ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Herbie Hancock no concerto. Foto: Sonia Almaguer

OS participantes do concerto global pelo Dia Internacional do Jazz, que teve lugar no domingo, 30 de abril, no Grande Teatro de Havana Alicia Alonso, exaltaram os valores da música como uma plataforma global para a promoção da paz.

Convocados pela Unesco, cuja diretora-geral, Irina Bokova, viajou à capital cubana para testemunhar o evento, e sob os auspícios do Ministério da Cultura, o Instituto Cubano da Música e com a colaboração do Instituto Thelonious Monk, a noite permitiu escutar as contribuições de mais de 50 artistas e criadores dos Estados Unidos, América Latina, Europa, África e Ásia, liderados pelo norte-americano Herbie Hancock e o cubano Chucho Valdés e, como apresentador, o ator popular norte-americano Will Smith, quem como intérprete do rap já ganhou quatro prêmios Grammy.

O show, que foi assistido pelo primeiro vice-presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, Miguel Díaz-Canel, e pelo ministro da Cultura, Abel Prieto, foi um exemplo do que pode e deve ser conseguido, em termos de cooperação, para o crescimento espiritual.

«Enquanto alguns batem os tambores da guerra, aqui, agora e em muitas partes só haverá ouvidos para escutar os tambores que nos convidam à convivência e a solidariedade, a harmonia e a compreensão», frisou o poeta Miguel Barnet, ao apresentar o concerto.

Barnet, presidente da União dos Escritores e Artistas de Cuba lembrou aos presentes e àqueles que apreciaram a transmissão do show em mais de cem países que o «jazz se tornou parte da nossa identidade, conversa com o son e com o bolero, cobra sentido naquilo que nós chamamos de ‘descarga’ cubana, está geminado com toques e cantos rituais transplantados da África pelos nossos antepassados, funde-se com a rumba, encontra novos caminhos na criação dos jovens formados nas nossas escolas de arte e nos representa, com dignidade e altura, em inúmeros e diferentes palcos dentro e fora da Ilha».

Ao falarem ao público, tanto Bokova, como Hancock e o produtor e compositor Quincy Jones, especialmente convidado para a reunião, concordaram em destacar o compromisso do jazz com a liberdade, o respeito à diversidade e a ética.

Em vários momentos, a partir do começo — foi bom ver no palco um músico da qualidade de Oscar Valdés — e até o fechamento, foi comemorada a saga histórica e atual da variante conhecida como jazz afro-cubano, a partir da criação da peça Manteca, em 1947, onde confluíram os gênios de Mario Bauzá, Chano Pozo e Dizzy Gillespie, para agitar os palcos de Nova York, a explosão de um grupo de músicos, estrelas insulares, liderados por Orlando Valle, Maraca, e a recreação coral, com sotaque muito cubano, que incluiu desde a peça clássica Imagine, de Lennon, até a La Guantanamera.

No meio da trama, para iluminar as raízes comuns e possíveis diálogos, escutou-se a peça Bilongo, de Rodriguez Fife, cantada pelo camaronês Richard Bona, e um changui com sabor do norte da África, temperado pelas cordas de três de Pancho Amat, o alaúde do tunisino Dhafer Youssef, vocalista de voz impressionante e do violinista William Roblejo.

Do jazz afro-cubano para outras áreas do jazz latino registrou-se um trio de movimentos interessantes: por um lado, o brasileiro Iván Lins, com Soberana rosa, generalizada no âmbito anglo-saxão mediante versões de Sting e Dione Warwick; da outra parte a inevitável Besame mucho, da mexicana Consuelo Velázquez, na voz da coreana Youn Sun Nah e as intervenções sutis da grande violinista Regina Carter e a baixista Esperanza Spalding, e depois a improvisação vocal (scat) entre ela e o inefável Bobby Carcasés.

Hancock colocou em uma perspectiva precisa o que aconteceu quando, sentados ao piano, Chucho Valdés e Gonzalo Rubalcaba interpretaram Blue Monk, de Thelonious Monk: a arte de duas criaturas que ampliaram o legado do Mestre e que elas próprias são ícones indiscutíveis do jazz contemporâneo.

Com certeza, os participantes do concerto conservarão em sua memória as performances dos saxofonistas norte-americanos Kenny Garrett e Antonio Hart, dos seus compatriotas Cassandra Wilson — uma voz profunda e dourada — Christian Sans (piano), Ambrose Akinmusire (trompete), os baixistas Marcus Miller e Ben Williams e o baterista Carl Allen e vocalista Kurt Elling, tendo que reconhecer que o jazz se expandiu com força e originalidade em outras latitudes, representados pelo pianista libanês Tarek Yamani, a saxofonista peruana Melissa Aldana, o baterista mexicano Antonio Sánchez, o saxofonista russo Igor Butman, o trombonista italiano Gianluca Petrella, o trompetista japonês Takuya Kuroda e o violonista francês Marc Antoine.

Se o concerto fluiu tão bém foi devido aos esforços de seus diretores musicais, Emilio Vega e o mestre americano John Beasly, e do responsável pela encenação, Alexis Vázquez.