ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Partitura da Bayamesa, obra do patriota cubano Perucho Figueredo Cisneros.

OUTUBRO tem duas grandes efemérides na história de Cuba, o começo das guerras de independência e o Dia da Cultura Nacional.

A história é muito mais profunda e rica; mas mediante uma síntese tencionamos lembrar o dia 10 de outubro de 1868, momento que marca o começo das guerras contra a colônia espanhola, cuja clarinada foi o clamor primigênio de Carlos Manuel de Céspedes em La Demajagua.

No dia 18 de outubro de 1868, foi o começo da tomada da cidade de Bayamo por parte do Exército Libertador e às 22h00 do dia 20, as autoridades espanholas assinaram a capitulação.

Entre o júbilo pela vitória e o cantarolar incessante de uma melodia conhecida pela multidão, fala-se que se ouviram vozes pedindo a música e então, Perucho Figueredo, sentado na sela do seu cabalo, cruzou o pé e escreveu os versos da música que ele mesmo tinha composto um ano antes. Surgia assim o Hino Nacional de Cuba

Dia belo aquele 20 de outubro de 1868, música e poesia, arte e rebeldia unidos. Fundiam-se a cultura e Nação. Histórico momento em Bayamo, a cidade que depois preferiu ser queimada antes de ser entregue ao inimigo.

Para lembrar esse acontecimento, em 20 de outubro foi declarado Dia da Cultura Cubana.

A BAYAMESA  

A história do atual Hino Nacional cubano data da madrugada do dia 14 de agosto de 1867 no momento em que o Comitê de Guerra se reuniu na casa do patriota Perucho Figueredo e lhe deu una ordem histórica: «agora é seu turno, que é músico, deve compor a nossa Marselhesa».

Devemos precisar que esta Bayamesa não tem nada a ver com a obra romântica e homônima composta por Carlos Manuel de Céspedes, Francisco Castillo e José Fornaris, em 1851, que diz: “Não lembras gentil bayamesa,/ que fostes meu sol refulgente,/ e risonho, em tua lânguida frente,/ fraco beijo imprimi com ardor?”.

Falando de novo da marcha que resultaria o Hino Nacional, em 8 de maio de 1868, Figueredo pediu ao pedreiro, músico e regente da Banda Municipal, Manuel Muñoz Cedeño, fazer a orquestração e um mês depois foi tocada na Igreja parroquial mor de San Salvador de Bayamo, durante um solene Te Deum em meio das festividades do Corpus Christi, perante distintas personalidades coloniais, entre elas o governador militar da cidade, tenente-coronel de cavalaria Julián Udaeta, e posteriormente foi repetida nas ruas, em uma processão.

José Martí, o mais universal dos cubanos, organizador da Guerra de 1895 que ele chamou de Necessária, além de poeta extraordinário, teve outra visão, resgatar a marcha depois de tantas combates e dificuldades e para isso pediu ao músico e patriota de Camaguey, Emilio Agramonte, transcrevê-la no pentagrama, segundo as lembranças dos muitos emigrados.

Martí publicou essa transcrição em Nova York, no número 16 do jornal Pátria, com data de 25 de agosto de 1892, sob a manchete La Bayamesa, Hino Revolucionário Cubano, de Pedro Figueredo.

Com suas sempre belas e certas palavras, o Maestro escreveu: «Pátria publica hoje, para que seja cantada por todos os lábios e seja guardado em todos os lares; para que derramem de pena e de amor, as lágrimas daqueles que o ouviram no combate sublime pela primeira vez. Para que reaja o sangue nas veias juvenis, o hino em cujos acordes, na hora mais bela e solene de nossa Pátria, levantou-se o decoro dormido no coração dos homens. Ainda a gente treme ao lembrar aquele fato maravilhoso!»

A partitura original foi perdida, talvez queimada, conhece-se que em 1869, ficando Pedro Figueredo refugiado na chácara Santa María de Morell, em Camaguey, reescreveu o manuscrito de seu hino, a pedido de uma das filhas do proprietário, Adela Morell, quem em 1912 o enviou a Fernando Figueredo, sobrinho de Perucho, para que o entregasse ao Museu Nacional.

Atualmente, o Museu Nacional da Música conserva essa segunda partitura autografada, que Perucho Figueredo escrevesse para Adela Morell, em 10 de novembro de 1869.

DIA DA CULTURA CUBANA

Em 22 de agosto de 1980, o Comitê Executivo do Conselho de Ministros de Cuba resolveu, em seu Decreto no. 74, declarar o dia 20 de outubro como Dia da Cultura Cubana.

O Decreto, assinado pelo presidente do Conselho de Ministros, Fidel Castro; o ministro da Cultura, Armando Hart; o secretário do Conselho de Ministros Osmany Cienfuegos e do Comitê Executivo, assinalou em uma de suas intervenções que «O Hino Nacional de Cuba, A Bayamesa, surgiu em meio do combate e o triunfo… e na pena de seu criador musical, Perucho Figueredo, que montado em seu ardente corcel… compôs a oitava que, desde então, canta e cantará eternamente nosso povo, como seu hino de luta e de vitória e também…o querido valor do que foi a primeira obra da cultura cubana…»

Dessa forma, em seu primeiro Considerando, o Conselho de Estado determina «Declarar o dia 20 de outubro como ‘DIA DA CULTURA CUBANA’, de forma a comemorar o dia 20 de outubro de 1868, data em que… o povo cantou pela primeira vez… A Bayamesa… com sua apaixonante música e poesia patriótica, canto pleno à insurreição libertadora e à abolição da escravidão e manifestação artística desse ato profundo e irreversível configurador da consciência cubana, expressão e símbolo mais alto e genuíno de nossa cultura nacional».

Festa da cultura cubana que sem hesitar é «alma e brasão da Nação».