ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
A unidade e a confiança mantêm os tigres de Ciego de Ávila como favoritos para vencer seu terceiro campeonato a fio. Photo: Ricardo López Hevia

NO começo do Campeonato Nacional de Beisebol, ficou certo de que quase ninguém previu que a final seria entre os times de Ciego de Ávila (Tigres) e Granma (Alazanes).

O time de Ciego de Ávila, com Roger Machado como treinador, tinha aspirações sérias de avançar, por terceiro ano consecutivo, à final, para defender o título nacional; porém o time Granma (Alazanes) que dirige Carlos Martí pela região oriental, começou o cam-peonato nacional rejuvenescido, sem o rebatedor fora-de-série Alfredo Despaigne e sem a contribuição de Yordanis Samón, seu rebatedor mais estável dos últimos cinco anos.

Não obstante, enquanto Samón brilhava em sua estreia com o time de Matanzas (Cocodrilos), seus ex-companheiros avançavam sem muito espavento, ganhando jogos e se classificando, pelo terceiro ano consecutivo, para a semifinal do Campeonato Nacional.

Esse justo momento significou uma etapa de mudança para o time, pois Carlos Martí mostrou astúcia na escolha de alguns jogadores como reforço.

Frank Camilo Morejón, Denis Laza, Yoalkis Cruz, Miguel Lahera e Leorisbel Sánchez integraram um time que já mostrava solidez, com rendimento destacado de jogadores novos, como Yoelkis Céspedes e Osvaldo Abreu, chaves na produção ofensiva e na defesa.

Também, na própria área defensiva, os Alazanes mostraram uma imagem sublime, apagando todas as deficiências de anos anteriores, na qual foram os piores nesta importante função.

Carlos Benítez melhorou o jogo e sua segurança resultou importante no auge defensivo do time de Granma, que também teve o excelente desempenho de Yulián Milán como interbases e Guillermo Avlés, na primeira base.

Depois, acrescentaram-se Yordan Manduley, Yunior Paumier e Noelvis Entenza, os reforços adquiridos na semifinal, os quais ti-nham a difícil tarefa de vencer os Cocodrilos de Matanzas, os quais tinham imposto um recorde de vitórias (70), durante a etapa regular do campeonato, com só 20 derrotas.

Porém, a surpresa chegou. O time Alazanes, de Carlos Martí, não só eliminou a seleção de Victor Mesa, mas também foram capazes de vencer no enfrentamento, quando o placar indicava 2-3 favorável ao time de Matanzas, com dois jogos a ser realizados no estádio Victoria de Girón, em Matanzas.

Neste estádio, o time de Granma pôs em jogo toda sua ofensiva, com o destacado de-sempenho dos arremessadores Entenza e Lázaro Blanco, a figura principal. Eles marcaram muitos pontos aos arremessadores contrários e conseguiram decifrar a estratégia dos Cocodrilos, impedindo o sonho de milhares de pessoas que esperavam o primeiro título para Matanzas, depois daquele conseguido pelo time Henequeneros, dessa província, em 1990 e 1991.  

Desta forma, os Alazanes entram em uma final, pela primeira final em sua história, na qual tentarão vencer o forte time de Ciego de Ávila, que nos dois últimos anos foi invencível, com dois títulos conseguidos a fio. Ciego de Ávila já cumpriu as previsões, pois venceu o time de Villa Clara, por quatro vitórias e duas derrotas.

O Villa Clara tinha sido reforçado com jogadores experientes e de grande qualidade, como Alexander Ayala, Frederich Cepeda, Alexander Malleta ou Yosvani Torres, mas não renderam coletivamente, sem obviar que tiveram grandes problemas defensivos, aspecto que ainda não é valorizado adequadamente em Cuba.

Nesse aspecto, o time Ciego de Ávila jogou com coesão, com todas as posições ocupadas por homens muito cumpridores.

Os arremessadores tinham braços fortes e experiência, contando, ainda, com substitutos liderados por José Ángel García, de Artemisa e do jovem talento Raidel Martínez, de Pinar del Río.

O espírito vencedor de Roger Machado levou o time a estar novamente em uma final, etapa na qual estão presentes há cinco anos, desde o 50º Campeonato Nacional. O sangue frio de seus discípulos nesta fase será importante, durante o jogo com time de Granma, que nunca tinha chegado à discussão do título, mas vários de seus integrantes sim.

Frank Camilo (Industriales), Miguel Lahera (Artemisa), Yordan Manduley (Villa Clara), Dennis Laza (Pinar del Río), Roel Santos (Pinar del Río) e Guillermo Avilés (Ciego de Ávila) têm jogado em finais e foram cam-peões com estes times, e essas vivências contribuirão muito para o resto dos jogadores, que também têm uma fonte de inspiração no rebatedor fora-de-série, Alfredo Despaigne.

Sem dúvida, as condições estão criadas para uma final vibrante, na qual se enfrentam o poder resolutivo dos favoritos de Ciego de Ávila, e a inspiração de um time de Granma bem unido, com uma lista de jogadores impecável.