ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

A 27ª Feira Internacional do Livro espalhou-se por todo o território cubano. Após concluídas as atividades em Havana, em fevereiro passado, percorreu a Ilha toda para terminar, em 13 de maio, na cidade de Santiago de Cuba.

Para acompanhar o desenvolvimento do mais populoso dos sucessos culturais do país, Juan Rodríguez Cabrera, presidente do Instituto Cubano do Livro (ICL), teve a gentileza de conversar com o semanário Granma Internacional, para conhecer acerca das opiniões e certezas.

«Este ano com a situação do furacão Irma era difícil pensar na Feira. O país fez um esforço extraordinário para garantir uma Feira que lançou, tanto em La Cabaña quanto nas províncias, mais de 600 novidades».

Pode-se falar então de uma Feira com livros?

«Conseguiu-se que todos os livros lançados em La Cabaña chegassem a todo o país, pois é um trabalho que depende do comitê organizador da Feira, da eficiência da província e das suas instituições. Percebemos que nos últimos meses houve uma resposta muito interessante nas províncias. Posso dizer que com as recentes novidades, mais os estimados anteriores e a grande rebaixa de preços, houve uma presença importante do livro em cada território.

«Apesar do furacão e um momento deste ano que tivemos que concluir a produção de livros em maio, não tivemos que lamentar que não faltassem livros para oferecer à população, mesmo quando se sabe que esta requer de mais novidades, mais variedade e qualidade. E já estamos em meio da batalha para que esteja mais fornecida a Feira de 2019. Já temos aprovado o plano de 2018, que é o qual corresponde. O país obteve o papel necessário para apoiar não só a produção do que nos falta, mas também da continuidade produtiva da próxima Feira».

O que poderia caracterizar o evento de 2019?

«Já se trabalha por que suas novidades mostrem uma Feira que estará dedicada ao 60ª aniversário da Revolução e ao 500º aniversário de Havana. Já estão produzidos 15 livros da coleção 500º Aniversário de Havana e terá um apoio especial de produção que completaria mais 35 livros dedicados a comemorar o festejo, que não é só dos que moramos e trabalhamos na capital».

Como se comporta a organização das Feiras provinciais, ganha-se nisto?

«As províncias escolhem seu momento procurando não coincidir com outros eventos e que haja uma organização, do ponto de vista da participação dos outros organismos, levando em conta que a Feira ultrapassa a instituição do livro e as da cultura».

«Em nível organizativo se consegue a qualidade da programação, na capacidade para realizar foro-debates acerca de assuntos que podem fortalecer a qualidade do livro, e neste ano se confere muita importância à recuperação daqueles níveis de leitura que sempre teve nosso povo. Sabemos que há muitas coisas que atentam, mas não fazemos a guerra ao livro digital, damos-lhe seu espaço. Por isso nesta Feira, no espaço Cuba digital, mais de 18 instituições do país utilizaram todos seus meios para que os jovens e crianças pudessem fazer downloads de produtos digitais, interagindo, para que estes contribuíssem para a formação da sua cultura. Isto chega também às províncias. Não para guardá-los nos centros, mas para propiciar o debate e a leitura e continuar combatendo tudo aquilo que desvirtua a verdadeira cultura. Apesar de todas as ameaças que hoje propiciam a vulgaridade e a pseudocultura, nós trabalhamos para que as pessoas não percam o principal caminho de se prepararem como melhores seres humanos e conservarem as essências da sua cultura, que ficam nessas obras».

O papel do Sistema de Edições Territoriais é inestimável…

«Cuba é uma riqueza editorial, pois Cuba pode dizer que tem editora em todas as províncias, algumas com mais uma, é uma verdadeira riqueza. O Sistema de Edições Territoriais (22 editoras), garante que 4.500 autores publicassem seus livros, que de outra forma não houvessem podido conseguir; e que se publicassem 4,5 milhões de livros, que é um grande mérito».

A Feira do Livro cubana é muito especial…

«Participei nestes dias de um foro virtual do Centro Regional de Promoção do Livro e a Literatura na Ibero-américa, integrado por 24 países. Nesse contexto transcendeu que as grandes feiras da região não chegam ao campo, aos pequenos povoados. E isso nos deu a possibilidade de dizer que, embora Cuba não tenha a fórmula perfeita, na nação o livro viaja por todo o país e que, além da Feira de Havana, todas as províncias têm o direito de fazer a sua».

«E quando terminam as províncias nos focamos no Festival do Livro na montanha, até onde chegam os títulos junto com os autores, aos lugares mais afastados. Depois, segue o Festival do Verão e posteriormente o Festival Universitário do Livro e a Leitura».

«Nós já trabalhando para que o próximo ano haja mais novidades, mais livros dos que as pessoas esperam. Luta-se por ter os livros no prazo previsto, levando em conta que se estabiliza a chegada de papel ao país. Temos muito claro no que é preciso trabalhar. Nem sempre os atrasos são pelos recursos, mas sim pelas insuficiências daqueles que devem trabalhar nesse aspecto e não o fazem como é devido, e nesse sentido estamos insatisfeitos».

Como podem-se realizar melhores Feiras nas províncias?

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COM o propósito de recusar qualquer tentativa de entorpecer ou manipular a gestão institucional e os projetos dos artistas de Cuba e de outros países que participarão da 13ª Bienal de Havana», a presidência da Uneac e a diretoria da Associação Hermanos Saíz emitiram, em 3 de maio, uma Declaração na qual se expressa a total recusa à desvirtuação do esperado sucesso das artes plásticas na Ilha, cuja realização se prevê que seja entre 12 de abril e 12 de maio de 2019.

«Não permitiremos que se apague o nome e o significado da Bienal de Havana, para a qual nos preparamos, convencidos de que será a autêntica festa popular da criação visual contemporânea», manifesta o documento.

O texto denuncia a autointitulada Bienal 00, que se disfarça por trás de uma fraseologia demagógica e cínica, e é organizada com fundos da contrarrevolução mercenária, cujo único propósito é descaracterizar o sistema institucional, confundir os artistas e criar um clima propício para promover os interesses dos inimigos da nação e da obra revolucionária que gera e fomenta a Bienal de Havana e muitos outros eventos de grande arraigo popular».

A este pretenso engendro se juntaram (…) muito poucas pessoas, a maioria sem obra alguma de relevância, que com uma tentativa daninha ou por confusão, procuram a notoriedade que se pode oferecer nas plataformas mercenárias e sua exposição aumentada nas redes sociais», ao mesmo tempo que pretendem utilizar «espaços sem nenhuma importância, além da tentativa falida de atacar a política cultural, não poucos deles com atividades acima da lei», explica a Declaração.

A esse respeito o texto assevera que nenhum comentário daninho nem tergiversação da política cultural cubana, como tampouco patranha alguma, elaborada por pessoas sem escrúpulos, «fará perder a fé dos artistas em um processo social que defende a arte e a cultura, como uma das mais nobres proezas».

As instituições assinantes assumem que a plataforma da 13ª Bienal acolherá com espírito inclusivo as criações de vanguarda mais indagadoras e experimentais, o qual é possível devido à estreita relação entre os criadores e as instituições, os quais com seu esforço conjunto colocam a Bienal entre os espaços favoritos do público cubano e internacional.