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O documentário Yo soy del son a la salsa, de Rigoberto López, é um dos analisados, o tempo de duração é de 98 minutos, foca-se principalmente no cantor Issac Delgado, e entre os prêmios recebidos se encontra o Primeiro Coral do 18º Festival Internacional do Novo Cinema Latino-americano, Havana, 1996. Photo: Courtesy of Ediciones ICAIC

A Editora Icaic lançou uma dezena de títulos na 27ª Feira Internacional do Livro de Havana, com um balanço adequado dos temas, levando em conta as demandas dos leitores e dos fãs do cinema, que em Cuba são muitos.

A diretora da casa editora do Instituto Cubano da Arte e a Indústria Cinematográficas (Icaic), Mercy Ruiz, comentou ao nosso semanário que embora seja uma empresa pequena, seus livros sempre são bem-vindos. «Temos um espaço fundamental para a crítica cinematográfica, analisamos temas muito importantes como as cronologias, ensaios de obras de cineastas, a música e a religião no cinema e, inclusive, criamos uma coleção para crianças: Contar y cantar».

O Centro Cultural Dulce María Loynaz, que foi a última residência da poetisa desse nome, Prêmio Nacional de Literatura e Prêmio Cervantes, foi o local eleito pela Editora Icaic para quase todos seus lançamentos (só os gêneros infantis foram mostrados na sede principal da Feira, a fortaleza San Carlos de la Cabaña).

Um dos títulos disponíveis para os leitores é Sara Gómez: un cine diferente, da ensaísta Olga García Yero. Esta cineasta foi a primeira cubana em dirigir um logo-metragem: De cierta manera, inconclusa devido à sua morte precoce, aos 31 anos de idade, e terminada, menciona-se no livro, «graças à solidariedade de Titón (Tomás Gutiérrez Alea) e outros amigos».

O ensaio foi apresentado pela poetisa Nancy Morejón, quem considerou que por seu conteúdo e seu valor o livro prestigia a Editora Icaic e é uma contribuição para lembrar uma personalidade como Sara Gómez.

A poetisa Prêmio Nacional de Literatura fez uma emocional apresentação da escola, onde partilhou a sala de aula com a depois extraordinária documentarista. «Ela tentava encontrar a essência de nossa identidade e com isso criou seu cinema, primeiro documentário, e essa ficção que não pôde terminar e tornada clássico do cinema cubano».

A ensaísta Olga García Yero trata no livro Sara Gómez: un cine diferente da trajetória da cineasta, sua vida e o alcance de seu trabalho, analisa toda a obra de documentário, enfatiza em De cierta manera e presenteia o leitor com uma entrevista feita, nada mais nada menos, que pela escritora e cineasta francesa Marguerite Duras a Sara Gómez, achada no arquivo da Cinemateca de Cuba embora «lamentavelmente não tenha data exata».

Entre os documentários analisados está Y…tenemos sabor, um dos poucos documentários de Sara que diz a ensaísta, foi estreado nos circuitos nacionais de exibição. Photo: Courtesy of Ediciones ICAIC

O escritor Francisco López Sacha apresentou o livro La música en el documental cubano: Santiago Álvarez, Rogelio París y Rigoberto López, de José Loyola, quem em um começo asseverou que se trata «de uma contribuição importante porque não foi estudada profundamente a música cubana no cinema. Neste livro se estuda a música, não a trilha sonora».

Loyola trabalha o documentário cubano, que tem um destaque internacional, que consegue criar uma escola, e no caminho — assinala López Sacha — consegue um método de análise para avaliar a relação entre o som, a música e a imagem fílmica, isto é, como compreender a estrutura do documentário desmontando a música?

A ensaísta inclui um breve Preludio que trata, entre outros, a Concepción sonora en el Noticiero Icaic Latinoamericano, e para aprofundar no tema escolhe a três criadores, Santiago Álvarez, Rogelio París e Rigoberto López, os quais — considera o apresentador -- «modificaram o gênero com elementos do som, a montagem e a ficção».

Loyola, compositor e musicólogo, analisa cinco documentários de Santiago Álvarez, entre eles «três clássicos: Now, Hasta la victoria siempre e El tigre saltó y mató…pero…morirá…morirá…!!; de Rogelio París, Nosotros, la música, verdadeira obra-mestra e de Rigoberto López Yo soy del son a la salsa, obra de esplendido avanço, dedicada à história de nossa música para bailar em Cuba e fora de Cuba».

O catálogo da Editora Icaic foi enriquecido com outros títulos, entre eles El cineasta que llevo dentro. Más de 30 años de la revista Cine Cubano (1984-2015), do ensaísta e crítico Frank Padrón.

O livro reúne uma compacta antologia do trabalho de Padrón como contribuinte da revista e permite apreciar a versatilidade do escritor, seu domínio do tema cinematográfico, tornando-se sua leitura quase um percurso pelo cinema cubano.

Do tema religioso antecipado por Mercy Ruiz pode-se dispor da Imagen de lo sagrado. La religiosidad en el cine cubano de la República (1906-1958), de Raydel Araoz.

«O livro abrange um tema muito importante — diz Ruiz — e oferece uma cronologia e um minucioso analise casuístico de filmes importantes, entre eles La Virgen de la Caridad, dirigida por Ramón Peón, em 1930».

Neste ano 2018 os lançamentos da Editora Icaic na Feira Internacional do Livro de Havana, começaram na Casa do Festival, com Memorias del subdesarrollo (Coleção Roteiro Cubano) de Arturo Arango e Juan Antonio García Borrero e, como foi preciso, com a projeção dessa fita restaurada, um clássico da cinematografia cubana, dirigida por Tomás Gutiérrez Alea.