ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Foto: Ricardo López Hevia

HAVANA.— De olho nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020, a brilhante saltadora com vara de Cuba, Yarisley Silva mantém os sonhos e desejos de concorrer, os mesmos com os que alguma vez surpreendeu seus colegas e o mundo.

Bastaria com rever a história dos torneios mundiais e olímpicos, na modalidade do salto com vara, para confirmar que só a cubana e a brasileira Fabiana Murer desafiam o domínio das europeias e estadunidenses, uma lista de estrelas que lidera a russa Yelena Isinbayeva, as estadunidenses Stacy Dragila e Jennifer Suhr e a grega Ekaterini Stefanidi.

Silva, nascida na província cubana de Pinar del Río, a oeste de Havana, conseguiu a medalha de prata na Olimpíada de Londres 2012, foi campeã mundial no certame mundial de Pequim 2015 e no Mundial indoor de Sopot 2014, entretanto atingiu a medalha de bronze nos certames do mundo outdoor de Moscou 2013 e Londres 2017.

Simples, de poucas palavras, mas muito firme em suas respostas, a garota de 30 anos dialogou acerca de seus planos e objetivos.

«Para Tóquio — sede dos 32os Jogos Olímpicos — faltam dois anos e não se sabe o que acontecerá, mas sempre eu disse que é meu sonho, porque é o único título universal que não tenho», assinalou a bicampeã pan-americana, em Guadalajara 2011 e Toronto 2015.

«Desejo — acrescentou — terminar com uma medalha de ouro olímpica, é o sonho. Por isso continuo lutando e me mantenho com expectativas, anelos e desejos de continuar para frente».

Segundo a ganhadora de várias medalhas em torneios de alto nível, além dessa meta, alimentam seus desejos o carinho e apoio do seu povo, que desfruta cada triunfo e sofre cada derrota.

Silva não ignora a situação que confronta, marcada por um elevado nível na especialidade, na que qualquer uma pode vencer, com grandes figuras como a grega Stefanidi (28 anos), a estadunidense Sandi Morris (25) e a russa Anzhelika Sidorova (26).

No Mundial indoor, efetuado em Birmingham, Reino Unido, em março passado, Morris venceu com 4,95 metros a Sidorova (4,91) em um espetacular enfrentamento, deixando a terceira colocação para Stefanidi (4,80), a titular olímpica do Rio de Janeiro 2016 e do mundial outdoor de Londres 2017.

Respeito a essa competição, Silva, cuja melhor marca é de 4,91 metros, reconheceu que não teve um bom resultado (sétima colocação), mas não alheio a circunstâncias.

«Foi uma grande batalha, muito forte. Ganhou-se com muito nível e eu concorri com algumas dificuldades», comentou.

Explicou que começou os treinos um pouco tarde, nos primeiros dias de novembro, e sentiu dores.

«Determinamos concorrer assim, consideramos que devia participar, apesar de não estar nas melhores condições, para defender as cores da Pátria, além de considerar a competição como preparação, com vista ao torneio do ano, os Jogos Centro-americanos e do Caribe de Barranquilla, Colômbia», detalhou.

Respeito a seu calendário, mencionou que fará um treino de altitude no México e participará de três certames da Liga do Diamante, entre eles em Mónaco e Inglaterra, sempre de olho em Barranquilla, jogos previstos no mês de julho e agosto.

Apesar do alto nível do salto com vara no mundo, a cubana não pode ser descartada dos prognósticos das grandes competições, porque costuma lutar até o fim, vença ou não.