ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
As Romarias de Maio contra o bloqueio. Foto extraida do facebook

SEMPRE se impõe um som de fundo acima do acontecimento que estamos assistindo. Ter escolhido uma entre tantas propostas que por estes dias tiveram lugar na cidade de Holguín, que realizou sua 24ª edição das Romarias de Maio, significa compartilhar também, de alguma maneira, as que estão acontecendo a poucos passos de onde a gente está, porque elas são isso: uma festa que abrange tudo, onde tem para todas as preferências.

Por estes dias ninguém fica em casa. Cada recanto convida. Para ser um participante da Romaria basta estar. Não é possível ignorar uma festa que chega à sua 24ª edição porque os filhos deste palco cubano defenderam o direito de preservar suas tradições.

Holguín não é ainda a sede de um festival mundial de juventudes artísticas, mas basta ver a afluência de jovens criadores cubanos, — de muita qualidade —, acompanhados de uns 200 participantes, amadores da beleza, de 26 países, para que se torne, nesta data, a capital mundial da arte jovem.

A diversão, propiciada por manifestações artísticas de todo o tipo, que se espalham pelas seis principais praças da cidade apaixonada pelos parques que possui e, inclusive, pelos recantos e instituições que entre eles se situam, não está em absoluto de costas ao compromisso político. Dedicada ao Comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz, o eterno líder da Revolução Cubana; a Ernesto Che Guevara e aos jovens rebeldes do mundo, as Romarias conceberam espaços para o debate construtivo e necessário.

Um contundente Não ao bloqueio econômico, financeiro e comercial que por mais de cinco décadas sustentam os Estados Unidos contra o povo de Cuba, teve lugar na biblioteca provincial Alex Urquiola, onde houve uma troca entre ativistas das redes sociais, blogueiros cubanos e participantes das romarias, em geral, a propósito da inauguração do espaço Blogs de Maio, denominado assim por causa do contexto em que se desenvolve.

Campanário de Madeira, de Alexis Leyva (Kcho) para iniciar oficialmente as Romarias. Foto: Madeleine Sautié Rodríguez

Se uma ideia ficou remarcada nas intervenções foi a necessidade de ir ao encontro da verdade, a partir do conhecimento da História, que tantas vezes pretenderam e pretendem tergiversar os inimigos da paz mundial, cujas ideias neoliberais e fascistas são usadas como bandeira para desacreditar a Revolução Cubana e aos líderes dos movimentos sociais da pátria grande americana.

Junto a esta ideia, transcendeu a imperiosa urgência de que os jovens cubanos, com suas possibilidades de acesso às tecnologias, reflitam a realidade de um país em Revolução que não acredita apenas na possibilidade de um mundo melhor, mas que o está construindo.

Fidel Castro e Che Guevara inspiraram o espírito das Romarias. A exposição fotográfica da publicação La Jiribilla, denominada Despedida, dos jovens artistas Daniela Muñoz Barroso e Jorge Ricardo, que por iniciativa própria tomaram fotos dos momentos mais significativos em que o povo acompanhou Fidel, em novembro passado, até sua última morada, ficou inaugurada na própria biblioteca em que aconteceu o protesto contra o bloqueio.

O pensamento de Che Guevara, revisitado mais que nunca, quando se completam 50 anos de ter morrido em combate, foi alvo na inauguração do evento Prêmio Memória Nossa, cujas palavras inaugurais — Desafio das novas gerações — foram proferidas por Aleida Guevara March, filha do comandante Ernesto Guevara de la Serna.

Mas não ficaram apenas em reflexões e palavras as posições políticas assumidas nas Romarias, mas que à maneira de performance espontâneo, executou-se a ação Abraços vs Bloqueio, como expressão cálida de reclame universal pelo fim da absurda estratégia. No parque Calixto García, principal praça de Holguín, abraçaram-se desconhecidos e amigos, que coincidiram na necessidade de pôr fim a tal genocídio.

Outro momento destacado foi o desfile inaugural das Romarias. Um sino dobrando, colocado na obra Campanário de Madeira, do artista visual Kcho, foi o sinal de arranco da pitoresca procissão que animaram participantes de diversas latitudes mundiais, para mostrar suas tradições e identidades.

Cada espaço esteve ocupado, sucederam-se encenações teatrais, pequenos concertos, encontros para dialogar com artistas, trovadores, um momento para si mesmo. Às noites a música se multiplicou. Tribunas armadas, becos, palcos de diversas instituições pareciam se desarmar com tanto barulho. Abaixo os participantes das romarias conversavam, dançavam, acompanhavam as canções, tomam fotos para eternizar a euforia. Trovadores como Raúl Paz, David Blanco, Eduardo Sosa, William Vivanco, Polito Ibañez, Gerardo Alfonso, os grupos Toques del Río e Síntesis, além da participação de artistas estrangeiros como France D’ Amour, do Canadá, entre muitos outros nomes, encarregaram-se de animar essas horas em que as famílias e os amigos se dispunham a dar tudo pela diversão e o encontro.

Discretas mas onipresentes, fazem o seu as belas artes. Seus eventos foram Palavras compartilhadas, de Ediciones La Luz, editora da Associação Hermanos Saíz, que auspicia as Romarias, com apresentações e painéis literários ininterruptamente, além do 6º Encontro de Poetas em Cuba, A Ilha em versos, que mais do que ter sessões, fluiu em absoluto desfrute.

A Casa da Ibero-América acolheu poetas de 50 países que, além de tocar os temas universais da poesia em seus versos e oferecê-los aos seus semelhantes, trouxeram junto com suas leituras as dos poetas fundamentais de seus respectivos países. Não faltou no recital noturno a explícita manifestação do amor por Cuba e sua já lendária missão de guia das revoluções no mundo.

Um outro desfile encerraria as Romarias, desta vez desde a Colina La Cruz até a Periquera, esse imóvel que toma seu nome do costume dos patriotas de Holguín de chamar de pericos aos militares uniformados da antiga casa do governo colonial, hoje Museu Provincial de História.

A mítica plantação de uma árvore em uma zona moderna da cidade, que anuncia o verdor das novas gerações e o içado do machado, típico símbolo aborígine acolhido pela cidade dos parques, pôs fim à festa. Um fim apenas em aparência: a música, o contágio do riso e a gente lotando as ruas puseram isso em dúvida. Como também a continuidade de sua próxima edição, da que não deixa já de falar-se, o que é já uma garantia.