ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Fátima Patterson, com uma sólida trajetória cênica, obtém o Prêmio Nacional de Teatro 2017. Foto: www.lajiribilla.cu

A cada ano, em 22 de janeiro, é comemorado o Dia do Teatro Cubano, lembrando os fatos do Teatro Villanueva, em 1869. É o momento adequado para a entrega do Prêmio Nacional de Teatro a uma personalidade representativa das Artes Cênicas, pela obra da vida, e os da crítica às mais relevantes obras nacionais e estrangeiras vistas nos anteriores doze meses.

O júri que este ano outorgou o máximo prêmio das artes cênicas — presidido por Carlos Celdrán, Prêmio Nacional de Teatro 2016, integra-o outras destacadas personalidades do ramo teatral cubano — decidiu distinguir com o prêmio à atriz, dramaturga e diretora teatral Fátima Patterson.

Em suas considerações o júri escreveu que Patterson encenou «os temas da mu-lher, a marginalidade e a morte» e lembra que fundou, em 1992, o «Estudo Teatral Cubano Macubá», com sede na oriental província de Santiago de Cuba.

Entre as tantas obras da recente Prêmio Nacional de Teatro, acham-se «Santiague-rías», «Mundo de Muertos», e «Iniciación en blanco y negro para mujeres sin color».

A esse respeito os Prêmios Villanueva, que entrega o Gabinete de Crítica e Pesquisa Teatral da Associação de Artistas Cênicos da Uneac, foram selecionados nove espetáculos nacionais: «Diez Millones», Argos Teatro; «Los dos príncipes», Teatro de las Estaciones; «Superbandaclown», Teatro Tuyo; «Éxtasis», Teatro Buendía; «Guan Melón, Tu Melón», El Ciervo Encantado; «Harry Potter, se acabó la magia», Teatro El Público; «Baquestribois», Osikán Teatro; «Welcome», DanzAbierta e «Montañeses», Teatro de los Elementos.

Vários foram os espetáculos estrangeiros que conseguiram os prêmios Villanueva: «Mendoza», companhia Los Colochos, México; «Clean room», de Juan Domínguez, Espanha; «La vida crónica», «Las grandes ciudades bajo la luna», «Memorias» e «Mis niños de escena», do grupo Odin Teatret, Dinamarca; «Cartas del Chimbote» e «Confesiones», de Yuyachkani, Peru; «Otelo», companhia Viaje Inmóvil, do Chile; «Programa Concierto», companhia de Martha Graham, Estados Unidos; Gala Ballet Royalty, Estados Unidos; «La Diva», Sofie Krog Teatret, Dinamarca e «Psycho Street-Cut», D ansk Rakkerpak, Dinamarca.

OS FATOS DE VILLANUEVA

Foi em 1980, quando os teatristas de Cuba concordaram denominar Dia do Teatro Cubano, em 22 de janeiro, lembrando o trágico fato acontecido nessa data de 1869.

Em 10 de outubro de 1868, no engenho La Demajagua, Carlos Manuel de Céspedes começou a luta pela independência de Cuba da colônia espanhola. Lutava-se nos campos e em Havana se vivia entre o entusiasmo e a tensão.

Na capital o Teatro Villanueva, a compa-nhia «Bufos Caricatos» representava a obra «Perro huevero aunque le quemen el hocico», um típico sainete, enchido de humor crioulo, de Juan Francisco Valerio.

Em 21 de janeiro de 1869, o ator Jacinto Valdés, dentre da representação, com brados de viva Céspedes, recebido com alvoroço e simpatia pelo público. Os membros do Corpo espanhol de Voluntários (força paramilitar) presentes não tiveram tempo de reagir.

Na noite seguinte, o agora e histórico 22 de janeiro, os voluntários chegaram alertas. Quando um ator exclamou: Que viva a terra que produz a cana!

Desde a tertúlia responderam: Que viva Cuba livre!

Foi o começo de uma chacina. Os voluntários investiram com sabres e disparos contra o público e inclusive continuou a repressão nas ruas.

Aquela sangrenta jornada foi descrita por José Martí, então, com 15 anos de idade, surpreso do acontecido no teatro Villanueva em casa de seu professor Rafael Maria de Mendive. Ele e sua esposa param-no pela força espanhola até que em sua procura vem Dona Leonor, a mãe do Apóstole de Cuba.

Presta homenagem Martí posteriormente a Dona Leonor por sua firmeza naquele momento em um de seus Versos Singelos:

(...)

Bate uma mão na porta

Na escuridão da noite

Não há bala que não perfure

O portão: e a mulher

Que bate me deu o ser:

Minha mãe vem procurando-me

Na boca da morte

Os corajosos havaneses

Tiraram os chapéus

Perante a matrona forte.

E depois que nos beijamos

Como dois malucos, disse-me:

«Vamos logo, vamos filho:

A menina fica sozinha, vamos».

É já tradição anual. Os fatos de Villanueva resultam em reconto e homenagens ao teatro e aos teatristas cubanos.