ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Alejandro Valdés (à direita) no combate pela medalha de bronze, no mundial de Paris. Foto: Marion Stein

CASO se tratar de estirpe, Alejandro Valdés, tem a mesma fidalguia de seu pai Enrique Valdés, tricampeão da Copa do Mundo nos 62 quilos. O havanês mostra uma acelerada progressão, nos últimos anos, até se tornar não só o máximo representante da categoria (65 quilos) no país, mas também o melhor lutador cubano no estilo livre.

«Quero que minha filha Alexa esteja orgulhosa de mim. A partir do começo de minha carreira tenho a aspiração de tornar-me campeão do mundo. E para conseguir esse objetivo minha família e, sobretudo, minha filha, são fundamentais», alega.

Recentemente, quase conseguiu seu sono, depois de obter a medalha de bronze no Campeonato Mundial de Paris, sua primeira nestes certames. Sentia-se pronto para se tornar campeão, tinha todas as condições, mas tanto no esporte quanto na vida até os mais mínimos detalhes têm que confluir a favor para atingir o triunfo.

«Após terminar os passados Jogos Olímpicos de Rio 2016, concentrei-me neste mundial. Senti-me bem no começo, contudo; o combate no qual pude perceber minhas potencialidades reais foi nas quartas de final, contra o porto-riquenho Franklin Gómez, medalhista de prata no mundial de Istambul 2011. Franklin é um rival exigente, possui muita velocidade, de maneira que é preciso ter concentração nos seis minutos porque aproveita cada erro e isso custa caro. Na medida em que avançava o combate eu me sentia forte, e finalizando, ao olhar o placar 11-2, percebi que estava melhor do que pensei».

Como foi o combate semifinal contra o polaco Magomedmurad Gadzhiev?

«Foi um combate difícil. Gadzhiev é um lutador de alto nível com qual nunca tinha lutado, mas o conhecia perfeitamente porque assistimos aos mundiais de juniores. Daquela época nos conhecemos mutuamente e, de fato, mantemos boa relação pessoal. Caracteriza-se por sua forte defesa e ataques muito efetivos. Sabia que não podia errar, tinha que ser efetivo e não esgotar-me rapidamente, porque a inatividade podia custar caro».

«Nessa semifinal desenvolvi um ritmo de combate muito intenso e ele defendeu-se com unhas e dentes. Porém, posso dizer que estive muito mais ativo em cima do tatame. O combate ficou 1-1 e o júri decretou Gadzhiev vencedor. Eu acho que o júri podia ter mais justeza, mas essa foi a decisão final».

Vemo-lo com muita força discutindo a medalha de bronze...

«Realmente foi uma mistura de sentimentos, sentia que podia ser campeão. Quando sofri a derrota na semifinal fique desconcentrado, mas eu diz: ‘Ainda resta um combate e é melhor terminar com bronze do que na quinta colocação’».

Em um evento de máximo nível, como consegue recuperar-se de uma frustrante perda, na qual se sentiu vencedor e, em um brevíssimo tempo, enfrentar o seguinte combate?

«Em Paris, cresci e procurei concentração; depois do combate o tempo daria para lamentações».

«Depois da semifinal tomei banho e dormi cerca de 40 minutos. Após levantar-me fiz um bom aquecimento, pois meu rival pela medalha de bronze era muito perigoso: o bielorrusso Azamat Nurykau. Começando o combate o placar (4-0) já era favorável para mim e restando cinco segundos dos primeiros três minutos Azamat fez um contra-ataque surpresa e conseguiu marcar. No segundo período realizou um ataque, ineficaz porque procurando marcar, ele mudou a ação e eu fiquei em uma posição muito difícil da que até hoje, não sei como consegui sair. Achei inclusive, que me podia derribar de costas, mas fiz um esforço e finalmente venci o combate».