ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

EXPRESSÃO poética e musical com raízes fundas na identidade nacional, o ‘punto cubano’ (música camponesa) acaba de ser incluído na exigente lista de manifestações que fazem parte do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

A declaratória teve lugar em seis de dezembro, em Jeju, Coreia do Sul, onde teve sessões o comitê da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) com vista à revisão dos documentos apresentados pelos Estados-membros do organismo multilateral, a fim de avaliar as práticas mais significativas e vigentes, que dão conta das tradições culturais dos povos e garantir sua proteção.

Ao avaliar a apresentação cubana se evidenciou não só a autenticidade e arraigo de uma manifestação originalmente cultivada, com diversas variantes enriquecedoras, nas zonas rurais do país, e estendida depois ao âmbito urbano, mas também sua consequente promoção em escala social, conforme aos princípios democratizadores que animam a política cultural do Estado revolucionário.

Como definição, o ‘punto’ consiste em uma toada ou melodia acompanhada pela voz de uma pessoa que canta composições poéticas em décimas, improvisadas ou aprendidas. A Unesco elogiou sua hierarquia como elemento essencial do patrimônio cultural imaterial cubano, aberto a todos, que propicia o diálogo e expressa os sentimentos, conhecimentos e valores das comunidades que o praticam.

De linhagem hispânica, a partir da transculturação de toadas e versos cantados, trazidos à Ilha por emigrantes espanhóis, sobretudo canários e andaluzes, o ‘punto’ começou seu andar crioulo no século 18, de acordo com a notável especialista em musicologia Teté Linares, e desde então, em contínuo crescimento e expansão, chegou a dominar a vida cultural dos camponeses, com suas melodias e um tratamento que percorre desde a épica até o humor.

Acompanharam o ‘punto cubano’ em sua incorporação à lista do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, a ornamentação das paredes das moradias por parte das mulheres de Asir (Arábia Saudita); a dança kochari (Armênia); a comida dolma (Azerbaijão); o tecido de tapetes de Sylhet (Bangladesh); a feira da Alasita (La Paz, Bolívia); a marcenaria de Konjic (Bósnia e Herzegóvina); as tradições para receber em março a primavera (Bulgária, Moldávia, Macedônia e Romênia); a música e dança das máscaras (Costa do Marfim) e os cantos de trabalho das planícies (Colômbia, Venezuela).