ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Visivelmente emocionado, Eusebio Leal, Historiador da Cidade (na foto com o reconhecimento na mão) recebeu o Prêmio do GTH ALICIA ALONSO 2016, por sua importante obra como historiador, o extraordinário esforço realizado na restauração da Havana Velha, por seus méritos como educador e por seus profundos vínculos com a instituição que lhe outorgou a importante distinção. Photo: Yander Zamora

QUEBRA-NOZES torna-se, talvez, o mais popular de todos os balés, que sobem ao palco nos finais e começos do novo ano. O Ballet Nacional de Cuba, sob a regência de Alicia Alonso comemorou, como já é tradição, a estreia dessa peça em 1º de janeiro, com uma excelente montagem desse clássico.

A função na sala García Lorca do Grande Teatro de Havana Alicia Alonso foi diferente este ano, pois foi dedicada à memória do máximo líder da Revolução, Comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz, quem faleceu, em 25 de novembro.

Os cortinas abriram-se para uma breve relembrança da estreita amizade entre Fidel e Alicia.

A representação resultou uma sorte de após comemoração, pois Quebra-nozes festejou o 125o aniversário de sua estreia, em 18 de dezembro de 1892, no Teatro Mariinski, de São Petersburgo, interpretando as personagens principais os já míticos Antonietta Dell’Era, Pavel Gerdt, Olga Preobrajenska e Nikolai Legat.

A coreografia original foi criada por Marius Petipa e Lev Ivanov e o roteiro foi escrito por Ivan Vsevolozhsky e o próprio Petipa, baseando-se na adaptação de Alexandre Dumas (pai) do conto Quebra-nozes e o rei dos ratos, de Ernst Theodor Amadeus Hoffmann.

Com o argumento tornado em uma menina de nome Clara, a música perfeita cria o ambiente de um conto de fada, que a leva ao reino dos doces, onde ela é recebida pela Fada Açucarada, seu Cavaleiro e o resto dos doces.

Certamente, a música de Tchaikovsky para este balé em dois atos é uma de suas partituras mais populares, e contêm algumas de suas melodias mais memoráveis, entre elas a famosa Valsa das Flores e a Dança da Fada Açucarada.

As adaptações e as versões de Quebra-nozes são infinitas. A história vária de uma montagem a outra, embora a maioria continue o estilo clássico. Entre as versões mais notáveis estão a de George Balanchine, para o Nova York City Ballet; a de Yuri Grigoróvich para o Teatro Bolshói de Moscou; a de John Cranko para o Ballet de Stuttgart; a de Rudolf Nuréyev para o Teatro Real, em Estocolmo; a de Roland Petit para o Ballet de Marselha, em Paris e a de Mikhaíl Barýshnikov para o American Ballet Theatre.

O Quebra-nozes de Havana é uma versão coreográfica realizada por Alicia Alonso a partir do original de Lev Ivánov e foi estreada durante o 16o Festival como uma co-produção entre o Teatro La Fenice, da Veneza; o Teatro Carlo Felice, de Gênova e a companhia cubana.

Alicia, respeitando sempre os grandes clássicos e seus estilos, uma das virtudes da companhia que ela rege, nesta versão resgatou seus elementos tradicionais e elaborou uma representação mais coerente e teatral, adequada ao espectador contemporâneo e concebeu um espetáculo simples e imaginativo.

Acerca de sua versão de Quebra-nozes, Alicia Alonso tem expressado: «Deve entender-se que interpretar uma obra clássica com fidelidade e estilística, não quer dizer dançá-la exatamente igual que na época de sua estreia. A técnica e o comportamento no palco não se mantêm estáticos, mas evoluem. A técnica se torna mais perfeita e, do ponto de vista expressivo, vai-se a uma maior simplicidade, a uma síntese. O talento do artista se demonstra, caso seja capaz de empolgar o espectador deste tempo, de corresponder a sua psicologia e cultura, sem trair a coreografia nem o estilo, no referente ao mais caracterizador e válido destes elementos».

A própria Alonso interpretou Quebra-nozes no American Ballet Theater e os Balés Russos de Montecarlo, onde foi inserido por grandes mestres da antiga escola russa, como Nikolai Sergueiev e Alexandra Fedórova.

Na obra realizada neste 1º de janeiro, o elenco misturou consagrados e jovens dançarinos. A solista Chanell Cabrera interpretou a personagem de Clara; o solista Raúl Abreu interpretou o Quebra-nozes; o primeiro dançarino de caráter Ernesto Díaz interpretou Drosselmeyer; a Rainha das Neves foi interpretada pela primeira dançarina Gretel Morejón, quem se destacou por sua segurança e limpeza técnica, e o príncipe que a acompanha, o primeiro solista Rafael Quenedit.

Para a esperada Fada Açucarada, o BNC reservou a primeira dançarina Viengsay Valdés, acompanhada do solista Patricio Revé como o Cavaleiro.

Credora de uma técnica sólida, sua compreensão da dança, do estilo, mais esse carisma que possui — também de uma surpreendente ductilidade estilística — lhe permitiu oferecer uma perfeita Fada Açucarada, pela qual recebeu fortes ovações.

O prólogo à dança foi o anúncio das obras oferecidas na Sala García Lorca neste ano, que foram incluídas no Livro de Honra do Grande Teatro, entre eles, a Estreia da abertura do próprio coliseu de Prado, depois de três anos de restauração, com a presença do general-de-exército Raúl Castro Ruz, presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros; a estreia da ópera Tannhauser, em parceria com a Fundação Richard Wagner, de Munique; as temporadas da estreia da companhia Acosta Danza; o concerto Green, do contratenor francês Philippe Jaroussky, convidado pelo maestro Leo Brouwer; as temporadas de Dança Contemporânea de Cuba e o 25o Festival Internacional de Ballet.

A própria Alicia Alonso presidiu o júri, que determinou entregar o Prêmio Anual a Eusebio Leal, Historiador da Cidade, por seu constante trabalho na restauração de Havana colonial e por seus profundos vínculos com o Grande Teatro.

Ao agradecer o prêmio, Leal falou da experiente Alicia Alonso e como ela é símbolo de amizade, perseverança e ardente patriotismo. Quebra-nozes, a bela história do príncipe de madeira, entretida e de muita fantasia, à que a música de Tchaikovsky se une à perfeição, começou com elegância suprema as temporadas do Ballet Nacional de Cuba para este ano 2017.