ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Photo: Ismael Francisco

«VOU dizer-lhes, em primeiro lugar, que nem na segunda metade deste século, nem na primeira, nem em alguma outra época da história, um país, e neste caso um país pequeno do Terceiro Mundo e, além do mais, bloqueado economicamente pela potência mais poderosa e mais rica da terra, fustigado, agredido de mil formas diferentes, fez tanto pelo esporte nem atingiu os resultados que, em um brevíssimo período de tempo, fez e atingiu Cuba». Fidel Castro, 13 de agosto de 1999.

Qual era o panorama do esporte cubano ao triunfo da Revolução, em 1º de janeiro de 1959? Um reflexo da deprimente situação econômica reinante de um extremo a outro da Ilha.

Pode afirmar-se que em Cuba havia esportistas… mas não esporte, no amplo sentido da palavra.

Apenas duas atividades sobressaíam, beisebol e boxe, ambas com uma completa orientação profissional e mercantil. A maioria dos jogadores de beisebol e boxeadores procedia das camadas humildes da população, com a esperança de ganhar algum dinheiro para escapar da pobreza.

Alguns destacaram por seu talento (Kid Chocolate, Orestes Miñoso) junto ao esgrimista Ramón Fonst e o campeão mundial de xadrez, José Raúl Capablanca; outros, os mais, apenas alcançaram a subsistir.

A participação de Cuba em eventos múltiplos internacionais, chame-se Jogos Centro-americanos, Pan-americanos e Jogos Olímpicos, era discreta, sem resultados apreciáveis. Desde que Ramón Fonst ganhasse a primeira medalha de ouro, nos Jogos de Paris-1900, nosso país teve que esperar 72 anos para desfrutar, em uma Olimpíada, da presença de um de seus representantes no mais alto do pódio, o boxeador Orlando Martínez, nos Jogos de Munique-72.

Como foi possível então que depois dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, no Brasil, realizados neste verão, a Ilha Maior das Antilhas some um total de 220 medalhas, distribuídas em 77 de ouro, 69 de prata e 74 de bronze, ocupando a 16ª colocação entre as 134 nações que ganharam, ao menos, uma medalha?

É a obra de um sonhador. Desde os primeiros momentos do triunfo revolucionário Fidel dedicou não pouco tempo ao esporte. Já em uma data tão precoce, como 30 de janeiro de 1959, o Comandante-em-chefe, durante uma palestra com dirigentes, atletas e jornalistas, realizada na Cidade Esportiva afirmou: «Viemos determinados em impulsionar o esporte a todo o custo, levá-lo tão longe quanto seja possível». Dessa vez, Fidel refletia acerca da situação geral do esporte cubano e comentava que «o esporte andou mal», referindo-se, também, à necessária ajuda econômica para atletas de categoria que estavam em uma situação difícil.

Como sempre, Fidel cumpriu sua palavra. Pouco tempo depois, o panorama do esporte tinha mudado substancialmente. Os triunfos na arena internacional começaram a chegar em disciplinas quase desconhecidas ou pouco praticadas no país: judô, vôlei, atletismo, luta, basquete, etc.

Mas não foi obra de um milagre. A força de vontade de Fidel, sua presença cotidiana nos espetáculos esportivos, inaugurando um Campeonato Nacional de Beisebol, recebendo as delegações que chegavam do exterior, depois de cumprir atuações bem-sucedidas, preocupado pelo mínimo detalhe — as condições do treino, a alimentação, o atendimento médico — foi o fator fundamental.

A inclinação pelo esporte do líder histórico da Revolução Cubana vinha desde que era criança. Na juventude praticou beisebol e basquete, duas disciplinas pelas quais sentia uma especial inclinação. Depois do triunfo de 1º de janeiro, e apesar de seu infatigável trabalho à frente do país, com a educação e a saúde como principais focos de atenção, Fidel tirava tempo para jogar basquete, à noite, na Cidade Esportiva.

Mas sua visão do esporte era muito mais ampla. Para ele não era só uma fábrica de campeões. Era muito mais: aumento da qualidade de vida de uma população que, em sua maioria, estava impossibilitada de ir a uma piscina, um campo ou uma quadra de tênis. Formação de valores morais na infância, educação da juventude, busca de uma vida mais saudável.

Também aqui Fidel demonstrou sua vocação internacionalista. Na medida em que o esporte cubano ia ganhando qualidade, muitos eram os países da América Latina e do continente africano que pediam a presença de treinadores cubanos para suas equipes. Esta ajuda tomou sua máxima expressão, em 23 de fevereiro de 2001, com a inauguração da Escola Internacional de Educação Física e Esportes, na qual já se formaram centenas de alunos procedentes de mais de 70 países.

A ideia da Escola Internacional foi lançada por Fidel em um comparecimento televisivo, no programa Mesa Redonda, em 1999, onde expressou: «e igual que fizemos na área da Medicina, na qual também somos já uma potência, não só contribuiremos para o desenvolvimento do esporte, com a cooperação de especialistas cubanos, mas também estamos considerando seriamente a criação de uma Faculdade Latino-americana e Caribenha de Educação Física e Esportes, para formar seus próprios especialistas que fomentem esta nobre e sadia atividade em seus países de origem, algum dia os ‘índios de paletó’ demonstraremos o que somos e o que podemos fazer».

Pode afirmar-se que o Comandante-em-chefe desfrutava seus encontros com os atletas. Era como um pai amoroso, orgulhoso de seus filhos, dialogando com eles para conhecer suas inquietudes, sua maneira de pensar, seus desvelos. Tratava todos por igual. Omar Linares, Alberto Juantorena, Teófilo Stevenson, Ana Fidelia Quirot, Mireya Luis, entre dezenas de multicampeões mundiais e olímpicos, tiveram a oportunidade de conhecer Fidel de perto e senti-lo como um familiar muito querido.

Dele não se pode falar em passado. Sempre estará presente. Para o esporte cubano — pelo qual tanto fez para levá-lo até níveis de excelência —, Fidel será sempre o esportista maior.