mais interessantes fotógrafos cubanos da épica revolucionária, Jorge Valiente (Havana, 1936) nos permite responder a pergunta de Byrne, e com seu olhar preciso nos mostra a bandeira da estrela solitária com todo seu esplendor, se necessário, confirmando a asseveração do poeta.

Valiente, que foi fotorrepórter desde 1963 até 2002, primeiro no jornal Revolución e depois no Granma, preparou um ensaio fotográfico sob o título Lo perpetuo del instante, sobre o tema da bandeira e como é vista, apreciada, e como recorrem a ela os cubanos de hoje.

Aberta ao público no lobby da União dos Jornalistas de Cuba (UPEC, siglas em espanhol), na avenida 23 do bairro Vedado, em Havana, a mostra inclui tão só 31 fotografias de seu arquivo pessoal, mas nelas está o know-how, as características deste fotógrafo, uma perícia na composição, os perfeitos enquadres, a harmonia de elementos e muita atenção aos jogos da luz.

Desta vez, vai mais além de sua preferência pelo preto e branco e apresenta muitas fotos em cores, muito compreensível para mostra o tricolor (vermelho, azul e branco) da bandeira nacional cubana, onde reina a estrela solitária.

Muito experiente no desempenho como repórter, Valiente está no lugar dos fatos e flagra com um bom olho critico e artístico, o essencial de cada acontecimento.

Como disse para estas páginas, também “sua casa” durante anos, não organizou a exposição com uma sequência cronológica, senão a curadoria está buscando a intencionalidade artística de cada foto. “A diversidade se torna unidade”, ressaltou.

Sendo um homem mais bem calado, sempre como em segundo plano, cada inauguração lhe é incômoda, e desta vez, como a seu pesar, expressou: “Em Lo perpetuo del instante redescubro parte de minha memória que agora compartilho com vocês para juntos sentir a bandeira da estrela solitária em seu sentido amplo, profundo, comprometido”.

Jorge Valiente, mais do que um fugaz olhar à realidade, presenteia esta vez momentos únicos da relação das cubanas e dos cubanos com sua bandeira, “a bandeira mais bela que existe…”.