ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
O filme Inocencia, de Alejandro Gil, está contado em dois tempos e a música de Magda Rosa Galbán e Juan Antonio Leyva, em formato de orquestra de câmara da Sinfónica Nacional, diferenciará as atmosferas. Foto: www.ministeriocultura.gob.cu

TRÊS novos filmes cubanos se encontram em diferentes estágios de produção e seus diretores esperam que possam ser escolhidos para concorrer no 40º Festival Internacional do Novo Cinema Latino-americano, que se realiza em Havana cada dezembro.

Dois dos filmes abordam fatos históricos cubanos do século 19 e a terceira tem, dentro da própria dramaturgia, contínuos deslocamentos por diferentes épocas do século 20.

Inocencia é o título do primeiro filme. Dirigido por Alejandro Gil, está inspirado no desumano fuzilamento de oito estudantes de Medicina, em 1871, pelas autoridades coloniais espanholas.

Os estudantes, Alonso Álvarez de la Campa, José de Marcos y Medina, Carlos Augusto de la Torre, Eladio González y Toledo, Pascual Rodríguez y Pérez, Anacleto Bermúdez, Ángel Laborde e Carlos Verdugo, tinham apenas entre 17 e 21 anos.

Segundo se explicou, o filme narra duas histórias em paralelo, a acontecida em 1871, na qual se evidencia o fuzilamento e depois dará um salto temporário, 16 anos depois, quando Fermín Valdés Domínguez, que também foi acusado e esteve em prisão, luta por demonstrar a inocência daqueles jovens, ao encontrar uma nova pista que o coloca perto de descobrir a chave para desentranhar a verdade oculta.

Gil comentou que realizaram uma minuciosa pesquisa de textos, cartas e imprensa da época, entre outros documentos, pois, ainda que se trate de um filme de ficção que lhe permite algumas liberdades criativas, está baseada em fatos reais.

Inocencia, assumida na íntegra pelo Instituto Cubano da Arte e Indústria Cinematográficas (Icaic) tem, entre os aspectos técnicos, roteiro de Amilkar Salatti, fotografia do experiente Ángel Alderete e música de Juan Antonio Leyva e Magda Rosa Galbán, que acompanharam o diretor em seus longas-metragens anteriores: La pared (2006) e La emboscada(2015).

De alguma maneira, Alejandro Gil se aproxima novamente ao Apóstolo José Martí. Fez isso em 1989, no documentário Piensa en mí, cujo título surgiu de uma frase que se repete nas cartas de Martí a María Mantilla e depois em Desde la ausencia, onde volta do Ismaelillo, obra que o Herói Nacional escreveu para seu filho. Agora, procura-o a partir de seu amigo e companheiro de lucha, Fermín Valdés Domínguez.

Em El Mayor, do cineasta Rigoberto López, o personagem principal, Ignacio Agramonte, é interpretado pelo ator Daniel Romero Pildain, que assumiu o Marti adolescente no filme, José Martí, el ojo del canario de Fernando Pérez. Foto: www.cubadebate.cu

O MAJOR

O cineasta Rigoberto López (Yo soy del son a la salsa, documentário de 1996 e os longas de ficção Roble de Olor e Vuelos prohibidos), gravou, segundo sua própria consideração, um dos projetos mais ambiciosos dos últimos 30 anos, o longa-metragem El Mayor, uma obra de ficção que recria fatos reais de meados do século 19.

Neste filme, destaca a infância e juventude do major general Ignacio Agramonte Loynaz, o imenso amor por sua esposa Amalia Simoni, sua atuação como chefe da cavalaria e as épicas façanhas que protagonizou até sua morte, aos 32 anos, no combate de Jimaguayú.

Agramonte, também conhecido como El Bayardo, combateu em Camaguey (540 quilômetros ao leste de Havana) contra o exército colonialista espanhol em meados do século 19 e o realizador assegurou que embora o filme contenha alguns elementos de ficção, não trai a rigorosa pesquisa histórica em que se fundamenta.

O personagem de Agramonte é interpretado pelo ator Daniel Romero Pildain e é acompanhado pela atriz Claudia Tomás Fuentes no papel de Amalia. No elenco estão, também, os atores norte-americanos Michael Redford (The surface, 2015) no papel do brigadeiro Henry Reeve (o Inglesito), que combateu sob o comando de Agramonte, e Jonathan Burton (Yes Mum, 2012), como o general Thomas Jordan, que se desempenhou durante algum tempo na chamada Guerra dos Dez Anos (1868-1878) como chefe do Estado-Maior do Exército Libertador.

O diretor de produção Santiago Llapur adiantou que na extensa planície de Camaguey foram gravadas seis batalhas nas quais se utilizaram até 200 cavalos e 500 figurantes, e, na própria cidade, foram filmadas as cenas nos imóveis que tiveram a ver com a vida de Agramonte, hoje locais patrimoniais em perfeita conservação.

O dramaturgo Eugenio Hernández Espinosa, prêmio nacional de Teatro (María Antonia, Mi socio Manolo) acompanha a Rigoberto López no complexo roteiro. A direção de fotografia é de Ángel Alderete e a música de Silvio Rodríguez e José María Vitier.

O diretor Arturo Sotto afirmou que em seu novo filme Nido de Mantis, há inúmeras referências à obra de Gutiérrez Alea. Foto: www.programaibermedia.com

NIDO DE MANTIS

O novo filme de Arturo Sotto (Pon tu pensamiento en mí, 1995; Amor Vertical, 1997 e Boccaccerías Habaneras, 2013), foi producido pelo Instituto Cubano da Arte e Indústria Cinematográficas (Icaic), Ítaca Films (México) e Cottos Producciones S.R.L. (República Dominicana), em colaboração com o Programa Ibermedia. Trata-se de Nido de Mantis, que, segundo o realizador, move-se nos limites do drama e da tragédia e tem contínuos deslocamentos por épocas do século 20 em Cuba.

De acordo com a sinopse, o filme conta a história de um triângulo amoroso entre dois homens e uma mulher em um pequeno povo açucareiro. Uma manhã de agosto de 1994 aparecem mortos. Aparentemente, a suposta homicida desse singular homicídio é o fruto do triângulo, uma jovem de 20 anos, a única pessoa que estava na casa quando ocorreram os fatos. A jovem se declara inocente e para demonstrá-lo conta, perante o promotor e a advogada que investigam o caso, a odisseia emocional de seus pais, uma história de amor que durou mais de 40 anos.

Yara Massiel, Armando Miguel Gómez e Caleb Casas são os protagonistas do filme que tem música de Beatriz Corona, direção de fotografia de Ernesto Calzado, edição de Osvaldo Donatién e do próprio Sotto, e design de vestuário de Vladimir Cuenca.

Três novos filmes cubanos que esperam ser escolhidos para concorrer no Festival Internacional do Novo Cinema Latino-americano, a ser realizado de 6 a 16 de dezembro próximo. Esta 40º edição presta homenagem ao cineasta cubano Tomás Gutiérrez Alea (Titón), de cujo filme Memórias do subdesenvolvimento se comemora o 50º aniversário.