ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
O time Cuba no CM está conformado por jogadores do seu Campeonato nacional. Photo: Ricardo López Hevia

POR que não fazem parte do nosso time nacional de beisebol aqueles jogadores que atualmente jogam nas Major League Baseball, dos Estados Unidos, muitos deles com atuações de destaque?

Muitos fãs reafirmam que seria um time invencível, conformado com aqueles e os melhores jogadores dos nossos campeonatos nacionais. Certamente é assim, a qualidade do beisebol cubano é indiscutível.

Porém, a resposta a essa pergunta contém vários itens a serem esclarecidos. Um deles foi tornado público, em 3 de fevereiro de 2015, durante a Caribbean Serie daquele ano, que teve lugar em São João, Porto Rico, pela agência DPA. A informação explicava que «a Major League Baseball (MLB) baniu o requisito de que os jogadores cubanos de beisebol deviam ter uma permissão do governo de Washington antes de poderem integrar um time das Major Leagues».

E continuava dizendo, de acordo com a mesma fonte, «que até agora, basta assinar um documento no qual eles devem jurar que moram fora da Ilha». Nessa declaração jurada, os jogadores cubanos de beisebol deviam assegurar «que não são membros do governo cubano, nem do Partido Comunista e que jamais voltarão ao seu país».

Nada mais parecido com a assinatura de uma ata de desnacionalização.

O outro momento ocorreu em 15 de dezembro de 2015, com motivo da visita de boa vontade a Havana, de uma delegação das MLB, que incluía altos dirigentes e um grupo de estrelas dessa liga, entre eles os cubanos José «Pito» Abreu, Yasiel Puig, Alexei Ramírez e Brayan Peña. No Hotel Nacional de Havana, esses funcionários expressaram que essa organização «tem o objetivo de promover e favorecer a inserção dos jogadores que moram em Cuba no beisebol dos Estados Unidos». Então, nós perguntamos ao vice-presidente das MLB e diretor jurídico, Dan Halem, como encaixava essa asseveração com a declaração da obrigatoriedade de morar fora de Cuba, que conhecemos em 13 de fevereiro de 2015?

«O objetivo de nosso comissionado, Rob Manfred e da Associação de Jogadores das MLB é ter um sistema legal e seguro para a passagem normal de jogadores entre Cuba e os Estados Unidos. Vamos negociar, sob as leis de ambos os países, mas é preciso cooperação por parte dos dois governos», respondeu.

Em uma terceira ocasião, em 21 de março, no hotel Meliá Cohiba, fizemos semelhante pergunta a Manfred, na presença de Halem, referente ao jogo entre Cuba e Tampa Bay, no contexto da visita do ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. «Estamos trabalhando, são assuntos complexos, mas queremos um relacionamento normal, tal como disseram os executivos, em dezembro passado aqui, em Havana». E destacou: «é preciso conseguir uma via segura para a passagem normal de jogadores cubanos para os Estados Unidos».

Na ocasião, o presidente da Federação Cubana de Beisebol, Higinio Vélez, afirmou que «não queremos nenhuma diferença com nossos jogadores, não queremos privilégios. Estamos negociando, ao mesmo tempo, para conseguir essa relação, mas sem que os jogadores cubanos tenham que abandonar o país, quer dizer, sua moradia em Cuba».

Um quarto momento tem a ver com o regulamento do CM 2017, evento que começa de 6 até 22 de março deste ano 2017. No capítulo intitulado «Elegibilidade do Jogador», em dois dos itens, exatamente no 2º e no 3º, expressa-se: «O jogador é um cidadão do país ou território do time da Federação, como atesta seu passaporte». E no seguinte: «O jogador é atualmente morador legal permanente do país ou território do time da Federação, como atesta a Documentação satisfatória para o World Baseball Classic.inc (WBCI) e a Confederação Mundial de Softbol e Beisebol (WBSC)».

Nenhum dos dois encaixa nessa declaração jurada de moradia fora de Cuba. E ainda que outros requerimentos, como o fato de ter nascido no país do time da Federação participante no CM 2017, protegeria os jogadores cubanos das Major Leagues para assistir com sua nação, como seria possível se o documento publicado pela DPA, em 3 de fevereiro de 2015, exige um afastamento total. Nem sequer poderiam treinar juntos nos estádios cubanos.

No CM 2017, tal como nos três anteriores, Cuba assistirá com os jogadores que selecionou no seu campeonato. Há negociações em andamento com as MLB, como disse o próprio Higinio Vélez, mas como todo relacionamento com os Estados Unidos, deve ser bilateral, civilizador e com a premissa de que é possível convivermos, apesar das diferenças.

Atingir um acordo, mediante um relacionamento contratual, que permita que os daqui possam jogar naquele beisebol sem renunciar ao seu país e aos seus; que possam participar dos eventos internacionais representando sua bandeira e também dos campeonatos cubanos, quando estes não coincidam com os campeonatos que são realizados em ambos os países, seria uma verdadeira contribuição no empenho de atingir uma normalização desse relacionamento e uma prova inequívoca de boa vontade, princípio que é brasão do esporte, em nível mundial.

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• NO fechamento desta edição, Cuba venceu a China, por 6-0, no segundo jogo do 4º World Baseball Classic, efetuado no majestoso estádio Tokio Dome, da capital do Japão.

O jogo manteve-se empatado, sem pontos, durante os três primeiros innings, nos quais o time da Ilha pôs homens nas bases, mas não souberam aproveitar essa oportunidade para marcar pontos.

Os primeiros pontos do time cubano foram marcados no quarto inning, mediante uma combinação de quatro rebatidas, uma delas feita por Roel Santos e outra da autoria de Alexander Ayala.

Após perderam por 11-6 para o Japão, em sua estreia no certame, os jogadores dirigidos pelo treinador Carlos Martí conseguiram sua primeira vitória perante a China – um resultado chave nas aspirações de passar à segunda fase. Dessa forma, os cubanos têm uma vitória e uma derrota, no 4º World Baseball Classic.