ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
A Casa é epicentro de relevantes eventos culturais, um dos mais reconhecidos, seu Prêmio Literário, que em 2019 comemora seu 60º aniversário. Photo: Juvenal Balán

GRANDES intelectuais latino-americanos participaram do Prêmio Casa, a partir de sua criação em 1960, como jurados ou concorrentes, deixando seu legado no evento anual, que é um dos mais prestigiosos e de maior convocatória do continente.

Do poeta e romancista cubano Pablo Armando Fernández, Prêmio Nacional de Literatura e para intitular estas notícias escolhemos umas linhas que definem o Prêmio e as jornadas sucessivas: «é um momento significativo e comovedor, uma comemoração de amor à cultura, que é a vida, que vai por um caminho de luz».

Não somente é reconhecido pelos escritores latino-americanos e caribenhos, por sua interrupta presença, mas também pela convicção de que o principal princípio deste concurso o premiar o melhor livro, sem outras considerações.

Tudo isso demonstra o poder de convocatória do Prêmio, e perceber que neste ano, pelo momento, receberam-se mais de 200 obras, segundo anunciou o diretor do Centro de Pesquisas Literárias, Jorge Fornet.

PRESTIGIOSOS INTELECTUAIS INTEGRAM OS SEIS JÚRIS

Nestas 59 edições anteriores, o concurso aperfeiçoou-se, desenvolveu-se e renovou-se. Por exemplo, devemos-lhe a inserção do gênero testemunho, e no decurso de sua história se juntaram outras línguas, como o português, o inglês, o francês, o crioulo e outras originárias como o quéchua, aimará ou maia.

Neste evento, foram convocados três dos gêneros tradicionais, desde a primeira edição do Prêmio em 1960 (teatro, conto e ensaio), junto à literatura brasileira, literatura caribenha em inglês ou crioulo e Prêmio de estudos acerca da mulher.

As palavras de inauguração das sessões do Prêmio foram proferidas pelo poeta e cantor Silvio Rodríguez, convidado pela riqueza literária de suas composições e por seu vínculo à Casa e a sua fundadora, Haydée Santamaría.

A presente edição do Prêmio lembra, faltando menos de um mês por completar (18 de fevereiro) os 50 anos do primeiro concerto que fizeram na Casa Silvio Rodríguez, Noel Nicola e Pablo Milanés, os três pilares do que posteriormente foi denominado o Movimento da Nova Trova.

O dossiê elaborado pelo Centro de Pesquisas Literárias e a Direção de Comunicação da Casa permite conhecer que «cerca de 4.500 livros participantes tornam o Conto o mais apresentado (só superado pela poesia no decurso da história do Prêmio). Neste ano, as obras serão examinadas por Marta Aponte Alsina (Porto Rico); Rodrigo Hasbún (Bolívia); Ariel Urquiza (Argentina, vencedor no gênero Conto, do Prêmio Casa 2016, com a obra Ni una sola voz en el cielo) e Daniel Díaz Mantilla (Cuba).

No gênero Teatro há uma presença de destaque. O primeiro Prêmio foi para Santa Juana de América, de Andrés Lizarraga. Uma alta responsabilidade que devem exercer o atual júri integrado por Olga Consentino (Argentina); Charo Francés (Espanha-Equador); Diego Sánchez (Colômbia); María Teresa Zúñiga (Peru) e Alexis Díaz de Villegas (Cuba).

Desde seus começos e até 1977 — como se mostra no dossiê — o Prêmio Ensaio era convocado como um conjunto, mas para avaliar com imparcialidade, resolveu-se alternar o gênero nos ramos histórico-social e artístico-literário, que corresponde este ano. Conformam o júri: Myrna García Calderón (Porto Rico); Saúl Sosnowski (Argentina) e Luciano Castillo (Cuba).

A literatura brasileira sempre tem destaque na Casa. Sua coleção Clássicos da Literatura Latino-americana foi inaugurada em 1963, com Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Como categoria independente foi convocada em 1980 e agora suas obras serão lidas por Mário Magalhães (Brasil, Prêmio Casa 2014 por Marighella: o guerrilheiro que incendiou o mundo); Cristian Santos (Brasil) e Candace Slater (Estados Unidos).

Em 1976, foi convocado pela primeira vez um Prêmio para a literatura caribenha em inglês, que em 1973 deu passagem à literatura em crioulo, e em 1979 à escrita em francês. A 59ª edição convoca os escritores de expressão inglesa ou crioulo, cujas obras serão avaliadas por Elizabeth Núñez (Trinidade e Tobago); Jacob Ross (Granada) e Emilio Jorge Rodríguez (Cuba, Prêmio Casa 2017 por Una suave, tierna línea de montañas azules. Nicolás Guillén y Haití).

A Casa dá uma importante atenção aos estudos de gênero, com a criação, em 1994, do Programa de Estudos da Mulher e seu Prêmio, que nesta ocasião será escolhido por Natalia Cisterna (Chile) e as cubanas Marta Núñez Sarmiento e Roxana Pineda.

Aliás, Casa das Américas entregará, mais uma vez, os prêmios honoríficos José Lezama Lima, de poesia; José María Arguedas, de narrativa, e Ezequiel Martínez Estrada, de ensaio.

AS JORNADAS DO PRÊMIO

O núcleo é o concurso, certamente, mas as jornadas do Prêmio estarão condicionadas por palestras e debates em relação a temas de gêneros e categorias do ano; o lançamento dos livros vencedores do Prêmio Casa 2017 e da revista Casa de las Américas, Conjunto e Annales del Caribe, e a nova exposição Pioneros del Arte Digital, da Coleção Arte de Nossa América.

Especial significação terá a entrega formal (24 de janeiro) do Prêmio Unesco-UNAM Jaime Torres Bodet em ciências sociais, humanidades e arte, concedido em sua segunda edição à Casa das Américas, em outubro de 2017.

Recebe seu nome do eminente poeta, romancista, ensaísta e diplomata mexicano Jaime Torres Bodet, um dos membros fundadores da Unesco e seu diretor-general desde 1948 até 1952. Criado em 2014, pelo Conselho Executivo da Unesco, é entregue cada dois anos e foi recebido, em sua primeira edição, em 2015, por Bernard Binlin Dadié, ensaísta, romancista, dramaturgo e poeta de Costa do Marfim.

O encerramento de toda essa euforia literária será em 25 de janeiro, quando sejam dados a conhecer os resultados do Prêmio Casa 2018, um concurso que não é comercial e muito apreciado pelos escritores do continente, por sua mantida objetividade, rigor e justeza.