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A disciplina é um dos fatores chaves para Juan Miguel, em prol de continuar obtendo grandes resultados. Foto: Rodolfo Blanco Cué (ANC).

CAMAGUEY.— Fantástico, formidável… são alguns dos qualificativos que a imprensa nacional e estrangeira utiliza para ressaltar o desempenho de Juan Miguel Echevarría no Campeonato Mundial de atletismo indoor, que teve lugar recentemente em Birmingham, Grã Bretanha.

Após voltar a sua terra de origem para continuar sua preparação, com vista ao próximo compromisso, os Jogos Centro-americanos e do Caribe de Barranquilla, Colômbia, o semanário Granma Internacional dialogou com o jovem saltador em distância e com Daniel Osorio Díaz, seu treinador atual.

Quanto de fortuito teve o desempenho de Echevarría no Mundial?

«Não foi fortuito, não. Juan Miguel vinha mostrando um desenvolvimento sólido em sua progressão como atleta. Em 2017, teve pulos muito bons, que ultrapassaram os oito metros, quer dizer, previa-se que em qualquer momento nos alegrasse e foi assim», asseverou seu treinador.

Como lembra Juan Miguel esses instantes sumamente tensos da competição?

«Considero que tanto Manyonga, o estadunidense Marquis Dendy quanto eu oferecemos um excelente espetáculo, foi um evento muito forte e emocionante que exigiu, no meu caso, de muita concentração. Certamente, posso dizer que em cada pulo pus a alma e o coração, para procurar a medalha de ouro ou de prata».

«Acho que, além do bom estado físico, ajudou-me muito a preparação psicológica realizada, para poder enfrentar tamanha pressão de dois atletas com títulos mundiais, os quais várias vezes me colocaram entre a espada e a parede. Foi tanto o nível do certame, que em duas ocasiões ultrapassei minha marca pessoal».

Quantos detalhes devem convergir em um resultado tão relevante?

«São muitos os fatores, explicou Osorio Díaz, que devem coincidir no minuto exato: o ritmo da carreira, a execução técnica, o estado psicológico do atleta. Trabalhou-se muito em relação ao controle da ânsia competitiva, algo que em eventos anteriores, bem seja por sua juventude ou pela inexperiência, não conseguia dominar. Tudo isso foi aplicado para conseguir o resultado e já se percebe a mudança. Por isso é que o público ficou surpreso de vê-lo concorrer como se fosse um campeão, com só 19 anos. Apesar de possuir um físico ideal para a modalidade, é o fruto também do trabalho de muitos treinadores».

Quais as pessoas que descobriram Juan Miguel e o trouxeram para o esporte de alto rendimento?

«Minha trajetória é parecida com a de muitos atletas deste país. Comecei a prática do atletismo, com dez anos, na escola de ensino primário Ernesto Lucas, no distrito Guernica desta cidade, e depois estive na Escola de Iniciação Esportiva (EIDE) Cerro Pelado até integrar a equipe nacional, previamente participei de múltiplos eventos e competições».

«Nesses anos eu tive excelentes treinadores, como Tomás Hernández e Iván Izaguirre, em Camaguey; depois Juan Gualberto Nápoles na equipe júnior e a partir de setembro treino com o treinador Daniel Osorio. Cada um deles pôs seu grão de areia em minha formação integral».

Quais resultados procuraram na recém concluído certame no Complexo de Atletismo Rafael Fortún?

«Em minha terra (Camaguey) quis oferecer ao meu povo um espetáculo digno e acho que o consegui: terminei a competição com um salto de 8,40 metros, que é considerada a melhor marca mundial outdoor desta temporada esportiva».