ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Icíar Bollaín, à esquerda, e o dançarino Carlos Acosta. Foto: Ariel Cecilio Alvarez de la Campa

A diretora espanhola Iciar Bollaín apresentou no Festival do Novo Cinema Latino-americano seu último filme, Yuli, e fez isso nada menos do que no teatro Karl Marx, em Havana, com capacidade para 5 mil pessoas.

O filme, inspirado na vida do dançarino estrela cubano Carlos Acosta, foi intitulado Yuli, porque assim era chamado pelo seu pai e quando criança.

O filme apresenta um roteiro de Paul Laverty (recentemente premiado em San Sebastián), fotografia de Alex Catalán, música de Alberto Iglesias e as performances estelares de Carlos Acosta, Laura de la Uz, Santiago Alfonso, Kevin Martinez e a criança Edilson Manuel Olbera, juntamente com a participação da Companhia Acosta Danza.

Após a agitação de uma entrevista coletiva na sala Taganana do Hotel Nacional, Bollaín e Laverty concordaram em uma breve troca para nossa publicação.

A senhora partiu do livro Sem olhar para trás, a autobiografia fictícia de Carlos Acosta para o roteiro, digo a Laverty, o que o atraiu?

«O livro é toda a sua vida e é muito complexo. O que me atraiu desde o início é esse jovem negro, de um bairro marginal, que fez essa enorme viagem, ser o dançarino mais famoso de sua geração. O que adorei foi sua vida pessoal, mas em torno de Carlos é a história de Cuba, temos a Revolução, um menino talentoso que tinha a possibilidade de uma educação fabulosa, porque um negro de classe operária no meu país, a Grã-Bretanha, não teria chegado a esse ponto. Eu fiquei fascinada pelos diferentes níveis, e também Carlos, um homem generoso que confiou em nós, um homem com a alma aberta».

- Eu pergunto a Bollaín: A senhora era atriz e agora é uma diretora consagrada, como foi esse trânsito?

« De atriz (El Sur, Malaventura e Tierra y Libertad) a dirigir foi um pouco natural, porque sempre gostei de contar coisas, desde que era pequena escrevia, e por pouca curiosidade que tenha ao estar na frente da câmera percebo que por trás é onde a história é realmente contada. O ator é um veículo que conta uma história que alguém está contando e eu disse para mim mesma: e se eu a contasse? Depois de fazer a pergunta, você acaba dirigindo».

Yuli foi como a imaginou?

«A gente passa tanto tempo pensando-a, depois gravando-a, que penso que é melhor do que imaginei, ou seja, não é melhor, é que acho que comunica mais coisas das que eu sonhei, a gente sonha contar uma série de coisas e vejo que conta essas e muito mais.

Como sentiu a recepção do público no Karl Marx?

«Maravilhosa. Foi a coisa mais linda que aconteceu até agora com o filme. É o seu público natural, fala sobre Cuba, sobre um cubano, sobre famílias, sobre o que aconteceu aqui nos últimos anos, fala sobre talento. É muito importante para nós que os cubanos a sintam como deles, porque se não, cometemos um erro. Foi decididamente muito emocionante».