ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Neste Festival, dedicado a Tomás Gutiérrez Alea, exibe-se Fresa y chocolate, co-dirigida por ele e Juan Carlos Tabío, que foi indicada, na categoria de Melhor Fita Estrangeira, para os prêmios Oscar de 1994. Foto: Courtesy of Ediciones ICAIC

TREZE filmes de cineastas cubanos aspiram aos prêmios Coral, concedidos pelo Festival de Novo Cinema Latino-americano, nas categorias de longas-metragens e curtas de ficção, documentário, animação e estreia; ao qual são adicionados uma pós-produção, cinco roteiros inéditos e 13 pôsteres.

Devemos também considerar que uma série de títulos de cineastas cubanos foram incluídos em todas as seções fora do concurso o que é, de fato, um reconhecimento de sua qualidade.

De dois dos filmes selecionados para competir na ficção, Inocência, Alejandro Gil, e Nido de mantis, de Arturo Sotto, falamos em edições anteriores, só faltando referir-nos a Insumisas, do premiado diretor Fernando Perez, cujo roteiro e direção compartilha com a diretora suíça Laura Cazador.

O filme reflete eventos reais, a vida de uma mulher sueca que chegou no início do século XIX à cidade cubana de Baracoa, vestida como um homem, e sob o nome de Henry Faber praticou com sucesso a medicina e até chegou a se casar com uma garota local.

De acordo com declarações anteriores de Perez, a transgressão de gênero faz parte da história, mas tentaram retratá-la como uma mulher avançada para seu tempo, que transcendeu limitações de todos os tipos: social, moral.

Também na ficção, mas em filmes de média metragem e curtas-metragens, Cuba concorre com Cerdo, de Yunior García; Frágil, de Sheyla Pool; Los amantes, de Alán González, e I love Lotus, de Patricia Ramos, de quem é exibido, também, o documentário Alicia, fora da competição, na secção A Hora da Curta.

Na categoria Documentário, vários realizadores cubanos concorrem pelo prêmio Coral, com Los viejos heraldos, de Luis Alejandro Yero, e Sergio Corrieri, más allá de "Memórias..., de Luisa Marisy.

Como seu nome indica, Más allá de Memórias... é dedicado ao ator cubano Sergio Corrieri (1938-2008). Escrito e dirigido por sua filha, foi produzido pelo Instituto Cubano da Arte e Indústria Cinematográficas (Icaic) e pelo Centro Cultural Pablo de la Torriente Brau. É uma aproximação à vida e obra do ator de filmes de culto, como Memórias del Subdesarrollo e ainda de Soy Cuba, Mella, Baraguá e El Hombre de Maisinicú.

Para o concurso de Histórias em quadrinhos foram escolhidas duas peças cubanas: Encuentro muy cercano, de Pol Chaviano, e Mamiya CR7, de Danny de Leon e Eisman Sánchez, e o mesmo número na categoria Obras primas: El viaje extraordinário de Celeste Garcia, de Arturo Infante e Um tradutor, de Rodrigo Barriuso, Sebastián Barriuso (Cuba, Canadá), enquanto no item de pós-produção concorre En caliente, de Fabien Pisani.

É esperançoso de que cineastas cubanos tenham apresentado cinco títulos para se qualificar para o prêmio de roteiros inéditos: AM- PM / Amilcar Salatti Gonzalez (que acaba de receber o XV Prêmio SGAE de Roteiro Julio Alejandro, entregue no 56º Festival Internacional de Cinema de Gijón, Astúrias); El bálsamo de Casanova, de Serguei Svoboda Verdaguer; La nueva ruta, de Joanna Vidal; La pelota roja, de Carlos Lechuga, Fabián Suárez e El soldado perfecto, de Pavel Giroud Airea (Cuba, Colômbia).

A lista de pôsteres cubanos em competição é extensa. São treze, dois deles com a Alemanha, dos quais destacamos o de Insumisas, Nido de mantis e Sergio Corrieri, más allá de Memorias...».

Fora da competição, em diferentes seções, os cubanos se classificaram com 18 títulos. Eis alguns exemplos: Na ficção El regreso / Blanca Rosa Blanco, Alberto Luberta; documentários como Mujeres... de la basura al bienestar, de Lizette Vila e Ingrid León Vila; Chucho Valdés... El niño que lleva dentro, de Ángel Alderete e Los Muñequitos de Matanzas, la leyenda en ruta, de Julia Mirabal.

Os documentários El Comandante Guevara entró a la muerte e Ñancahuazú, ambos de Jorge Fuentes, terão uma apresentação especial. O primeiro deles contém o testemunho de pessoas que viram ou falaram com Che Guevara nos momentos derradeiros de sua vida, camponeses de Quebrada del Yuro, La Higuera e Vallegrande e soldados do exército boliviano, e o segundo documentário trata dos começos da guerrilha.

Lembramos que o Festival é dedicado a Tomás Gutiérrez Alea com a exibição de alguns de seus filmes, como Memorias del Subdesarrollo; Uma pelea cubana contra los demonios e Fresa y chocolate, e uma das Galas propõe o filme Yuli, co-produzido por Espanha, Cuba, Grã-Bretanha e Alemanha, dirigido por Iciar Bollaín, em que se conta acerca da vida do bailarino cubano Carlos Acosta.

Uma vez que o Festival está levando em conta as novas tecnologias e a aproximação aos jovens, cineastas e audiências, não é surpreendente que proponha a apresentação, pelos Estúdios de Animação do Icaic, de um videogame: Cine en Cuba, para celebrar o 40º aniversário do festival de cinema.

Ivan Giroud, presidente do Festival, disse em um primeiro encontro com a imprensa, que, no total, 2.032 filmes foram inscritos; deles 1.438 foram avaliados pela comissão de seleção e finalmente serão exibidos 373 deles no programa.

É sabido que o Festival continua a ser um local de interesse para todos os cineastas latino-americanos e outros países que querem que seus filmes sejam apresentados em Havana.

Transmite otimismo o fato de que nesta 40ª edição, os cineastas cubanos, apesar das conhecidas dificuldades de financiamento, conseguiram inserir-se em todas as categorias oficiais pelos prêmios Coral e em todas as seções não competitivas.