ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Alfredo Despaigne estará entre os rebateadores sólidos que integram o time Cuba que participará no clásico mundial. Photo: Ricardo López Hevia

CUBA concluiu sua participação na 59ª Caribbean Baseball Serie, que teve lugar em Culiacán, México, conseguindo a quarta colocação, que não fala bem claro do desempenho do time dirigido pelo veterano treinador Carlos Martí, o mesmo homem que segurará as rédeas do time nacional, no próximo 4º Clássico Mundial de Beisebol.

O time Granma, conhecido como os Alazanes, viajou à terra asteca com uma enorme sensação de confiança, apesar de ser vencido, na semifinal, pelos anfitriões Águilas de Mexicali e estes depois perderam, no jogo final, para os porto-riquenhos Criollos de Caguas, os quais puseram fim a um período de 17 anos sem vencer nesse certame caribenho.

Apoiados em um extraordinário desempenho dos arremessadores, os cubanos deixaram uma grata impressão no suntuoso novo estádio dos Tomateros, no estado de Sinaloa, onde os torcedores gostaram de seu jogo de-senfadado e divertido, dois detalhes que não se apreciavam, há tempo, nos times cubanos.

Sem excessos de pressão, os Alazanes venceram nos dois primeiros jogos, tal como tí-nhamos mencionado, graças ao impecável desempenho dos arremessadores, que em quatro dos cinco jogos permitiram um ponto ou menos, com dois jogos sem permitir carreiras como aspecto mais destacado.

Lázaro Blanco consagrou-se como o melhor arremessador e mostrou claramente que está em condições de assumir a liderança desta área, no iminente Clássico Mundial. Este arremessador esguio começou como abridor em dois jogos muito lembrados, o último deles um jogo de vida ou morte, na procura da passagem à final. Nesse último, embora perdesse, os contrários só conseguiram marcar-lhe um ponto.

O arremessador de Pinar del Río, Vladimir Baños também teve um bom desempenho e esteve prestes a se converter no primeiro arremessador a completar um jogo sem permitir pontos nem hits na história das Caribbean Series desde o ano 2002, quando Rodrigo López conseguiu uma façanha igual.

Este arremessador direito, natural de Pinar del Río, deve ser uns dos homens essenciais no Clássico, igualmente Vladimir García de Ciego de Ávila, ou o canhoto Liván Moinelo, quem assistiu ao certame internacional com mais descanso, sem um número significativo de jogos nos últimos dois meses, detalhe que pode multiplicar seu valor nos exigentes jogos que se prevê efetuar.

Em sentido geral, os arremessadores devem tornar-se a principal fortaleza de Cuba no Clássico, pois além dos jogadores mencionados, homens como Miguel Lahera, José Ángel García, Noelvis Entenza e o talentoso Raidel Martínez têm as condições para se destacar em um certame qualitativamente superior.

A Caribbean Serie efetuada em Culiacán nos demonstrou, também, que o sucesso destes arremessadores está necessariamente ligado à condução de Frank Camilo Morejón como receptor. Camilo, jogador nascido na capital cubana, é uma garantia para qualquer time, pois tem confiança e habilidade para guiar os arremessadores, além de sua destreza para apanhar arremessos difíceis e surpreender corredores adiantando nas bases.

Certamente, nem tudo é cor de rosa. Os jogos em Sinaloa também nos mostraram que existe muita fraqueza na ofensiva cubana, inativa durante o jogo, sem o suficiente sangue frio para executar ações específicas em diferentes situações que se apresentam.

Falta concentração na hora de efetuar um lance adequado, rebater a bola buscando os espaços vazios ou jogadas recorrentes e necessárias nos nossos times atuais, pois não contamos com os rebatedores poderosos de épocas passadas, aqueles homens que com uma tacada podiam mudar o placar do jogo.

Agora, é preciso elaborar os lances, planejar as rebatidas, fabricá-las contra rivais mais fortes, cujos arremessadores exigirão paciência e disciplina no home, bem como concentração no deslocamento entre as bases. Quanto a este último detalhe, o time deve aproveitar a rapidez de Víctor V. Mesa, Yoelkis Céspedes, Roel Santos, Yurisbel Gracial e Yosvany Alarcón, homens que sabem utilizar sua velocidade.

O time cubano que participará do Clássico Mundial é favorecido pela integração de três rebatedores poderosos: Frederich Cepeda, Alfredo Despaigne e William Saavedra, os dois últimos com muita força para conseguir ampliar o placar.

Porém, a chave no máximo certame universal estará em jogar descontraídos, sem pressão e cientes do que representam para o país, como aconteceu na recente Caribbean Serie. Junto a eles estarão milhões de cubanos que acordarão cedo, dirigirão e motivarão em cada inning. •

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