ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Fotograma de ¿Por qué lloran mis amigas? Da esquerda para a direita: Luisa María Jiménez, Yazmín Gómez, Edith Massola e Amarilys Núñez.

HÁ já muito tempo vem se discutindo acerca da escassa presença da mulher atrás das câmeras, especialmente da ficção, no cinema cubano. A maior parte das cineastas da Ilha se dedica a produzir documentários, porém, nos últimos tempos elas foram ganhando espaço, com grande custo.

Agora, foi estreado no país todo o longa-metragem de ficção ¿Por qué lloran mis amigas?, da realizadora Magda González Grau, após ter sido estreado, em 28 de fevereiro, na sala Charles Chaplin.

González Grau adere assim à reduzida lista de diretoras cubanas que fizeram longas-metragens de ficção. Destaque entre elas para Sara Gómez, quem abriu o cami-nho, (De cierta manera, 1974); Teresa Ordoqui (Te llamarás inocencia, 1988); Rebeca Chávez (Ciudad en rojo, 2009); Marilyn Solaya (Vestido de novia, 2014); Jessica Rodríguez (Espejuelos oscuros, 2014) e Patricia Ramos (El techo, 2017).

Parece que 2018 vai ser um bom ano para as cineastas cubanas, pois já Mirta González Perera estreou, embora em parceria com Jorge Campanería, La hoja de la caleta, e o Prêmio Nacional de Cinema foi outorgado à editora e diretora Miriam Talavera, com seu trabalho mais recente, na edição da fita Los buenos demonios, de Gerardo Chijona.

POR QUÉ LLORAN MIS AMIGAS?

A fita ¿Por qué lloran mis amigas? é o primeiro longa-metragem de ficção de Magda González Grau e nele aborda as histórias de vida de quatro mulheres, que se reúnem depois de mais de vinte anos sem se terem visto. No reencontro vêm à baila conflitos, frustrações, dores, mas também a felicidade e as satisfações que lhes aconteceram nesses anos separadas. Mistura-se o passado e o presente.

Exibida na secção não competitiva A sala llena, no âmbito do 34º Festival Internacional do Novo Cinema Latino-americano, tem uma duração de 82 minutos e foi co-produzida pela RTV Comercial, o Instituto Cubano da Arte e Indústria Cinematográficas (Icaic) e a Televisão Cubana.

O filme tem um elenco composto pelas primeiras atrizes do cinema e a televisão cubana Luisa María Jiménez (Gloria), Yasmín Gómez (Yara), Edith Massola (Carmen) e Amarilys Núñez (Irene), acompanhadas nos papéis secundários por outros dois grandes atores coadjuvantes: Paula Alí e Patricio Wood, e os mais jovens Roque Moreno, Nestor Jiménez Jr. e Ariadna Álvarez.

No Centro Cultural Cinematográfico Fresa y Chocolate, González Grau, acompanhada de boa parte do elenco artístico e da equipe técnica, começou a entrevista coletiva assegurando que tentaram fazer histórias verossímeis e para isso contaram com o roteiro de Hannah Imbert.

«Queríamos uma fita que concorresse nos prêmios Coral, significava um desafio do que gostávamos, porque era preciso manter o equilíbrio entre as quatro para que nenhum conflito superasse o outro. O espectador pode sair dizendo que gostou daquele personagem mais do que os outros, mas todos devem ter a mesma importância».

Dos aspectos técnicos, a montagem também esteve nas mãos de uma mulher, Celia Suárez, quem explicou que «o objetivo era dar uma diversidade visual através de diferentes tipos de plano, sobrepondo-nos a uma filmagem totalmente em espaços interiores» e utilizando, ao mesmo tempo, esses interiores «para coincidir com os problemas íntimos dos personagens».

A diretora recorreu a uma única locação para o encontro das amigas, saindo desse palco unicamente para mostrar, paralelamente, a história atual com alguns flash back à época de estudantes.

Da fotografia foi responsável Roberto Otero, e ao explicar os múltiplos primeiros planos utilizados, a diretora da fita precisou que ponderaram que estes são característicos da televisão, enquanto o cinema leva mais planos gerais, mas para ela «há frases que unicamente podem ser ditas em primeiro plano, pelo menos quando se está procurando a emoção no espectador e isso é o que sempre tentei procurar em minha obra».

A direção artística é devida a outro cineasta, Tomás Piard, e a música original é dos conhecidos Juan Antonio Leyva e Magda Galván, dos quais González Grau disse: «Neste momento são os músicos que melhor entendem o valor de uma trilha sonora para o audiovisual em Cuba».

Em ¿Por qué lloran mis amigas? Magda González Grau se aproxima de problemáticas femininas vigentes na sociedade cubana actual. Sua tese é que a partir da diversidade de pensamento ou de orientação sexual, com amizade, amor e tolerância, pode-se chegar a uma comunhão de interesses.

Para expor sua teoria contou com um elenco de quatro atrizes inteligentes e preparadas, e umas histórias interessantes, intensas e atraentes.

¿Por qué lloran mis amigas? vai agora se submeter ao teste da sala escura, o confronto com os espectadores, aqui, em Cuba, muito fãs e muito entendidos do cinema.