ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
A música popular cubana perde um de seus expoentes mais carismáticos Photo: José Manuel Correa

A música popular cubana é mais uma vez silenciada pela perda de um de seus expoentes mais carismáticos: Pablo Fernández Gallo. Desde o momento do trágico acontecimento, as reações de outros artistas, diretores do Instituto Cubano de Música (ICM) e seus seguidores foram imediatas, embora sempre esperássemos que tudo não passasse de um mal-entendido. Infelizmente, não, Paulo FG havia falecido.
 Voltar ao seu trabalho criativo nos obriga a voltar aos tempos em que a experimentação – essa linha constante em nossa música – estava em toda parte, e uma banda chamada Opus 13, nos anos 80, era uma referência obrigatória para provar tanto o dançante quanto o irremediavelmente transgressor de seus arranjos originais. Não foi à toa que Joaquín Betancourt e Juan Manuel Ceruto foram os arquitetos musicais dessa magnífica escola para uma importante geração de artistas.
 Dan Den – sob a regência do pianista e compositor Juan Carlos Alfonso – também ajudou a consolidar o estilo único e irreverente que estava se desenvolvendo naquele cantor esguio e carismático; até que, em 1992, o Opus 13 desse lugar ao nascimento de seu projeto pessoal, que continua até hoje: La Élite.
 Com toda a explosão sonora daquela década, somada a uma prolífica história de estilos e nomes que a antecederam, como a Orquesta Cubana de Música Moderna, Los Van Van, Irakere ou NG La Banda, para citar apenas alguns pontos de referência, estavam reunidas as condições para que o jovem Paulo iniciasse sua carreira solo.
 Sua discografia sempre foi um reflexo de seu carisma musical, fato que, aliado ao seu estilo interpretativo e cênico, expresso em sua maneira peculiar de dançar e se movimentar pelo palco, o fez percorrer em pouco tempo o caminho nem sempre fácil para uma vertiginosa popularidade em nível nacional, poucos meses após a estreia de sua banda.
 Suas duas primeiras gravações com a nova orquestra, intituladas Tú no me calculas (1993) e Sofocándote (1995), foram muito significativas para a nova cena da timba cubana, e também serviram para que seu público o apelidasse de «el sofocador de la salsa»; até 1997, quando chegou o álbum Con la conciencia tranquila, onde algumas das músicas que continha foram sucessos, embora De La Habana tenha sido a mais ouvida, cujo refrão lhe rendeu outro apelido: dessa vez seria «el especulador de La Habana» (o especulador de Havana).
 Mas um álbum que nos mostra um artista preocupado com seu ambiente sonoro e explorando novas zonas interpretativas foi, sem dúvida, Ilusión (2005), composto inteiramente de canções e boleros; sua capa era uma obra pictórica do ator e artista visual Jorge Perugorría. Esse acabou sendo o único registro fonográfico, em toda a sua carreira, de uma das maiores paixões do cantor.
 Sua obra e sua genialidade foram interrompidas e, com certeza, sentiremos falta de sua espontaneidade, seu carisma, sua sensibilidade e seu profundo respeito pelo público, que ele nunca decepcionou ou magoou de forma alguma, entregando-se no palco com a mesma força do primeiro dia. Obrigado por tudo, Paulito!