ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Leuris Pupo classifica como o melhor atirador cubano de todos os tempos. Photo: Yander Zamora

A participação do atirador da província de Holguín, Leuris Pupo, nos passados Jogos Olímpicos atiçou as expectativas da torcida. O desafio era colocar-se outra vez entre os seis finalistas, pois a façanha de conquistar uma segunda medalha de ouro nos Jogos Olímpicos era concebida como algo inédito até o momento para os atiradores cubanos.

Contudo, o campeão de Londres 2012 obteve uma quinta colocação de mérito, resultado que o coloca novamente como um dos melhores do mundo em sua especialidade.

Pupo, está satisfeito com sua atuação no Rio de Janeiro?

«Se dizesse que eu me sinto totalmente satisfeito, mentiria. Eu sou daqueles que pensam que os resultados sempre se podem melhorar, inclusive quando se ganha, mas sim, eu estou feliz de ter classificado de novo em uma final olímpica».

Sua melhor marca do ano (583 pontos) a conseguiu no Campeonato do Mundo de Munique, resultado o qual o senhor repetiu no Rio de Janeiro para se classificar sexto à última etapa. O senhor sentiu maior ou menor pressão do que em Londres?

«Sinceramente, me faltou mais confiança no Rio, devido a que o ano 2016 não foi meu melhor ano disparando nas finais. Tive uma boa preparação com munições de qualidade e várias bases de treinos, oportunidades que não tiveram o resto de meus companheiros, mas competições de primeiro nível eu só tive duas, Munique e o torneio pré-olímpico. Para render nas finais se deve praticar muito para adaptar-se a essa tensão, ainda mais quando se é campeão olímpico e em torno de mim foram criadas muitas expectativas».

Quando acabou a competição como foi recebido?

«Todos me abraçaram e me deram os parabéns, e aqui incluo também os principais dirigentes do Instituto Nacional dos Esportes (Inder). Embora não esteja conforme com minha atuação, acho que uma quinta colocação olímpica é um bom resultado para qualquer esportista».

Como valoriza a participação do tiro cubano na Olimpíada?

«Acho que em geral o fizemos bem. O tiro esportivo é um esporte muito custoso, cuja elite mundial tem, além de competições nos níveis todos, munições de qualidade, rifles, pistolas, espingardas modernas, alvos eletrônicos, entre outras coisas que nós não temos a possibilidade de ter por seu alto custo, mas apesar disso concorremos com entrega e ficamos orgulhosos de ter representado Cuba nos Jogos Olímpicos».

Tem pensado na aposentadoria?

«Não penso aposentar-me por agora. Ainda com meus 38 anos me sinto em plena forma técnica e física para continuar praticando este esporte».           

Quais são os planos para esta nova etapa olímpica?

«Nesta etapa esperamos ter melhor sorte do que na anterior. O campo de tiro demanda uma reparação capital que devia ter sido feita antes dos Jogos Olímpicos e em relação às munições neste momento não temos para começar os treinos».

E para esse povo que o quer e o admira, o que lhe diz?

«Que durante todos estes anos o tenho representado com orgulho no mais alto da elite mundial, e que não se preocupe, aqui há Pupo para muito tempo mais».