ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

 CUBA é potência mundial indiscutível na luta. A 15ª colocação no quadro histórico de medalhas olímpicas nesta disciplina (seis de ouro, cinco de prata e sete de bronze) tendo participado em sete ocasiões, a partir das olimpíadas de Montreal, em 1976, atestam sua preeminência. A já desaparecida União Soviética (80-31-23), os Estados Unidos (50-43-32), Suécia (28-27-29), Japão (28-17-17) e a Turquia (28-16-14) ocupam as primeiras cinco posições. Por conseguinte, as ambições de classificação de nossos lutadores, com vista aos jogos no Rio de Janeiro são, logicamente, elevadas.

O primeiro contexto possível para materializar tal objetivo o constituiu o campeonato mundial de Las Vegas, em 2015, no qual emergiram vitoriosos os lutadores do estilo grecorromano Ismael Borrero (59 quilos) e Mijaín López (130), que obtiveram medalhas de ouro e prata, respectivamente. A segunda chance de classificação para nossos lutadores está marcada na cidade estadunidense de Frisco, Texas, sede do campeonato pan-americano dessa disciplina (26 a 28 de fevereiro) e o torneio classificatório das Américas (4 a 6 de março). Nesta última lide, os finalistas asseguram sua passagem para a lide olímpica, no Brasil. Claro, primeiramente, para garantir sua presença, deverão concorrer obrigatoriamente nesse encontro continental.  

Acontece que o campeonato nacional de luta, que teve lugar, recentemente, na província central cubana de Sancti Spiritus, marcou o ponto de partida para a competição em Frisco, pois em muitas divisões houve uma verdadeira pugna para atingir o título nacional, o que ajudou a esclarecer algumas incógnitas.

ARITMÉTICA CLÁSSICA

O treinador principal da especialidade grecorromana, Raúl Trujillo, explicou que a qualidade deve ser a palavra de ordem, ainda mais porque Cuba participou com uma equipe completa (sete divisões) na olimpíada da cidade de Londres, e unicamente López obteve uma medalha, sua segunda coroa a fio.

“Agora é o turno de intensificar o trabalho neste período restante, para que nossos representantes em cada uma das quatro divisões não só consigam a classificação, mas que a consigam de forma convincente” indicou Trujillo. Não será uma lide fácil, já que nos 66 quilos o venezuelano Wuileixis Rivas já venceu, por 2-1, nos Jogos Pan-americanos de Toronto o cubano Miguel Martínez, de Santiago de cuba, quem se prepara como nossa figura principal para esse peso.

Nos 75 quilos, o mexicano Juan Escobar tem um aval similar ou superior a quaisquer de nossos possíveis representantes; e nos 85 o estadunidense Jon Anderson venceu Alan Vera, por superioridade técnica (8-0), no torneio do Canadá. Por essa razão, Trujillo considera a divisão dos 98 quilos como a divisão de maior segurança, no objetivo de obter a classificação para os Jogos Olímpicos da chamada cidade Maravilhosa.

Yasmany Lugo perfila-se como o homem chave ali. Campeão em Toronto, Yasmany, de 25 anos e natural de Pinar del Rio, também teve a experiência do campeonato mundial de Las Vegas, onde terminou com balanço de uma vitória e uma derrota. Entretanto, Miguel Martínez, o outro lutador na mira, também esteve no certame do mundo, mas foi derrotado em seu primeiro combate.

Nos outros dois pesos escolheria Yurisandi Hernández (75 quilos) e o próprio Alan Vera ou Gilberto Piquet (85 quilos) para completar o quarteto de aspirantes, que terão como elemento decisivo a procura de parâmetros ótimos de resistência e de força.

MULHERES PROCURANDO PODER?

O panorama entre as mulheres não é diferente. A região das Américas tem elevado seu nível consideravelmente na luta livre feminina e só seis concorrentes de nosso continente asseguraram sua classificação em Las Vegas para a festa olímpica do Rio de Janeiro.

Pela contundência com a que venceram suas rivais domésticas e a progressão que mostraram no último ano me atreveria depositar minha fé em Yusnelis Guzmán (48 quilos), Liena de la Caridad Montero (53), Jacqueline Estornell (58), Catherine Videaux (63), Yudarys Sanchez (69) e Lisset Echevarria (75).

Guzmán perdeu por 2-12, na luta pela medalha de bronze, para a estadunidense Alyssa Lampe, no encontro hemisférico de Toronto. Além disso, terá outros obstáculos pela frente na colombiana Carolina Castillo e na peruana Thalia Malqui, elas todas com experiência em campeonatos mundiais.

Um panorama complicado similar terá pela frente Yudarys Sánchez, campeã pan-americana de seniores, no ano passado. Para lidar por um dos dois lugares para a Cidade Maravilhosa deverá lançar mão de todo seu arsenal, pois tentarão interpor-se no seu caminho a experiente estadunidense Elena Pirozhkov, a porto-riquenha Dayanara Rivera, a colombiana Leidy Izquierdo e a canadense Dorothy Yeats. Semelhante quebra-cabeça enfrentará Catherine Videaux, de Holguín, que já teve experiência na competição olímpica em Londres 2012: “Com vista ao torneio de classificação tenho que aperfeiçoar todos os elementos que compõem meu sistema de luta. É bem conhecido que minha categoria é das mais fortes em nível mundial e tenciono chegar ao Rio sendo a mais integral. Quatro anos me têm feito madurar em todos os sentidos, incluindo que neste ciclo as chances de competir têm sido maiores e isso contribui”, referiu Catherine, campeã dos jogos caribenhos de Guadalajara 2011 e medalha de prata em Toronto 2015. A anfitriã Erin Clodgo e a colombiana Sandra Rojas serão as rivais de maior consideração no certame de classificação, embora Catherine já as tenha vencido.

Elio Garraway, treinador principal das lutadoras femininas, ponderou o panorama, no qual Hechevarria se perfila como a das maiores opções, pois em seu peso a estadunidense Adelina Gray, a brasileira Aline Ferreira e a colombiana Andréa Olaya já conseguiram sua inclusão na olimpíada: “Seria favorável paras nós o fato de enfrentar o torneio pan-americano e o pré-olímpico com só uma semana de diferença. A fidelidade tática constitui o iniciador mais vulnerável. Do ponto de vista técnico ela alargou seu repertório e os parâmetros de resistência e de força, tão necessários para encarar duas lides em curto prazo, possuem níveis elevados”.

A LUTA LIVRE DESEJA O OLIMPO

Meus favoritos, na modalidade livre, para garantir sua presença no Rio de Janeiro são Yowlys Bonne (57 quilos), Alejandro Valdés (65), Liván López, Reinieri Salas (86 kg), Javier Cortina (97) e Yudennis Alpajón (125). Tal como as mulheres, terão um caminho muito exigente, pois muitos lutadores estadunidenses ainda não foram inscritos.

Julio Mendieta, treinador na modalidade de luta livre não fica à margem da realidade e acerca dos seus discípulos manifestou:

“Estamos trabalhando muito forte na procura da classificação. É evidente a qualidade que mostraram Yowlys Bonne, Liván López e Alejandro Valdés, lutadores que diversificaram seu repertório a adquiriram outras visões durante sua passagem pela Bundesliga alemã e a Proliga indiana. Precisamente, com vista ao torneio de classificação, as maiores opções estão concentradas nos 57 quilos, com Yowlys, nos 74 quilos; com Liván e nos 86 kg com Salas, ainda que com este último seja necessário aplicar uma estratégia rigorosa, para que mantenha seu peso corporal. Nos 65 quilos, Liván Valdés mostra uma forma muito sólida, mas será uma divisão complicada, já que os estadunidenses Brent Metcalf e Aaron Pico, o canadense de origem cubana, Haislan García e o porto-riquenho Franklin Gómez, pretendem ganhar a classificaçao e como é conhecido só o campeão e o vice-campeão obterão o lugar. Entretanto, nos 97 quilos, Javier Cortina deverá apostar em sua destreza para superar o venezuelano José Díaz, quem o venceu por 7-4 nos Jogos Pan-americanos de Toronto”.

Potencialidades, possíveis rivais, tudo um quebra-cabeças que será elucidado no mês de março, entre chaves e desbalanços.