ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

A cinematografia cubana está representada na seleção oficial do 39º Festival do Cinema de Havana por dois longas-metragens de ficção, dois documentários, um curta-metragem e um desenho animado e cerca de 40 filmes incluídos no programa geral.

Embora nesta ocasião o número de filmes apresentados seja menor, Ivan Giroud, presidente do evento, comentou que neste momento há vários filmes cubanos em fase de produção e pós-produção que seguramente concorrerão em 2018», quando o Festival Internacional do Novo Cinema Latino-americano comemore, nada mais nada menos, que seu 40ª aniversário.  

Para lembrar, em 2016 a cinematografia cubana concorreu com dois filmes na secção oficial Obra prima (Esteban, de Jonal Cosculluela, e El techo, de Patricia Ramos) e três em Longas-metragens (Últimos días en La Habana, Prêmio Especial do Júri, de Fernando Pérez; Sharing Stella, de Enrique Álvarez e Ya no es antes, de Lester Hamlet, com Prêmio Coral em Atuação Masculina para Luis Alberto García).

Durante a primeira entrevista coletiva acerca da seleção cubana, Giroud respondeu: «É verdade que o Festival tem lugar em Cuba e é o momento para apresentar sua cinematografia, mas seus filmes entram no concurso em iguais condições respeito ao resto das filmografias latino-americanas, só o melhor».

Foi anunciado que para este 39º Festival foram selecionados para concorrer pelo prêmio Coral de longas-metragens de ficção os títulos Sergio & Serguéi, sob a direção e roteiro de Ernesto Daranas (Los dioses rotos, Conducta, Prêmio Coral 2014) e Los buenos demonios, de Gerardo Chijona (Adorables mentiras; Esther en alguna parte; La cosa humana).

Sergio & Serguéi, uma coprodução de Mediapro, RTV Comercial e o Instituto Cubano da Arte e Indústria Cinematográficas (Icaic), em parceria com a Wing and a Prayer Pictures e Westend Films, é uma história desenvolvida em 1991, quando a URSS caiu e o ‘período especial’ chegou a Cuba.

Seus intérpretes são Tomás Cao, como Sergio, um radioamador e professor de marxismo, que deve reorientar sua vida, e Héctor Noas, como Serguéi, o último cosmonauta soviético, quase esquecido na afetada estação orbital Mir.

Daranas expressou que «Sergio & Serguei é basicamente uma comédia, uma história que fala da amizade e da autoestima, muito mais do que da política ou da história».

Por sua parte, Los buenos demonios, o novo filme do prestigioso cineasta Gerardo Chijona, leva à tela o último roteiro de Daniel Díaz Torres, quem faleceu sem poder ver acabado este trabalho, escrito junto a Alejandro Hernández, graduado da Escola Internacional de Cinema de São Antonio de los Baños.

Daniel Díaz Torres (1948-2013) dirigiu cerca de 16 filmes, entre eles Jíbaro (1985), Alicia en el pueblo de Maravillas (1991), Hacerse el sueco (2001), Camino al Edén (2007), Lisanka (2010) e La película de Ana (2012).

Chijona comentou que seu longa-metragem propõe uma visão atual de Cuba e é um drama que tira seu próprio caráter como agora se produz, no qual convivem três gerações de cubanos, a que fundou a Revolução, a intermédia e os filhos do ‘período especial’».

Los buenos demonios tem no papeis principais Carlos Enrique Almirante, Vladimir Cruz, Isabel Santos (protagonista da obra prima de Chijona, Adorables mentiras) e Enrique Molina.

Precisamente Isabel Santos, uma das atrizes mais admiradas do cinema cubano (Clandestinos, La pared de las palabras, ambas de Fernando Pérez) há alguns anos decidiu dirigir, mas no gênero documentário (San Ernesto nace en la Higuera, 2006 e Viaje al país que ya no existe, 2014).

Este ano conseguiu incluir-se no concurso oficial com sua produção La Gloria City, cujo núcleo central é uma entrevista ao escritor e ensaísta cubano Enrique Cirules (1938-2016) com motivo de seus livros Conversación con el último norteamericano, romance sem ficção, que narra a fundação, em 1900, por norte-americanos desse povoado, na costa norte da província de Camaguey, localizado a quase 500 quilômetros ao leste de Havana, seu auge e destruição, e um segundo romance La saga de la Gloria City.

Como dado curioso, no programa da Televisão Cubana Con 2 que se quieran, que conduz Amaury Pérez, cantor e compositor e entrevistador, Isabel Santos disse: «Meu avôs são paternos, de Jarahueca, em Santa Clara, e os maternos são de La Gloria». Não obstante ao escrever este comentário a atriz e diretora não ficava em Cuba, seguramente este foi um impulso fundamental à hora de selecionar o tema de seu terceiro documentário.

O segundo documentário do concurso, tampouco mostrado, é El Proyecto, de Alejandro Alonso, com uma duração de 60 minutos. Deste jovem realizador são conhecidos Evocación e La despedida, ambos apresentados na Mostra Jovem do ICAIC.

Para a secção de média-metragem e curta-metragem foi selecionado 25 horas, do diretor Carlos Barba (Humberto, 2014), quem fez o roteiro e assumiu também a direção de arte e a produção, entretanto a direção de fotografia é de Rafael Solís (Esther en alguna parte história, Vestido de novia).

A história conta acerca de uma mulher — interpretada por Isabel Santos — que volta ao país para cuidar do seu pai doente (surpreendentemente assumido pelo cineasta Enrique Pineda Barnet Prêmio Nacional de Cinema 2006, e diretor de La Bella del Alhambra, 1989) e a quem o dia lhe parece ter mais de 24 horas.

Em várias sínteses do curta-metragem, 24 minutos, mostra-se que tudo acontece em 17 de dezembro, data histórica em que foram reatadas as relações diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos.

Um filme cubano foi selecionado para a seção Animação, que inclusive o presidente do Festival, Ivan Giroud, considera de pobre participação geral, com tão só 16 produções.

Trata-se de uma versão livre de Los dos príncipes, realizado pelos diretores Adanoe Lima e Yemelí Cruz, do poema homônimo do Herói Nacional de Cuba José Martí, que parte de uma ideia da poetisa norte-americana Helen Hunt Jackson, publicado na revista La Edad de Oro.

Tal como em seu anterior e premiado curta-metragem La Luna en el jardín, o novo filme de Lima e Cruz foi realizado nos Estúdios de Animação do Icaic.

Para este curta-metragem, de 15 minutos, os diretores se decidiram por uma mistura de técnicas como o stop motion (quadro-a-quadro) e a animação 3D.

Cuba também está nos concursos de Roteiro inédito (três); pós-produção (um) e Pôsteres (12) e significativamente no programa geral com quase 40 filmes, segundo Giroud.

O número de filmes é extenso e só mencionamos uns poucos títulos que não foram selecionados nas seções de: A hora da curta (El hormiguero, de Alan González); Sociedade ( Mujeres... los poderes vitales del éxito, de Lizette Vila, Ingrid León); Cultura (¿Qué remedio? la parranda, de Daniela Muñoz); Cinemateca (Manuela, el rostro rebelde del cine cubano, de Manuel Jorge; Una leyenda costeña, de Patricio Wood); Para todas as idades (Selección natural, de Víctor Alfonso); Vanguarda, (Bliss, de Francesca Maria Svampa), e A meia-noite (Criaturas, de Francisco Cevallos).

É ampla a presença cubana, mas não igual no Concurso Oficial como no programa geral, mas não há dúvidas que oferece uma panorâmica das múltiplas propostas que oferecem hoje seus cineastas.