ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Guillermo Corzo (centro) foi um dos pilares da equipe triunfante de Barranquilla. Foto: Ricardo López Hevia

UM dos esportes em que Cuba despertou mais atenção nos Jogos Centro-americanos e caribenhos de Barranquilla, na Colômbia, foi o handebol, especificamente no setor masculino, que a equipe liderada por Luis Enrique Delisle venceu invicta.

Pela Colômbia se espalhou a notícia de que o time cubano, que recuperou para a Ilha maior das Antilhas a coroa regional, que não obtinha desde 1993, era um dream time ou equipe dos sonhos, um critério reproduzido por vários meios, em grande parte devido à dominância esmagadora de uma seleção que incluiu vários homens com experiência em ligas europeias.

Em homenagem à verdade, os cubanos passaram como um rolo pelas quadras de Barranquilla, com um performance arrebatador de 172 gols marcados e apenas 85 permitidos, além de um nível de jogo muito superior ao de seus adversários, que ficaram sem argumentos quanto à qualidade técnica e o tamanho físico, um detalhe que impressiona particularmente, já que todos os membros do elenco têm pelo menos um metro e oitenta de altura e, na maior parte, pesam mais de 85 quilos.

AS DÚVIDAS DO ‘EXPERIMENTO’

Acerca deste time havia uma certa «auréola misteriosa» em Barranquilla, precisamente por causa da convocação de um grupo de jogadores que se desempenham em diferentes esquadras profissionais do Velho Continente. De alguns deles havia rumores de que não estavam sob a política de contratação do Instituto Cubano de Esportes (Inder), o que criou uma espécie de «rumor» e chegou a falar-se de um «experimento», aspectos esclarecidos pelas autoridades cubanas no próprio evento regional.

«Os contratos de todos os rapazes foram aprovados pelo Inder. É verdade que em um momento houve um distanciamento, uma espécie de vazio no relacionamento com os clubes, o que dificultou o status dos jogadores e a possibilidade de que eles pudessem integrar a seleção nacional, mas chegamos na hora de fazer as coisas corretamente», sentenciou ao nosso jornal o presidente da Federação Cubana de Handebol, Franklyn Guevara.

O líder enfatizou que não há irregularidade agora e que um clima de estabilidade foi alcançado, em grande parte graças ao trabalho da Diretoria Jurídica de Inder e à atitude dos próprios jogadores, que em todos os momentos expressaram seu desejo de defender as cores da Pátria e seu compromisso com Cuba, o handebol e o esporte do país em sua cruzada regional em Barranquilla.

A BANDEIRA À FRENTE

Esta tese foi confirmada, precisamente, por alguns dos contratados na Europa que varreram na cidade colombiana. Por exemplo, Pedro Veitía, lateral esquerdo, 24 anos, que joga em Portugal, disse ao Granma Internacional que este é apenas o primeiro de muitos triunfos.

«Ficamos separados por um tempo, mas individualmente crescemos nos últimos quatro anos, e isso tem um impacto direto nos resultados do handebol cubano hoje. Agora nos reunimos antes da competição, fazemos uma excelente preparação interna, estudamos bem os rivais e vencemos amplamente».

«Acho que estamos preparados para enfrentar um nível mais alto e, nos Jogos Pan-Americanos de Lima, em 2019, teremos essa oportunidade. Sabemos que a área continental não é fácil, devido à qualidade do Brasil, Argentina e o Chile, mas podemos dar um salto», disse Veitía, que defenderá as cores do clube Sporting de Portugal, no próximo circuito europeu.

De sua parte, o goleiro Alejandro Romero, crucial com suas defesas na definição da medalha de ouro contra Porto Rico em Barranquilla, determinou que a união foi um fator determinante no desempenho da equipe. «Não houve diferença entre aqueles que jogam fora de Cuba e aqueles que não jogam. A relação entre todos foi magnífica e não se percebeu que estivemos um tempo sem nos juntarmos como um time».

«Na verdade, como nos conhecemos há tantos anos era muito simples encaixar-se perfeitamente em todas as ordens. Por exemplo, pode-se falar sobre as bolas que eu parei, mas nada disso teria sido possível sem o apoio da defesa, o mérito é coletivo. Comportamo-nos muito bem, com grande responsabilidade, sem nos relaxar, muito focados no objetivo, que era vencer», disse Romero.

Outro dos pilares do conjunto, tanto por sua contribuição na quadra como por sua liderança no vestiário, é o experiente Guillermo Corzo (37 anos), que se cansou de marcar gols na Itália, Romênia, Catar e Espanha, onde foi o líder em marcar gols (199) na campanha 2015-2016, com o clube valenciano Fertiberia Puerto Sagunto.

Corzo, natural de Matanzas, que agora concorre no Benidorm, também no país ibérico, respondeu a todas as expectativas geradas antes do torneio em Barranquilla, que teve lugar durante sua temporada de férias.

«Esta é a melhor coisa que poderia acontecer comigo. Obrigado aos treinadores e à comissão nacional por me darem a oportunidade. Agora é hora de curtir com a família e com todo o povo», disse Corzo na Colômbia antes de partir para Martí, em Matanzas, onde só pôde comemorar por algumas horas, porque em 6 de agosto devia retornar ao seu clube.

«Dediquei a este torneio meu período de descanso, após a Liga Asobal, e é um sonho, pois nunca pensei em ter a oportunidade de vestir a camiseta de novo. Agora devemos olhar para o futuro, porque temos uma excelente combinação de mestria e juventude. Muitos de nós nos conhecemos de diferentes etapas do país. Há garotos com grande talento que terão a possibilidade de aumentar seu nível nas ligas profissionais», enfatizou Corzo.

MAIS LUZES NO HORIZONTE

Além de todos os jogadores contratados em ligas estrangeiras, que defenderam a camiseta de Cuba em Barranquilla, há muitos outros jogadores de excelente nível que poderiam ser considerados para uma futura incorporação ao elenco, buscando desafios maiores como Lima 2019 e o processo de classificação olímpica para Tóquio 2020.

Um deles é o avançado Alexis Hernández Borges, 26 anos, que também triunfou no Porto e, recentemente, como um empréstimo, jogou no Barça Lassa, o clube de maior sucesso em Espanha e um dos melhores da Europa.

Além disso, há os casos de Yosdany Rios, lateral-esquerdo de 28 anos, contratado pela União Esportiva de França, depois de passar por equipes de Portugal, Suécia e Catar; ou o seu companheiro de equipe no clube Yoel Cuni, que fez carreira no Porto Luso.

«Outros jogadores tiveram algumas irregularidades em seus clubes, não com a Federação ou com Inder. Nesses casos, estamos trabalhando para que eles também possam se juntar à equipe nacional», disse Guevara, que confirmou o aumento do número de contratados.

«Temos um grupo de meninos e meninas talentosos, e isso desperta o interesse das organizações esportivas mais fortes do mundo. Sem dúvida, com o nosso potencial, mais portas serão abertas no futuro e isso nos ajudará a desenvolver o handebol em Cuba», acrescentou o presidente da Federação.

Esses contratos e os acréscimos de homens já consolidados certamente dariam um toque mais universal à equipe cubana, já que falamos de jogadores experientes no mais alto nível, onde desenvolveram múltiplas habilidades. «Como é lógico, isso nos colocaria em uma posição melhor para tornar-nos uma das três primeiras equipes do mundo para o ciclo de 2020-2024», como assegurou o técnico Luis Enrique Delisle ao colega Abelardo Oviedo.

O objetivo é ambicioso, sem discussão, mas a tradição deste esporte em Cuba nos convida a sonhar, e não apenas no ramo masculino, já que algumas garotas também foram inseridas em clubes na Turquia, Espanha e Portugal, onde terão a oportunidade de se superar, especialmente nos aspectos táticos, já que os detalhes físicos e técnicos são trabalhados com bastante eficácia em nosso país.

Há um longo caminho a percorrer, mas ao nosso favor temos muitos jogadores com habilidades inatas para jogar, que podem ganhar experiência competitiva. Esses detalhes a Federação cubana não os deixa de lado, nem a formação de treinadores, árbitros e o crescimento do esporte na base, aspectos cruciais para continuar conquistando louros.