ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
O alemão Thomas Gabrisch tem em seu currículo a regência de mais de 200 óperas, 40 programas concerto diferentes e composições próprias, nos teatros Deutsche Opera am Rhein, de Freiburg, Nurenberg, Colonia e Essen.

EXISTEM mais de120 versões gravadas da imortal Sinfonia No. 2 em dó menor, de Gustav Mahler, sob a batuta de reconhecidos diretores: Leonard Bernstein, Leopold Stokowski, Zubin Mehta, Claudio Abbado, Pierre Boulez. Porém, eu posso garantir que ouvir a sinfonia de Mahler ao vivo não tem nada a ver com escutá-la na solidão da casa. Ouvi-la, ver o diretor, músicos e cantores; isso é único.

No tradicional concerto da Orquestra Sinfônica Nacional no domingo (29 de outubro) tivemos o prazer de escutar a maravilhosa Sinfonia No. 2, intitulada A Ressurreição, uma das peças sinfônico-vocais mais aplaudidas do repertório universal.

A Sinfônica, cujo diretor titular é o maestro Enrique Pérez Mesa, apresentou-se, na ocasião, sob a batuta do diretor alemão Thomas Gabrisch, professor da Escola Superior de Música Robert Schumann, em Dusseldorf, Alemanha, quem há cinco anos não só vem sendo convidado para reger a Sinfônica, que em 2013 regeu, com música da Terceira Sinfonia de Mahler, mas também da Orquestra de Câmara de Havana.

Para a apresentação da gigantesca peça, Gabrisch convidou nesta oportunidade, em Havana, a soprano alemã Sabine Schneider, quem junto à contralto cubana María Felicia Pérez, assumiram o papel de solistas.

Nesta foto de arquivo o maestro Guido López Gavilán rege a Orquestra Sinfônica Nacional, no teatro Amadeo Roldan. Photo: Archivo

Aliás, a peça precisa de uma grande orquestra, um grande coro misto e neste concerto participaram mais de cem vozes, juntadas ao coro Ratingen, da Alemanha e os coros cubanos Schola Cantorum Coralina (diretora Alina Orraca), Coro de Câmara Exaudi (diretora María Felicia Pérez), Camerata Vocal Sine Nomine (diretora Leonor Suárez) e o Coro do ICRT (diretora Liagne Reyna).

No universo musical, a Sinfonia No. 2 de Mahler (Áustria 1860–1911) é considerada uma das obras mais grandiloquentes, composta para orquestra sinfônica com coro. Tem umas dimensões surpreendentes, onde o compositor quer cogitar acerca da vida, a morte e a ressurreição.

O compositor e regente cubano Guido López-Gavilán, nesta ocasião como espectador na Sala Avellaneda do Teatro Nacional, comentou para nossos leitores que «Mahler demorou muitos anos em escrevê-la (1888-1894) e o fez por movimentos. É uma mostra de seu talento para trabalhar a orquestra, as grandes sonoridades, a duração surpreendente e é uma das peças que mais é tocada nos grandes palcos do mundo. É uma grande sorte ter a oportunidade de escutá-la. É um trabalho admirável pela parte de Tomas Gabrisch. Pela primeira vez é tocada em Cuba, pelo menos que eu saiba».

Mahler, considerado um dos maiores e originais sinfonistas, compôs nove peças do gênero e esboços de uma décima incompleta, devido a sua morte. A Segunda, que hoje nos ocupa, recebeu as boas-vindas em sua estreia, em Berlim, sob sua regência, em 13 de dezembro de 1895.

A peça, uma das mais populares, é formada por cinco extensos movimentos, onde o melômano se enfrenta às múltiplas atmosferas, ideias e estados anímicos, graças a uma incrível orquestração.

Não posso deixar de falar acerca do espetacular final, o canto de ressurreição do coro que, pouco a pouco, ascende de um pianíssimo até a apoteose de um grandioso hino de fé. Este último movimento é mais cumprido, durando mais de meia hora.

A maestra María Felicia Pérez, quem além de fazer a voz contralto na Sinfonia, foi a responsável pela preparação e ensaio dos cinco coros participantes, comentou para nossa publicação a grande significação de ser escutada em Havana esta obra.

«É algo que não tivemos a oportunidade de realizar, é uma peça gigante tal como vocês escutaram, uma obra extraordinária, com uma orquestração e uma profunda riqueza harmônica, tímbrica, rítmica. É uma das grandes peças da mudança que há entre os séculos 19 e 20, acho que executar uma obra em alemão com um texto filosófico, não foi simples».

A diretora de Exaudi acrescentou que no decurso da sua carreira musical nunca a cantou, mas ficava muito contente porque os jovens pudessem cantá-la e mostrar nosso desenvolvimento no canto coral. Também tocar esta peça extraordinária ajuda ao desenvolvimento da Orquestra Sinfônica Nacional, integrada, também, por muitos jovens que tiveram esta chance. Ampliou que «para a orquestra, os coros e o público foi magnífico poder trabalhar com uma partitura que não é tocada todos os dias, porque é muito grande e precisa de muito tempo sua montagem. Ter a oportunidade de escutá-la no teatro é algo maravilhoso».

A imortal Sinfonia No. 2 A Ressurreição, do compositor austríaco Gustav Mahler foi revivida no Teatro Nacional de Havana, sendo compreendido o que seu compositor pensava acerca das sinfonias que «devem ser como o mundo: devem abranger tudo».