ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
O Festival é dedicado ao cineasta Tomás Gutiérrez Alea, que em 1960 fez o primeiro longa-metragem de ficção do Icaic, Historias da Revolução. O pôster é assinado por Eduardo Muñoz Bach.

Qualquer fã de cinema sabe que os pôsteres cubanos feitos para filmes são uma lenda. É magnífico poder afirmar, sem ser considerado um excesso, que os criadores da Ilha fizeram escola neste gênero.

Para afastar o preto sentimento chauvinista, cito do livro Cidadão pôster, de Sara e Alicia Vega García, o que expressou o ator italiano Gian María Volonté: «Os pôsteres cubanos de cinema são únicos porque dão ao cinema uma dimensão própria»; o diretor norte-americano Francis Ford Coppola: «Sou um apaixonado admirador e colecionador dos pôsteres cubanos» e a escritora Susan Sontag, «Um pôster de Tony Reboiro ou Eduardo Muñoz Bachs, além de cumprir sua missão de publicidade, é uma autêntica obra de arte».

A qualidade é quase sempre longe dos números, no entanto, a coleção da Cinemateca de Cuba, com cerca de 3 mil pôsteres, tanto refuta essa ideia, que é merecidamente registrada nos Registros Nacional e Regional do Programa Memória do Mundo da Unesco.

Importantes designers e pintores contribuíram para estes pôsteres impressos com a técnica de serigrafia (Silk Screen), seu sinal distintivo. Legaram grandes obras Muñoz Bachs, Reboiro, Rostgaard, Morante, Oliva, Niko, Azcuy, Julio Eloy e René Portocarrero (Soy Cuba), Servando Cabrera Moreno (Páginas del diário de José Martí, Retrato de Teresa) e Raul Martinez (Lucía), por citar alguns.

O livro Cidadão pôster acrescenta nomes na seção «Colaboradores e desconhecidos» e recorda pôsteres assinados por artistas como Zaida del Río, Alicia Leal, Flora Fong e Nelson Domínguez cubanos; o espanhol Antonio Saura e o chileno Roberto Matta, que «são hoje uma raridade».

O pôster foi destinado a promover filmes nacionais e estrangeiros, semanas de cinema cubano em outras latitudes, ciclos, exposições, retrospectivas, aniversários, homenagens aos diretores, atrizes, atores e festivais em que a mensagem gráfica veio através de várias vias, com um selo visual de grande beleza e eficiência comunicativa e não esquematicamente como pura interpretação da essência dos filmes.

Por isso, neste 40º Festival do Novo Cinema Latino-americano, o pôster cubano tem uma proeminência com várias exposições, entre elas, Quarenta anos em Pôsteres (no lobby de cinema 23 e 12); Outra vez ... outros clássicos (Galeria 23 e 12) e Titón. 90º aniversário (Galeria Saúl Yelín, Casa do Festival).

Este pôster, sóbrio em forma e cor, diferente do atual, com cores brilhantes e um bom toque de humor quando chega a quatro décadas, está incluído na exposição Quarenta anos em pôsteres.

A esse grupo somam-se os 24 pôsteres que concorrem ao Coral, da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Espanha e México.

Nelson Herrera Ysla, crítico de arte, afirma no prólogo do livro citado: «o pôster cinematográfico tornou-se a face mais visível da arte cubana nas primeiras décadas da segunda metade do século passado (...). Depois baixou (...) e até mesmo temeram por sua existência. Mas não. Como boa Ave Fênix, ressurgiu das mãos de jovens criadores entusiastas no alvorecer do século 21 para suceder novamente em direção ao céu azul da Ilha, seus cinemas e cidades ...».

As exposições organizadas para estes dias do Festival, ajudam a entender que a lenda do pôster cubano é uma realidade.