ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Cena do primeiro ato, onde Viengsay Valdes, de tirar o fôlego em Giselle, assume a camponesa jovem e inocente, apaixonada por Albrecht. Foto: Cortesía BNC

VIENSAY Valdés, primeira bailarina do Ballet Nacional de Cuba, é uma das estrelas atuais do mundo da dança e é continuamente convidada a funções de galas e festivais, o mais próximo deles o 15º Festival Mundial de Ballet de Tóquio, em agosto deste ano.

Não se trata de mais um festival. Este evento, inaugurado em 1976, por Tadatsugu Sasaki (diretor da fundacão Japan Performing Arts e do Festival de Ballet de Tóquio, falecido em 2016), reúne, em cada três anos, a grandes bailarinas de diferentes companhias e países.

A primeira edição causou uma sensação internacional: reuniu três lendas, Margot Fonteyn, Maya Plisetskaya e Alicia Alonso, que aos 97 anos ainda lidera a companhia cubana.

Viengsay, selecionada como uma das três melhores bailarinas do mundo pela prestigiada revista Dance Europa, já foi convidada três vezes, primeiramente em 2006, quando compartilhou com Sylvie Guillem, Alina Cojacaru, Alessandra Ferri e Tamara Rojo.

Neste ano, o Festival de Tóquio anunciou a presença de estrelas como Maria Alexandrova, e retornam Rojo, Cojocaru, Ferri e se adiciona Melissa Hamilton e Myriam Ould-Braham, e entre os homens Marijn Rademaker, Roberto Bolle e Federico Bonelli.

A bailarina cubana levou duas peças, uma para o programa de concertos e outra para a Gala Sasaki. A primeira foi Muñecos e teve como par o dançarino de origem brasileira Daniel Camargo, do Dutch National Ballet.

É uma seleção especial, porque com Muñecos, o coreógrafo Alberto Mendez ganhou o Primeiro Prêmio de Coreografia, no 2º Concurso Internacional de Balê de Tóquio, em 1978. Há muitas coisas a levar em conta: são 40 anos depois da estreia e dos triunfos.

Muñecos, uma peça de balé contemporâneo, conta o romance que surge entre uma boneca de pano e o soldadinho de chumbo. O singular é como Méndez, Prêmio Nacional de Dança 2004, consegue a perfeita fusão entre o cubano e o universal.

A maitre Loipa Araújo, uma das famosas quatro joias do balê cubano, disse à revista Balletinm Dance, em 2004: «...Viengsay vai durar os anos suficientes para criar um ponto de referência como todos nós tivemos (refere-se a Josefina Méndez, Mirta Pla e Aurora Bosh)». Foto: Nancy Reyes

Para a Gala Sasaki, Viengsay assumiu, a pedido dos organizadores, o solo ParAlicia, coreografia de cubana Tania Vergara e música especialmente composta pelo maestro Frank Fernández, que ela própria estreou, em 2010, para coemorar o 90º aniversário natalício da prima ballerina assoluta e lenda da dança universal, Alicia Alonso.

Em 2015, o cineasta Alejandro Pérez filmou um vídeoarte dessa homenagem a Alicia, que surgiu — e reproduzo as palavras da jornalista Marta Sanchez, da Prensa Latina — «a partir de uma preocupação deste músico para presentear alguma coisa a esta diva do balê universal... E a realidade excedeu o sonho porque Alonso particularmente adornou a peça... com gestos dos braços, da cabeça e até pequenos movimentos dos pés» e essas primeiras imagens estão incluídas no documentário.

Graças ao critério da bailarina — continua dizendo a informação de Sanchez, em 2015 — «as várias nuances da música apoiam a interpretação e o virtuosismo, enquanto a coreografia de Vergara habilmente combina a técnica clássica com movimentos contemporâneos e aproveita os estados de ânimo sugeridos pela composição musical».

CINDERELA, ANTES DE PARTIR

Em Havana, tal como no resto do mundo, os fãs do balé têm ídolos que acompanham até a morte. Este é o caso do Viengsay. Na última temporada do Ballet Nacional de Cuba (BNC) — na sala Lorca, do Grande Teatro de Havana Alicia Alonso — antes de uma curta pausa de verão, ela subiu no palco interpretando o papel principal em Cinderela, e foi espetacular.

A versão cubana de Cinderela tem dois atos e quatro cenas e é devido a Pedro Consuegra, coreógrafo cubano que mora na França, que usou a música de Johann Strauss (filho), a única peça que fez especificamente para a dança.

Inspirado no conto homônimo de Charles Perrault (1628-1703) tem desenhos de Armin Heinemann e tanto a coreografia como o design sublinham o caráter infantil do conto de fadas. É um grato divertimento.

O professor Alberto Mendez ensaiando com a prima ballerina Viengsay Valdes sua premiada coreografia Muñecos, antes da partida da estrela cubana para o Festival de Tóquio. Foto: Marta Sánchez

Nesta ocasião, ela foi acompanhada pelo primeiro dançarino Dani Hernández, um excelente parceiro, um príncipe. Ambos receberam várias ovações, particularmente no pás de deux final, que todos concordam é muito exigente, do ponto de vista técnico.

PARA O FESTIVAL DE BALÊ DE HAVANA

Viengsay foi tecendo uma lenda graças ao seu talento e virtuosismo e uma disciplina rigorosa. Não é por acaso que sua biografia seja intitulada De aço e Nuvens.

Ela é sem dúvida uma dançarina especial, que dá tudo em cada show. Sua habilidade técnica é verdade, suas voltas brilhantes e ininterruptos, seus longos equilíbrios nas pontas, seu belo port de brás e, ainda mais, a atuação sempre na pele do personagem.

Agora se aproxima rapidamente o Festival Internacional de Balé de Havana, Alicia Alonso (de 28 de outubro a 6 de novembro), dedicado a celebrar o 70º aniversário do BNC.

Além disso, o Departamento de Imprensa já anunciou que uma das peculiaridades da programação será a grande temporada planejada para celebrar o 75º aniversário da estreia nos palcos de Alonso em Giselle, um papel considerado o mais rico e mais exigente de todo o repertório clássico e que muitos reverenciaram como a melhor Giselle contemporânea.

Imagine essas funções. Certamente todos as primeiras bailarinas da companhia fizeram e fazem suas Giselle e foram muito aplaudidas. É uma peça emblemática da companhia. Agora é a era de Viengsay Valdés. Ela é a camponesa enamorada e a etérea willi e é reconhecida assim pela crítica internacional. Os qualificativoss? Magnífica, impressionante, comovente. O magnetismo de uma estrela.