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Mijaín procurará a sua quarta coroa olímpica no horário de verão da capital japonesa. Photo: Ricardo López Hevia

A partir de ter ocupado o trono em Pequim 2008, Mijaín nunca cedeu a coroa na divisão superior do estilo greco-romano, repetiu o triunfo em Londres 2012 e Rio 2016. A esse desempenho espetacular adiciona cinco títulos do mundo, o que o transforma em uma lenda vivente desse esporte.

«Eu me sinto em excelentes condições físicas e psicológicas e continuo treinando constantemente. Eu sou um lutador que gosta de competir e vencer, vivo por isso », confessa Mijaín, um esportista fora-de-série, natural de Pinar del Río.

Mijaín tem atualmente 35 anos e chegaria a Tóquio com 38, muitos veem sua «longevidade» como um obstáculo para alcançar a façanha; no entanto, isso não é um obstáculo. De acordo com seu treinador experiente, Raúl Trujillo, a idade cronológica do lutador portentoso difere substancialmente de sua idade física, que neste momento seria equivalente a um atleta de 27 ou 28 anos, portanto, não há dificuldade em chegar em ótimo estado em grande evento da capital japonesa.

«Ele tão só deve ter disciplina, cuidar do seu peso e manter um estilo de vida saudável. Ele é um gladiador com um alto nível de esportivismo que praticamente treina sozinho e que não precisa de um longo período de tempo para alcançar a forma esportiva máxima», explica Trujillo.

Após seu último aparecimento, no Rio 2016, Mijaín consumará seu retorno aos colchões durante os Jogos Centro-americanos de Barranquilla, em 2018.

Sua preparação continuará com os Jogos Pan-Americanosde Lima 2019 e o Campeonato Mundial, no mesmo ano, em um local ainda por definir. Este último concurso será com o objetivo de garantir pontos valiosos no ranking que o coloquem entre os já classificados para Tóquio 2020 .

«Já estamos focados nesse aspecto, o problema principal assenta na nova regulamentação que será aplicada em 2018, que obriga a competir em dois dias e ser pesado antes dos primeiros combates. Eu acho que essa mudança não vai transcender, é negativa para este esporte, isso significa que os atletas devem fazer um grande sacrifício», diz o tricampeão olímpico.

Durante 2018 e, experimentalmente, cada divisão da luta vai competir por dois dias — um dia para as eliminações e repescagens e o outro para as semifinais e final — com duas rodadas de pesagem: uma preliminar a ser realizada na manhã da primeiro dia dos combates e outra no segundo encontro, permitindo dois quilos de tolerância. Este sistema exigirá um maior esforço por parte dos atletas.

«Nas ligas, funciona assim, mas apenas há uma luta por semana. Quando concorri na Alemanha, por exemplo, falei com os treinadores e eles me disseram: ‘Sabemos que você é o melhor lutador do mundo, mas com essa forma de pesagem não é o mesmo’. Lá, rivais que podia vencer por 10-0, acabei os vencendo com um placar estreito, devido ao desgaste físico e à falta de oxigênio. É muito difícil jogar ter três ou quatro combates e no dia seguinte ter que perder peso de novo, sem tempo de recuperação. Isso vai distorcer a disciplina, porque quase ninguém se sente em condições de fazer esse esforço, e não vou me permitir ter um desempenho ruim em nenhum caso. Mijaín López deve ser o mesmo de sempre», concluiu.