ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

LIZT Alfonso Dance Cuba (LADC) é uma das companhias de dança fusão mais consolidadas em nível nacional. Seu trabalho e permanência no palco, há mais de 25 anos, tanto no país quanto no estrangeiro, tornaram-no um dos grupos de dança mais populares e acompanhados da Ilha.

O sucesso da companhia, em boa medida, deve-se ao empenho criador e artístico de sua diretora, a dançarina, coreógrafa e professora Lizt Alfonso que, em 2011, foi nomeada embaixadora cultural do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) para reconhecer seu trabalho na formação de crianças e jovens em sua Academia de Dança, o Ballet Infantil e Junior.

Consagrada ao mundo da arte sendo muito jovem. Alfonso estudou na Escola Cubana de Ballet, academias de dança espanhola, dança-teatro, folclore, entre outras; até se graduar na especialidade de Teatrologia e Dramaturgia, na atual Universidade das Artes.

Cria, faz coreografias e dirige todos os espetáculos que sua companhia leva ao palco.

Sob a direção de Lizt, LADC, tornou-se o primeiro grupo de dança cubano em se apresentar uma temporada toda no New Evictor Theatre, em Broadway, Nova York, e o único grupo da Ilha que, até agora, participou dos Latin Grammy, na estreia de 2015, realizada no MGM Grand Garden Arena, de Las Vegas.

A temporada mais recente da companhia foi encerrada no Grande Teatro de Havana Alicia Alonso e teve grande aceitação pelo público, acontecimento que, não por acaso, nas peças da LADC deixa de ser significativa.

Sob o nome de Latido, a estreia — com ideia original, regência e coreografia de sua diretora — é uma peça que faz um apelo às emoções, à tristeza da perda e à alegria de existir. A partir da música, realizada tendo como referência a peça Latido del corazón, cujo compositor é o saxofonista César López, até os nove movimentos coreográficos que integram a peça, Latido é uma obra para desfrutar em toda a sua dimensão.

Seu roteiro nasceu há quatro anos, segundo informou Alfonso. «Em 2003, jantei com um amigo mexicano muito querido e falamos de planos futuros. No dia posterior viajou para seu país e pela noite me notificaram seu falecimento. Fiquei chocada. Paralelamente a isso três dançarinas da companhia tiveram seus bebês e experimentei muita alegria e tristeza ao mesmo tempo. Então, disse aos músicos que queria criar um música com Latidos del Corazón e daí em diante começamos a armar o espetáculo».

«A obra trata —acrescenta Lizt — do que acontece em Cuba e no mundo. Tem um sentido muito particular de nosso país e muito geral, ao mesmo tempo. Latido fala das máscaras, a demagogia, a inveja, o amor, a sociedade, a luta do indivíduo dentro da massa e todo isso se pode localizar em qualquer cidade do mundo».

Com pouco mais de uma hora de duração, esta preparação eminentemente de dançar demonstra, também, a evolução que experimenta LADC nos últimos anos, pois daquela companhia integrada só por mulheres e que fazia só o gênero flamenco, há poucas.

Hoje, quando Lizt Alfonso apresenta um espetáculo o público sabe que pode achar flamenco, folclore, balé, dança contemporânea, diversas danças populares, música e também dançarinos.

Lizt, que valor concede a senhora ao fato de incorporar homens em suas coreografias?

«Nesta coreografia era muito necessário, porque eu queria falar dos encontros e desencontros do sexo, da identidade e a decisão de ser ou não ser o que se quer ser. Eu precisava ter os homens para poder contar essa história. Nos tempos que vivemos as coisas vão além da necessidade de que um homem e uma mulher se juntem só para procriar e é uma das coisas que não incomodam».

«É preciso ter consciência de que essa realidade existente... tudo pode coexistir perfeitamente, finalmente as pessoas querem felicidade e isso é o que procuramos todos».

O que define Latido dentro de sua carreira coreográfica?

«Para mim é muito interessante descobrir que posso percorrer qualquer caminho. Latido tem e não tem a ver com os trabalhos anteriores, é a lógica consequência da negação e da apropriação das diferentes coisas que preciso para continuar caminhando. Não é plantar uma árvore somente e ficar estática nela, porque dá frutos. Acho que a vida se trata de não trair, de fazer o que a gente gostar, mas sentir-se bem consigo mesmo».

Agora, mudando um pouco o tema. Muitas vezes, para bem e para mal, sua dança foi qualificada de comercial. O que acha disso?

«Não é um termo que incomoda. O ato cênico, para se completar, deve ter um receptor que deve entender o que se faz. Eu gosto dos espetáculos musicais, porque Cuba é um povo musical, gosta de levar as duas coisas ao mesmo tempo, tanto o musical quanto a dança, porque isso liga um público mais amplo e diverso... esse é um público que se torna fiel».

«Não me importo quando dizem que é comercial; ao contrário, acho que aquilo que não seja comercial não faz sentido, tudo se compra e se vende, nós estamos para oferecer um serviço, os artistas fazemos isso».

Uma última pergunta, com que bate o coração da senhora?

«Com tudo o que fica acima do palco, com minha companhia, com a dança, com meus dançarinos, com meus sonhos».

Depois desta temporada no Grande Teatro de Havana Alicia Alonso, LADC fará uma ampla turnê com apresentações tanto no país quanto no estrangeiro. Em junho, encenará no teatro Karl Marx o espetáculo ¡Mil crianças à cena… e mais! Posteriormente, em julho, viajará à Turquia. Em agosto, começarão os cursos de verão e em setembro voltará com o espetáculo Cuba Vibra! Os meses de outubro e novembro serão para cumprir a turnê internacional de outono, em países da Europa, Oriente Médio e a América do Norte. Entretanto, em dezembro comemorará seu 25º aniversário e em 2018 pretende organizar uma turnê nacional pela Ilha toda.