ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
As peças de ourivesaria são preferidas pelo público que chega até Pabexpo. Photo: Anabel Díaz

A Feira Internacional de Artesanato, que desde há duas décadas organiza o Fundo Cubano de Bens Culturais (FCBC), oferece uma ampla exibição de diferentes estilos de artesanato, chamado apropriadamente, de há um tempo a esta parte, arte popular.

O artesanato, tal como o conhecemos, é uma expressão humana, elementar e significativa, que transcende desde o meramente manual até o plano mais complexo e artístico.

Os objetos utilitários, de uso diário e doméstico, foram sendo modificados em seu estilo. Dessa forma, na Fiart 2016 tem se podido verificar que o que ali está exposto para a venda são, maiormente, peças mais elaboradas.

Esse processo criativo, com a destreza manual que deve requerer sua elaboração e o real cuidado do detalhe, dificilmente possa ser industrializado. É, provavelmente a principal atração do artesanato, seu próprio significado intrínseco, o privilégio da peça única.

Fiart, além de ser uma excelente oportunidade para apreciar, talvez, o mais representativo das criações artesanais, tornou-se palco para a promoção e a comercialização dessas obras.

O recinto de feiras Pabexpo, no oeste de Havana, e sob a divisa «Arte, Utilidade e Oficio», um público interessado achou diferentes tipos de peças, neste ano distribuídas em 500 estandes, deles aproximadamente 250 de artesãos cubanos, e quase 80 convidados estrangeiros de 18 países (pela primeira vez de Portugal, Haiti e os já habituais da Argentina, China, Coreia, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Indonésia, México, Panamá, Equador, Itália, Canadá, Venezuela, Espanha, Índia e o Peru), mais os que representam instituições — os próprios do Fundo, da Galeria Génesis, Coral Negro, entre eles — todos localizados na sala D.

A diretora de artesanato do FCBC, Mercy Correa, disse a esta publicação que cada dia se exige melhor presença das peças, por isso talvez se apreciasse um decrescimento do número de artesãos nacionais e estrangeiros, «e assim continuará sendo, pois se trata de fazer uma Feira que seja expressão do melhor de nosso artesanato e do de outros países».

A variedade de propostas, não obstante, permitiu observar as diferentes técnicas empregadas para dar forma e trabalhar materiais comuns como são: a madeira, o barro, metais, pele, pedra, papel, fibras vegetais e têxteis.

Fiart 2016 (de 6 a 18 de dezembro) teve como centro a técnica têxtil como manifestação — seus artesãos preparam 50 estandes, na sala B de Pabexpo — e destaque para a província de Cienfuegos (localizada no centro-sul da Ilha, aproximadamente a 250 quilômetros de Havana) que se destaca, precisamente, nesta expressão.

Devido a que o centro histórico de Cienfuegos foi declarado pela Unesco, em 2005, Patrimônio Cultural da Humanidade, o design geral da Feira teve em conta essa condição e foi realizado integrando seus valores arquitetônicos, desenhando, por exemplo, a praça de seu parque central e o singular Arco do Triunfo.

A sala C, a grande avenida, tornou-se novamente espaço para a mobília, nesta ocasião com uma exposição menor, para dar lugar à cerâmica e a ourivesaria, enquanto na sala A pôde encontrar-se, fundamentalmente, calçado.

Fiart continua sendo um evento imprescindível para o desenvolvimento do artesanato cubano e seu vínculo com o artesanato internacional, e seus organizadores — afirmaram — cuidam cada vez mais das suas essências, para conseguir que, certamente, possa ser chamada de arte popular.