ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Reconto e avanço da 60ª edição do Prêmio Casa durante a entrevista coletiva oferecida na Sala Manuel Galich pelo seu presidente, Roberto Fernandez Retamar (no centro).

DO prédio estilo art deco, onde tem sua sede, em El Vedado havanês, ao seu Prêmio Literário e outros que convoca, a Casa das Américas é simplesmente extraordinária.

Ali está desde sua fundação, em julho de 1959, por uma das primeiras leis do Governo Revolucionário e ali centenas de intelectuais latino-americanos e caribenhos se reuniram em torno de um Prêmio que hoje celebra sua 60ª edição.

Haydée Santamaría (1923-1980), heroína da luta revolucionária, que presidiu a Casa a partir dessa data de início e até a sua morte, assinou três meses após a criação desta instituição a ideia de convocar um concurso literário, cujas bases foram elaboradas pelo grande intelectual cubano Alejo Carpentier. O primeiro júri se reuniu em 1960.

Com algumas mudanças de nome, originalmente Concurso Literário Hispano-americano (1960), Concurso Literário Latino-americano (1964) até seu atual Prêmio Casa (1965), tornou-se em seis décadas ininterruptas, um dos mais prestigiados e de solidez do continente.

Aspectos como a qualidade dos livros vencedores em uma grande amostra de gêneros (15 atualmente), competindo obras (cerca de 30 mil títulos), autores publicados, e os júris participantes (ultrapassam o número de 1.300) endossam essa avaliação.

No volume Prêmio Casa de las Américas. Memoria, compilación e valoración de la história del concurso, de 1999, Jorge Fornet e Ines Casanas destacam como «sua primeira chamada incluiu os gêneros canônicos: poesia, romances, teatro, ensaios e contos, mas outros foram se juntando... Daí que surgissem como gêneros ou categorias o testemunho, a literatura do Caribe em francês, inglês ou crioulo, a literatura brasileira de ficção e não-ficção, a literatura para crianças e jovens, e os tópicos que abordavam estudos sobre gênero, culturas indígenas, latinos nos Unidos ou afro-americanismo».

O mesmo Fornet, diretor do Centro de Pesquisas Literárias, anunciou em entrevista coletiva liderada pelo poeta Roberto Fernández Retamar, presidente da Casa, que neste 2019, ano em que a instituição e o Prêmio comemoram o seu 60º aniversário, o concurso literário terá sessões de 21 a 31 de janeiro.

O número de livros enviados, quase 600, atestam o interesse que o Prêmio ainda desperta em jovens autores e a confiança na forte ética de um concurso, cuja única indicação foi a de dar recompensa a qualidade literária.

A convocatória em 2019 foi para os gêneros de romances (recebidas 167 obras); poesia (224), Ensaio Histórico Social (28), Literatura Brasileira (45), Literatura para crianças e jovens (101) e Prêmio de Estudo sobre Latinos nos Estados Unidos (19).

Além disso, reiteram-se os prêmios honoríficos que, em 2000, a Casa convocou pela primeira vez de poesia José Lezama Lima; de narrativa José María Arguedas e de ensaio Ezequiel Martínez Estrada.

Esses nomes, que receberam os prêmios honoríficos, não são apenas emblemáticos dentro da literatura do continente americano — como indicado por um amplo dossiê realizado pelo Centro de Pesquisas e pelo Departamento de Comunicação da Casa — mas também ligados à instituição e ao Prêmio desde seus primeiros anos.

O cubano Lezama Lima foi júri três vezes, o peruano Arguedas em outra e o argentino Martinez Estrada não só agiu como tal, mas foi o primeiro a ganhar o Prêmio de Ensaio 1960 com Análisis funcional de la cultura.

A composição do júri desta vez é a seguinte: no romance será concedido por Adrián Curiel Rivera (México), Victor Goldgel (Argentina), Lina Meruane (Chile), Anne Marie Metaillié (França) e Eduardo del Llano (Cuba); em poesia por Aurea María Sotomayor (Porto Rico), Raúl Vallejo (Equador) e Soleida Rios (Cuba) e o ensaio histórico-social por Nestor França (Venezuela), Elissa L. Lister (República Dominicana) e Raúl Garces (Cuba).

A seleção na literatura brasileira ficará a cargo de Isis Barra Costa, Luisa Geisler e José Luiz Passos; o prêmio de estudos sobre Latinos nos Estados Unidos por Frances Aparicio (Porto Rico), José Manuel Valenzuela (México) e Rubén Rumbaut (Cuba-EUA.), enquanto a literatura para crianças e jovens por Elena Dreser (Argentina), Mario Picayo (Cuba-EUA) e Olga Marta Pérez (Cuba).

Dado que esta é a 60ª edição, as palavras inaugurais couberam a Fernández Retamar, e com elas o júri foi constituído.

O Prêmio Casa 2019 é continuidade e transformação, para comemorar esta 60ª edição.