ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
O futebol para todos é um dos programas que convoca a comunidade para a realização de exercícios físicos. Photo: Miguel Febles Hernández

PEDRITO não frequenta as aulas de Educação Física, um certificado médico por asma o exime desses 45 minutos. Tampouco Yoandry sai ao pátio da escola, porque um documento semelhante atesta um problema ortopédico. O que não sabem eles e seus pais, é que estão condenando o futuro do garoto.

Nenhum dos dois é escolhido para jogar futebol no bairro, são torpes com a bola; em um jogo de beisebol permanecem olhando os participantes e quando têm uma chance não rebatem bem a bola ou é difícil para eles chegar ilesos à primeira base; por outra parte, o círculo de amigos é estreito. São crianças muito destacadas no resto das matérias, pois se prevê que amanhã sejam como os cientistas que hoje, que estão convertendo o país em uma potência do conhecimento. Então, depois das cansativas jornadas, em prol de oferecer à humanidade um medicamento de tamanha efetividade como o Heberprot-P ou algumas das vacinas, que imunizam várias doenças, eles sentirão um forte cansaço ou dores em todo o corpo, as que lhes impedirão dar maior contributo à sociedade.

Nenhuma criança deve deixar de fazer Educação Física e a escola, desde o diretor até o claustro docente, e a família, são responsáveis. Há argumentos demais para cumprir essa atividade, mas o primeiro deles é essencial porque é uma ferramenta de excelência pedagógica, que prepara a base do desenvolvimento das qualidades básicas do ser humano, como unidade biológica, psíquica e social.

Não devemos esquecer que nossa composição é de água fundamentalmente e como a água que se estagna também se estraga, igualmente acontece com os fluidos do organismo. Uma prática regular da atividade física fortalece nossa anatomia e permite enfrentar cada exigência, seja de trabalho, profissional ou qualquer outra tarefa, com mais vitalidade e energia que oferece estabilidade emocional, presteza e perseverança. E essas qualidades oferecem outras três muito importantes perante qualquer missão: segurança, espírito de coletividade e responsabilidade.

Quando desfrutamos e nos emocionamos com uma façanha esportiva, atrás estão esses elementos; o orgulho que sentimos pelo papel da ciência no país ou por ter umas Forças Armadas Revolucionárias que garantam a invulnerabilidade militar da nação, é também pela forma que moldamos e preparamos a couraça das que fazem parte o corpo e a mente. Porém, por onde começa o caminho? Pela aula de Educação Física, a qual — certamente — se pode chamar de célula básica ou base do organismo humano.

No século XVI, na etapa da Renascença, o filósofo Michel de Montaigne, quem é chamado de pai do Ensaio como gênero literário, expressou sabiamente que «não é uma mente, não é um corpo o que educamos, é um homem, e não devemos dividi-lo em duas partes». Duzentos anos depois, Jean Jacques Rousseau asseverava que a mente e o corpo são uma entidade indivisível e arguiu que «um corpo fraco enfraquece a mente».

Com o primeiro brado que anuncia nossa chegada ao mundo, começa um processo evolutivo que, logicamente, e certamente biológico, chega até um ponto no qual começa a involução. Para ser mais claro, começamos a envelhecer. Chegado esse momento, aquilo que não fizemos na aula de Educação Física no pátio da escola, na sala de aula maior, a única ao ar livre, é irrecuperável.

A educação física, em quaisquer das suas expressões, é a única alternativa eficaz para manter as potencialidades fisiológicas, a capacidade física de trabalho e conservar o ótimo estado de saúde. É ela a que retarda o aparecimento dos efeitos negativos do envelhecimento e eleva a qualidade de vida.

Quanto mais cedo se começar a educação física, maior será o benefício que na etapa adulta se receba.

Cuba tem as opções para que a crianças como Pedrito e Yoandry acessem à Educação Física. Professores dessa matéria nas áreas terapêuticas atendem os estudantes que, devido a problemas de saúde, não se podem incorporar ao ensino físico, para eles há 28 programas nos municípios do país que se especializam em igual quantidade de doenças crônicas não transmissíveis. Também, um sistema integral de promoção e saúde com esses mesmos profissionais, inclui o atendimento a pessoas idosas, grávidas, lactantes, grupos de ginástica aeróbica na comunidade e a ginástica básica para a mulher. É uma das poucas nações do planeta que tem a Educação Física estabelecida desde a primeira fase do ensino primário, isto é, da primeira à quarta série.

Não obstante, mesmo quando a solidez dos argumentos ilustre a importância, sem o professor não há Educação Física. É ele quem propícia um ambiente saudável, não excludente, nem por pequeno nem por grosso; o que favorece a participação e a exige, aquele que se deve convencer de que em sua área o mesmo há um futuro campeão olímpico do que um doutor em ciências. Se não tem os médios, e muitas vezes os têm, deve-se saber que, como pedagogo, é também um criador. É o primeiro que deve prestigiar e dar a conhecer o imprescindível da sua aula, para que nenhuma exercitação ou outra atividade a substitua.

Do rico legado de Fidel, como se fosse um desses professores — certamente, dos mais queridos na escola — retomemos seu pensamento. Em 4 de setembro de 1964, valorizava que «se pôde observar que algumas deficiências em nossos atletas eram consequência da falta de educação física na idade que, precisamente, devem começar a desenvolver-se os músculos e as condições físicas do ser humano, bem seja, a partir da infância... A educação física faz parte essencial da educação integral das crianças... ».