ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Desde os primeiros momentos do triunfo da Revolução, Fidel prestou ajuda e atenção ao Balé Nacional de Cuba. Em primeiro plano (da esquerda para a direita) Alicia e Fernando Alonso e o Comandante-em-chefe. Foto: Ballet Nacional

FIDEL dedicou especial atenção ao desenvolvimento da cultura cubana desde os primeiros e convulsos anos da Revolução. Sua imagem está estreitamente ligada à fundação das mais importantes e insignes instituições culturais da Ilha.

Dizem que os poetas são visionários, uma afirmação provada muitas vezes. Com a vida e obra do líder histórico da Revolução foi assim. Tomemos como exemplo o poema que lhe dedicou Miguel Barnet:

Fidel

É certo que os poetas

agarram instantes da vida

e os fixam na história

Geralmente o passado

vago e nostálgico

Ou o presente imediato com seus fogos sutis

e suas reverberações

Mas quão difícil agarrar o futuro

e colocá-lo para sempre

na vida de todos os poetas,

de todos os homens.

Barnet fala já da obra que vinha fazendo-se desde 1959, é verdade, mas antes de tudo, desse futuro que Fidel via com clareza e precisão inclusive nos momentos mais difíceis.

Um primeiro exemplo do mesmo 1959. Foi Fidel quem ofereceu todo seu apoio a Alicia e Fernando Alonso para que continuassem com a companhia de balé que se tornou Balé Nacional de Cuba, uma das maiores do balé clássico do mundo.

Quando morreu Fidel, em 25 de novembro de 2016, a prima ballerina assoluta Alicia Alonso lembrou a importante ajuda que deu o Líder Histórico da Revolução à arte do balé e afirmou «ofereceu-a sempre com carinho e respeito. Sempre lembrarei a voz dele, amável e próxima, perguntando sobre meu trabalho artístico, pedindo detalhes sobre as atividades do Balé Nacional de Cuba, seus avanços e necessidades».

A Revolução foi registrada em imagens por grandes fotógrafos. La caballería, de Raúl Carrales, perpetuou a chegada dos guajiros (caipiras) a Havana o primeiro 26 de julho. Foto: Familia Corrales

Outro poeta, Ernesto Che Guevara, qualificou-o com mais precisão tão cedo quanto 1956, chamou-o em seu Canto a Fidel, escrito no México «ardente profeta da alvorada».

Profeta em muitas áreas, mas aqui falamos do cultural. Se no ano fundacional de 1959 Fidel parou para apoiar uma arte considerada elitista, menos nesta Ilha que já convoca milhares de furibundos baletômanos, não é de estranhar que dirigisse seu olhar ao cinema.

Em março desse ano, junto a seu amigo Alfredo Guevara, propuseram e criaram o Instituto Cubano da Arte e Indústria Cinematográfica (Icaic) e com isso levaram às telonas novas temáticas e, também, novas estéticas. Uma instituição que garantiu a promoção de um novo cinema (mais adiante no tempo, junto aos cineastas de outros países, nasceria o Festival Internacional do Novo Cinema Latino-Americano de Havana).

Fidel tinha visto a força das imagens. Em 1986, apoiou firmemente a fundação da Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de los Baños (EICTV) junto a seu amigo Gabriel García Márquez, Prêmio Nobel de Literatura.

«Um país sem imagem é um país que não existe… Para nós, o primeiro dever de um cineasta é tornar visível este continente», afirmou Julio García Espinosa, precursor do cinema cubano e um dos fundadores da EICTV.

Fidel foi um leitor incansável e por sua orientação expressa foi criado em 31 de março de 1959 a imprenta Nacional de Cuba. O primeiro livro? O engenhoso fidalgo Don Quixote da Mancha, de Miguel de Cervantes y Saavedra.

Armando Hart Dávalos, que foi ministro da Educação (1959-1965) e da Cultura (1976-1997) e é atualmente diretor do Gabinete do Programa Martiano e presidente da Sociedade Cultural José Martí, explicou em 1979 por que editar O Quixote: «Ao símbolo do personagem imortal que encarna os mais puros ideais humanos, unia-se a decisão de reconhecer como próprio o patrimônio cultural da humanidade e a homenagem a tudo o que de tesouro comunal unificador encerra nossa língua na figura do mais preclaro de seus escritores».

Para captar a alma de Fidel, o pintor equatoriano Oswaldo Guayasamín, seu amigo, retratou-o quatro vezes.

Na Imprenta Nacional — depois Instituto Cubano do Livro —, dirigida pelo romancista Alejo Carpentier, não só foram impressos textos literários, mas também os milhões de exemplares das cartilhas e manuais que seriam utilizados durante a Campanha Nacional de Alfabetização, em 1961.

Cada leitor entende os versos como quer. Daquele instante pode considerar-se que falava o poeta argentino Juan Gelmam em seu Fidel de 1962 quando escreveu: «seu próprio coração o único que teve/ tremulou-o no ar como uma grande bandeira/ como um fogo aceso contra a noite escura».

Contra a noite escura que é não saber ler. Foi Fidel o principal artífice do maior evento cultural empreendido na Ilha em qualquer época. Disse o líder da Revolução em seu discurso de 22 de dezembro de 1961 ao concluir a epopeia: «Nenhum momento mais solene e emocionante, nenhum instante de legítimo orgulho e de glória, como este em que quatro séculos e meio de ignorância foram derrubados».

Aquele ano de 1961 foi estremecido em muitas frentes, a derrotada invasão da Baía dos Porcos e Fidel sempre atento à cultura se reuniu na Biblioteca Nacional, durante três dias de junho, 16, 23 e 30, com destacados artistas e escritores do momento.

Intensos debates que concluíram com o memorável discurso que ficou para a história como Palavras aos Intelectuais. Apenas mês e meio mais tarde, no hotel Habana Libre, foi realizado o Congresso dos Escritores e Artistas, encerrado por Fidel, que deixou como resultado a criação das União dos Escritores e Artistas de Cuba (Uneac) que presidiu o poeta Nicolás Guillén.

No ato pelo 55º aniversário de Palavras..., Miguel Barnet, atual presidente da Uneac, afirmou:«O artífice da política cultural cubana, o gestor, é Fidel... Todas as opções culturais que temos hoje as devemos a Fidel»

Pelo caminho da literatura nasce a Feira Internacional do Livro de Havana, em vários espaços da capital, até chegar às abóbadas de San Carlos de la Cabaña e convertê-la em uma fortaleza cultural. Por iniciativa de Fidel há alguns anos a Feira se espalha por todo o país.

Outra contribuição decisiva de Fidel ao desenvolvimento da cultura cubana é a criação de um sistema de ensino artístico, iniciado em 1962, ano marcado pela Crise dos Mísseis. Fundou-se a Escola Nacional da Arte, que teve sua máxima expressão na criação do Instituto Superior da Arte. Marcham então rumo a inumeráveis cúpulas as artes plásticas, a música de concerto e popular, as artes cênicas.

Fidel foi o líder e o estrategista. Em 1991, a queda da União Soviética e do bloco socialista provoca uma longa e profunda crise econômica no país. Evoca Fidel ao Apóstolo José Martí e lembra que trincheiras de ideias valem mais que trincheiras de pedra (do ensaio martiano Nossa América, de 1891) e adverte que o primeiro a ser salvo é a cultura, que «é a espada e escudo da nação».

Na Aula Magna da Universidade Central da Venezuela, em 3 de fevereiro de 1999, quando a posse do presidente Hugo Chávez Frías, Fidel sentenciou: «Uma Revolução só pode ser filha da cultura e das ideias».

São inúmeras as instituições culturais criadas desde 1959, todas com a marca de Fidel e graças a elas, milhões de cubanos puderam e podem acessar a todas as manifestações de arte e cultura, como espectadores e como criadores.

Há que voltar aos iluminados, aos poetas. Carilda Oliver Labra, em março de 1957 escreveu seu Canto a Fidel e estes são os versos conclusivos:

Obrigado por ser de verdade

Obrigado por tornar-nos homens

Obrigado por cuidar os nomes

que tem a liberdade/

Obrigado por seu coração.

Obrigado por tudo, Fidel!