ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

O Comitê Olímpico Internacional (COI) vai dando seus passos ao ritmo da economia mundial, pulsando suas recessões e desacelerações no crescimento, elementos que repercutem nas cidades sedes dos Jogos Olímpicos.

O organismo esportivo internacional insiste — por razões de economia nas finanças — em manter na casa de 10 mil os atletas participantes, propósito que nas três últimas olimpíadas quase foi cumprido. Mas como nada é exato na vida, em Londres 2012, no mencionado evento se reuniram 10.568 esportistas.

O tema do «gigantismo» dos Jogos não só abrange os jovens que animam as instalações com seu esforço, entusiasmo e qualidade. A necessidade de cortes também esta presente nos preparativos das sedes, pelo qual Tóquio, anfitriã do próximo evento olímpico em 2020, não é a exceção.

A economia japonesa, exposta a flutuações, por sua alta dependência das exportações (carros, produtos da eletrônica, substâncias químicas, aço, equipamentos, ferramentas e suas produções principais) é vulnerável, ainda que seu balanço comercial mostrasse um superávit em 2016. Atualmente, é a terceira maior economia do planeta, atrás dos Estados Unidos e da China.

Os japoneses levam em conta que, unicamente, a racionalidade nas despesas, pode levá-los a ter um sucesso semelhante ao das Olimpíadas de Tóquio 1964 quando, pela primeira ocasião, o continente asiático foi a sede dos Jogos Olímpicos, naquele momento qualificados pela crítica como os Jogos Perfeitos.

CORTES NÃO SÓ NAS BANCADAS

O primeiro passo dos futuros anfitriões do maior espetáculo do esporte internacional, com o intuito de se cingirem à realidade, foi dado ao desestimar a proposta da arquiteta iraquiana Zaha Hadid, com sua concepção do novo Estádio Olímpico, ideado para acolher 80 mil pessoas e valorizado em US$2,08 bilhões (2.082.000.000).

Em troca, o design da autoria de Kengo Kuma reduziu o custo para US$1,2 bilhão (1.200.000.000) e as bancadas acomodam 68 mil pessoas, ajuste conhecido pela Comissão de Coordenação do COI quando visitou recentemente a sede, pela quinta ocasião. Os especialistas asseveram que a edificação permitirá uma ampliação de suas capacidades e pensam terminá-la em novembro de 2019 e testá-la durante o Campeonato do Mundo de Rúgbi.

O anterior Estádio Olímpico — com capacidade para 57.363 pessoas — permaneceu em pé na capital do país até 2015, quando foi demolido. Construído em 1958, foi remodelado para receber os competidores do torneio de 1964. Contudo, à distância de mais de 50 anos daqueles jogos, aos quais foi destinado US$1,8 bilhão para remodelar os centros esportivos da cidade, e no total os Jogos exigiram uma despesa de aproximadamente US$ três bilhões, estas quantias resultam impossíveis de comparar com as utilizadas para a realização dos jogos de Pequim 2008, Londres 2012 e Rio de Janeiro 2016, pois cada uma ultrapassou os US$ 11 bilhões.

Outras 11 sedes de diferentes esportes para Tóquio 2020 também ajustarão as bancadas disponíveis, apesar de morarem no Japão mais de 127 milhões de pessoas, e mostrar uma alta densidade da população de 336 moradores por km2. Dessa forma, o centro para as disciplinas equestres de 14 mil cairá para 9.300 lugares; no caso do boxe de 10 mil muda para 7.700 e de 7 mil para 5 mil as do tiro com arco, por só mencionar algumas das que serão reduzidas.

De Tóquio 1964 a Tóquio 2020, uma viagem que seguramente realizará o povo do Japão para tentar reeditar aqueles Jogos Perfeitos, em um mundo onde é preciso o ajuste de plano respeito às finanças, ainda nos países desenvolvidos.