ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Larduet lidera a esquadra dos homens que buscará na Guatemala a classificação para os jogos centro-americanos. Photo: Ricardo López Hevia

MANRIQUE Larduet tem 19 anos de idade. Seu rosto revela esse ímpeto dos jovens, mas seus olhos não podem esconder a voracidade de um ginasta descomunal, com ambições para subir ao topo do mundo. Em seu ambiente, alguns o chamam de «A Maquina», e com esse qualificativo ele nomeou sua equipe de trabalho nas redes sociais.

«Desde que eu tinha nove anos observava os atletas mais experientes treinando e meu único pensamento era funcionar como uma máquina. Agora eu digo que nós, este grupo que restaurou a esperança da ginástica cubana, somos uma máquina de guerra», diz Manrique, natural de Santiago de Cuba, sentado em uma janela da Escola Nacional, seu lar por mais de uma década.

Justamente nesse lugar conversamos com ele, interrompendo-o a meio do caminho do descanso, depois de completar uma extensa sessão de treinos, com o objetivo de ficar em boa forma para fazer face a sua primeira competição após nove meses.

Ali, sentado na janela, falou-me sobre o futuro, os projetos, desafios, sempre olhando para o horizonte, embora, inevitavelmente, viajasse no tempo para se situar, exatamente no pódio, no dia da premiação nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

«Há momentos que eu não vou esquecer. Eu tive uma lesão, durante um treino de rotina nos exercícios no solo, mas não disse nada ao professor Carlos Gil. Só quando vi que o problema não sumia, praticando no cavalo com alças, resolvi contar-lhe», lembra Manrique.

«Foi uma ruptura em um tendão da perna esquerda, dificilmente acreditava, mas isso me impediu de cumprir meu sonho. Eu estava pronto para ganhar uma medalha de qualquer cor, mesmo que previamente não tivéssemos uma base sólida de treinos em exercícios no solo, cavalo de salto e argolas. Afinal, do Rio de Janeiro só pude conhecer algo da Vila, levavam-me o café da manhã ao leito, levavam-me carregado até os treinos, não desejo que isso aconteça a ninguém», diz Manrique, que prefere conservar as recordações positivas.

«No meio de tudo isso, os ginastas de outros países estiveram muito preocupados, encorajaram-me. Eu me lembro que me aconselharam para não competir porque estava em risco minha carreira, mas eu resolvi competir e não perder a chance, porque os Jogos são cada quatro anos. Tudo isso me fez mais forte», revela Larduet.

LIMITE E CONTINUIDADE

Após os Jogos Olímpicos, o único dispositivo que Manrique utilizou foram umas muletas que o acompanharam um par de semanas. Sua hiperatividade característica necessariamente ficou relegada e então veio à tona sua paciência, sua frieza para apoiar o processo de recuperação, afastado totalmente da quadra das competições.

Este período de calma, por vezes, necessário para baixar a adrenalina, foi bom para Manrique. «Sinto-me relaxado, treino com maior confiança e os exercícios são feitos mais fácil», diz ele.

«Claro, uma coisa é o treino e outra dar de cara com os juízes em uma competição, que neste ano não tivemos. Dessa forma estaremos no torneio de classificação centro-americano, em junho próximo, na Guatemala, onde a maioria dos rapazes da equipe vai chegar quase sem experiência internacional», reflete Manrique, ansioso por mostrar seu potencial em tais situações.

«Eu quero competir, mas sem arriscar nada. Na Guatemala, por exemplo, eu não vou participar dos exercícios do solo, nessa modalidade estou preparando uma nova rotina de maior complexidade, que espero ter a oportunidade de mostrar no campeonato do mundo em Montreal, em setembro. É um dos itens em que aspiro a ganhar uma medalha neste ciclo olímpico», garante Manrique, o único atleta cubano com a possibilidade de obter múltiplas medalhas em qualquer evento.

Nos Jogos Centro-americanos de Veracruz 2014, Manrique obteve duas medalhas de ouro e outras cinco medalhas, e em Barranquilla 2018 pode superar essa quantidade, embora terá um contrário de categoria universal no colombiano Josimar Calvo. «Eu estou mais focado no que quero e tenho um treinador que sabe o que se deve fazer para competir com coragem e força. Isso ajuda e, sem ser confiante, talvez possa obter três ou quatro meda-lhas de ouro na Colômbia».

Essas são as palavras de um verdadeiro ‘monstro’ da ginástica, que já tocou a glória e está querendo ser mais. “Com o decurso do tempo eu consegui treinar e agir como uma máquina, mas tenho que continuar, não me posso conformar».