ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
A capa do novo disco também pensada e cuidadosamente desenhada, incluído o vestuário de Haila.

HAILA María Mompié, uma das melhores intérpretes cubanas contemporâneas, comemora 25 anos de carreira com o lançamento de sua sétima produção discográfica: Haila, Mujer de Acero (Haila, Mulher de Aço).

Com um claro sentido do mercado, a cantora de son por excelência, começou o ano com uma turnê por Cuba, durante a qual cantou as novas peças incluídas no disco que agora lançou perante a imprensa em uma muito bem concebida entrevista coletiva, no mezanino do hotel Iberostar Parque Central.

Já com o CD fisicamente na mão, a carismática Haila ofereceu aos dançarinos um grande espetáculo no Salão Rosa da Tropical, para o qual contou com alguns dos conhecidos cantores que participaram como convidados no disco.

«Chegar a este alto nível profissional e de convocatória — assegurou — decorreu por um caminho de busca e, claro, de sacrifícios».

Para nossos leitores um brevíssimo percurso. Em 1991, foi convidada para fazer parte do Septeto Tradición; em 1994, aderiu à orquestra Bamboleo; para 1998 é fundadora do grupo Azúcar Negra e, em 2001, resolveu empreender uma carreira sozinha.

Desde então, sete discos, entre eles, o primeiro Haila, seguidos por Haila live; Haila Diferente, (onde se inicia cantando balada, bachata, merengue, salsa e algo novo, sua voz em um tom médio), e Haila Mala (Prêmio Cubadisco na categoria de Música para dançar).

Haila María Mompié se converteu em um exemplo para a geração de músicos cubanos. Photo: Juventud Rebelde

Na intensa rota participou, em 2001, da gravação do CD La rumba soy yo, vencedor de um prêmio Grammy Latino; compartilhou palco com figuras como Cheo Feliciano, Oscar de León, Olga Tañón, Rey Ruiz, José Alberto El Canario, Gilberto Santa Rosa, Chucho Valdés, Muñequitos de Matanzas, Mario Rivera, Adalberto Álvarez, David Calzado, Issac Delgado, Lázaro Valdés, e integrou o projeto Cuban Grammys, junto a Eliades Ochoa, Juan Formell, Sampling, Chucho Valdés, Los Papines e Ernán López-Nussa.

DE AÇO ATÉ AS RAÍZES

Durante a entrevista coletiva para lançar Haila, Mulher de Aço, a versátil cantora se mostrou confiada na nova produção. «Sempre me considerei um ser humano bastante ousado. Dizem que quem não arrisca não petisca».

Haila esteve acompanhada por Mario Escalona, gerente geral da Empresa de Gravações e Edições Musicais (EGREM), sob cuja licença saiu o disco; Lester Hamlet, realizador de cinema e vídeo, que assina as notas discográficas e do arranjador do CD, Carlos Cartaya, que se referiram a diversos aspectos da conceição do fonograma.

Acerca de Haila, que há 25 anos destaca por suas excelentes qualidades vocais e alto nível de improvisação, Lester Hamlet (filme Ya no es antes, onde se escuta uma música de Haila) considerou que ela «se converteu em um mito, uma etiqueta, ela é autêntica, é Cuba», enquanto Escalona enfatizou em que a nova estrela da EGREM, «é uma artista com uma imagem própria, símbolo de credibilidade profissional».

Muito reveladores dessa profissional de Haila foram os comentários de Cartaya, arranjador, com Aned Mota, das 11 peças de Haila, Mulher de Aço, um disco — observou — «bem pensado, as peças selecionadas de uma grande quantidade de repertório. Ela é bem estrita e não para até que tudo fique como ela quer. Eu penso minhas melodias, Haila põe as delas e penso que o resultado é satisfatório. Conseguimos um CD com uma sonoridade espetacular, soa cubano e internacional».

Como nasceu a ideia?

Haila e sua orquestra são referentes na música cubana. Photo: Cubadebate

Ao que Haila respondeu: «Quase sempre o título sai de uma canção. Que esse título chame a atenção. Em minhas sete produções sempre foi Haila e… algo mais. E quando Issac (Delgado) me deu a canção, disse é este: Mulher de aço.

A peça é da autoria de meu irmão Issac e Misael Bosaa — precisou a destacada cantora — e metaforicamente, com esta produção, como sempre, defendo as mulheres que aproveitam para dizer cantando o que, às vezes, não podem dizer com palavras».

«Eu faço música de todo tipo, mas também para que as mulheres se defendam. Este CD é para as corajosas, lutadoras, fortes perante qualquer situação na vida, como eu».

O sétimo disco, lançado agora, foi produzido por Aned Mota, autor de seis das 11 músicas do CD. Outros compositores são Carlos Cartaya, Randy Malcom, Issac Delgado e Taimy Estrada.

Haila ressaltou que teve convidados «amigos e de luxo, ferventes amadores da musica cubana: Descemer Bueno, Leoni Torres, Issac Delgado, Paulo FG, Alain Pérez».

Acerca das músicas, a intérprete afirmou: «sempre sou sigilosa com os textos, que tenham sentido comum para que o público se identifique» e mencionou Te traigo flores, Amor a primera vista, La lluvia se llevó tu amor, Lo que tengo es mío, Santiago, mi Santiago; Para que llorar (uma conga selecionada para identificar o Carnaval de Havana neste verão); De donde vengo e El susto.

Como vê Haila este novo CD entre sua discografia?

«Um de meus primeiros discos foi magistralmente arranjado e produzido por Juan Manuel Ceruto. Penso que fica para minha história e a história musical, mas para mim todos são maravilhosos. Com Mulher de Aço me sinto mais madura à hora de interpretar, de fazer a música cubana e ofereço àquele que dança uma variedade de gêneros e estilos musicais, guarachas, rumbas, sones», timba.

Haila sempre surpreende pelo excelente trabalho musical, tanto em discos como no palco e por seu domínio dos gêneros e, sobretudo, do son. Ela é uma mulher de grande presença no palco, mas quando, sem o melhor dos esforços, levanta a voz, os dançadores se encantam e aquele que escuta fica impressionado.

Esta verdadeira estrela da música para dançar em Cuba foi rotunda em seu encontro com a imprensa, em relação a sua paixão pelo son, o qual — disse — «é minha vida, minha devoção, vivo-o à plenitude» e o defende em cada una de suas produções.

Com Haila, Mulher de Aço quer algo mais: «Cuba é a Ilha da música e em muitos gêneros. Eu trabalho para chegar aos jovens, impulsioná-los à música cubana, à nossa rica arte, para que seu ouvido saia de tanta toxicidade».

Ícone contemporâneo, Haila se deve a seu público, esse que canta suas canções e dança com sua música. Ela sabe disso e não o defrauda.