ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Arturo Santana dirigindo os atores principais de Bailando con Margot, trabalha já em outro projeto, inspirado na novela La condesa de La Habana, de Roberto Estrada.

O cineasta Arturo Santana é muito conhecido no mundo audiovisual cubano, fundamentalmente a través do vídeo musical. Agora estreia sua primeira longa-metragem de ficção, Bailando con Margot, que concorreu no Festival Internacional do Novo Cinema Latino-americano do ano 2015 na seção oficial de obras primas.

A sua ampla trajetória no vídeoclipe (com nomes como Pablo Milanés, Omara Portuondo e grupos musicais como Buena Fé, Orquesta Los Van Van, Grupo Compay Segundo, Septeto Santiaguero e Gente de Zona), soma vários documentários (Robinson. Una crónica con Carlos Varela e A la sombra de un león. Músicos cubanos le cantan a Joaquín Sabina) e curtas-metragens de ficção entre eles, La Forastera, pertencente ao filme coletivo Gibaras, do ano 2012).

Concorre em sua longa metragem de ficção e no discurso cinematográfico faz uma abundante homenagem à história do cinema, inclusive desde os créditos, e mergulha, ainda, em uma diversidade de gêneros. Pode classificar entre o chamado cinema neonoir e, ao mesmo tempo, manipula outros gêneros como o melodrama, o cinema esportivo e o musical, entre outros.

Do cinema negro extrai, por exemplo, a narração em primeira pessoa, a presença de um detetive privado (com destaque para o ator Erdwin Fernández, talvez relembrando o Sam Spade interpretado pelo grande Humphrey Bogart); o mundo do boxe, e não podia omitir a enigmática e sedutora femme fatale, neste caso, Margot de Zárate, interpretada por Mirtha Ibarra (com uma sólida filmografia que inclui fitas como Hasta cierto punto, Adorables mentiras, Fresa y Chocolate ou El cuerno de la abundancia) em um papel compartilhado com a jovem Yenisse Soria (procedente do teatro).

O filme começa em Havana, em 1958, na casa da abastada viúva, Margot de Zárate — ambientada fundamentalmente no Museu Nacional das Artes Decorativas — onde se cometeu o roubo de um valioso quadro, La niña de las cañas, de Leopoldo Romañach (Cuba 1862–1951). Chega o investigador e necessariamente o filme tem que lançar mão de retrospectivas (viaja no tempo por 1918, 1928, 1933) para relatar a vida de Margot.

Mirtha Ibarra, de relevante trajetória cinematográfica, e o ator Erdwin Fernández em uma das cenas do filme.

Junto à mistura de vários gêneros no filme é vital o manejo do tempo, e para delimitar as épocas, Santana e o diretor de fotografia, Angel Alderete, recorreram ao manejo da cor e a uma visualidade específica para cada período. Para essas reconstruções, o diretor também lançou mão de certos efeitos visuais realizados por Victor Lopez e seu Remachestudio. Para Santana “o importante era que se ajustaram ao filme, que se inseriram organicamente e conseguir ligar as imagens digitais à fotografia de Alderete”.

Além dos personagens principais participam Max Álvarez, Niu Ventura, Jorge Enrique Caballero, Maye Barquinero, Rolando Chiong e Camila Arteche, entre outros. A música igualmente tem destaque. Devida ao compositor Rembert Egües transita por muitos gêneros musicais: danzón, bolero, mambo, fox trot, jazz.

Com 105 minutos na tela, o filme é dividido, dramática e formalmente, em sete fragmentos e narrado em primeira pessoa. A voz de Margot se escuta no passado e no presente.

Depois de um contato com a imprensa na sala Chaplin, antes da estreia na Ilha, Arturo Santana, Mirtha Ibarra, Erdwin Fernández e membros da equipe técnica ofereceram uma entrevista coletiva no Centro Cultural Fresa y Chocolate.

O diretor contou as peripécias pelas que atravessou seu roteiro, desde uma primeira versão, em 1996, e outros detalhes próprios de produção, entretanto os atores se referiram à preparação de seus personagens.

Em que gênero incluirá seu filme? Perguntaram a Arturo Santana, e este respondeu com certa jocosidade: “Cinema negro... à havanesa”.