ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
O time Tampa Bay jogou no estádio Latinoamericano, em Havana, em março de 2016. Foto: Ricardo López Hevia

«HOJE é um dia feliz para o beisebol cubano, para o mundo, para o povo de Cuba e o dos Estados Unidos», disse o presidente da Federação Cubana de Beisebol (FCB), Higinio Vélez Carrión, em uma entrevista coletiva pouco depois que essa entidade e a Major League Baseball (MLB), dos Estados Unidos, anunciassem o acordo transcendental e histórico, pelo qual os jogadores cubanos podem ser contratados por qualquer uma das 30 seleções ou times da MLB.

O acordo foi alcançado entre as organizações não-governamentais e a Associação Profissional de Beisebol da Major League (MLBPA) e garante a presença ordenada e não discriminatória dos jogadores de beisebol cubanos no beisebol dos Estados Unidos. Ou seja, os da Ilha poderão jogar na MLB, sem perderen sua residência em Cuba ou seu vínculo com o beisebol cubano, tal como vinha ocorrendo até agora, afetando nossos campeonatos e a presença em eventos internacionais. «Ao mesmo tempo», disse, «é o caminho seguro, sem que estejam no meio pessoas inescrupulosas que viveram à custa do suor de nossos jogadores e treinadores».

Vélez Carrión disse que os contratos com os times da Major League incluem uma taxa de liberação que é paga à FCB pelo processo de treinamento do jogador, é um desembolso feito pelo clube que o adquire. «Isso não afeta o salário do jogador contratado», disse Vélez. E acrescentou que essa relação pode ser estabelecida pelas licenças concedidas pelo governo dos Estados Unidos, as quais foram registradas pelo OFAC.

«Esta é uma vitória para o beisebol cubano, sua qualidade, a entrega e o valor de seus jogadores. É também um reconhecimento a homens como Omar Linares, o melhor jogador que já passou por nossos campeonatos nacionais, e a Rodolfo Puentes, um dos mais brilhantes jogadores dos nossos clássicos», enfatizou. Ambos os jogadores estavam presentes, em sua qualidade de membros executivos da FCB, na entrevista coletiva.

«É um dia muito importante para nós, acho que o beisebol e os jogadores são os grandes arquitetos deste sucesso. Não coube aos da minha geração, mas contribuímos de alguma forma», disse Linares ao Granma Internacional.

Não é um passo para trás ou para o lado nos princípios do esporte revolucionário. O próprio líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, em 4 de maio de 1999, quando recebeu a equipe nacional que enfrentou os Baltimore Orioles, em Maryland, no estádio Camden Yard, disse na Universidade de Havana: «Deem-nos uma franquia e amanhã vamos jogar na Major League». No time que participou daquele jogo esteve Danel Castro, de Las Tunas, que é um fator fundamental no desempenho de sua equipe na atual temporada e naquele jogo deu uma contribuição na vitória sobre o time anfitrião, pois rebateu quatro hits em cinco turnos, incluindo um tribey, com duas rebatidas para marcar pontos e quatro deles marcados.

Em termos gerais, as cláusulas do texto são semelhantes às estabelecidas pela MLB com outras ligas estrangeiras, como a Liga Japonesa de Beisebol Profissional (NPB); a Liga da Organização de Beisebol Coreana (KBO) e a Liga de Beisebol Profissional de Taiwan (CPBL). A esse respeito, o diretor da FCB disse que «somente esses países e agora Cuba alcançaram o que anunciamos hoje: na América, joga-se um grande beisebol, mas apenas nossa nação tem esse reconhecimento».

Sob o acordo, a FCB deve liberar todos os jogadores contratados com pelo menos 25 anos de idade e seis ou mais anos de experiência no Campeonato Nacional. Além disso, poderia liberar jogadores que não atendessem a esses requisitos, que seriam contratados como amadores nas ligas principais.

De acordo com o comunicado emitido pela FCB, o acordo também é aplicado a jogadores cubanos que emigraram para países terceiros, para tentar alcançar a Major League e, por várias razões, não conseguiram e se reinseriram no sistema competitivo nacional.

«No atual 58º Campeonato Nacional, já no epílogo de seu calendário regular, um total de 38 jogadores que estavam nessa condição jogaram com suas respectivas equipes, além disso, com boas atuações. Eles são beneficiados por este acordo», disse Vélez Carrión.

Diante da pergunta do Granma Internacional sobre se o acordo entre as partes abre caminho para uma equipe unificada em competições internacionais, Vélez respondeu que «este acordo regulará a relação entre a FCB, a MLB e os jogadores cubanos a partir do momento de sua assinatura. Como qualquer acordo, isso não implica um reconhecimento retroativo de eventos anteriores. Terá valor, exclusivamente, para o relacionamento estabelecido entre estes sujeitos desde o início de sua aplicação».

Como está previsto o processo de contratação?, perguntaram. «O clube interessado deve apresentar seu interesse ao escritório do Comissário da MLB e, em seguida, seus buscadores de talentos virão ao país para ver o jogador, farão seus testes e a FCB terá que saber o consentimento da equipe de sua província para dar permissão ou não ao jogador».

Velez esclareceu, perante outra pergunta sobre quantos jogadores se espera sejam contratados, em primeiro lugar, na MLB, que a FCB irá primeiro garantir a qualidade de seus torneios. «Esta é a primeira coisa, o nosso campeonato nacional continuará sendo o principal espetáculo esportivo do país. E sobre o número, isso é imprevisível, porque isso é determinado pela qualidade do jogador, pelos interesses dos times...».

Dirigindo-se aos cubanos que atualmente estão jogando nas principais equipes de beisebol da MLB e se eles poderiam se integrar no time de Cuba, Velez disse que o acordo não viola as leis de imigração de ambos os países, e insistiu que este é um documento que entra em vigor deste 19 de dezembro e olha para o futuro, não para trás.

«O acordo ajudará a conter atividades ilegais como o tráfico de pessoas, que por vários anos colocam em risco a vida e a integridade física de muitos jovens talentos do beisebol cubano e de suas famílias». Também faz parte do esforço para continuar fortalecendo a prática, o prazer e o desenvolvimento do esporte nacional. O acordo terá um impacto positivo para muitos atletas no país, para as seleções nacionais e para a FCB», afirmou o presidente da organização cubana.

Sobre o acordo, Robert D. Manfred, comissário do beisebol americano, declarou: «Durante anos a MLB tem perseguido a eliminação do contrabando de jogadores cubanos por organizações criminosas, a fim de criar uma alternativa segura e legal para que os atletas sejam contratados com os clubes de beisebol da MLB». Enquanto isso, Tony Clark, diretor da MLBPA, disse: «Estabelecer um processo seguro e legal de entrada em nosso sistema é o passo mais importante que podemos dar para eliminar a exploração e o perigo a que estão sujeitos os atletas cubanos que querem fazer uma carreira na MLB. A segurança e o bem-estar desses jovens continua sendo nosso principal desejo».

NO CONTEXTO:

- 28 de março de 1999: Cuba enfrentou o time Baltimore Orioles, da MLB, no estádio Latinoamericano, com uma vitória por 3-2.

- 3 de maio de 1999: Cuba jogou o segundo jogo contra o Baltimore Orioles, em Camden Yard, vencendo por 11-4.

- 15 de dezembro de 2015, em Havana: «O objetivo de nosso comissário Rob Manfred e da MLB Players Association é ter um sistema legal e seguro para o fluxo normal de jogadores entre Cuba e os Estados Unidos. Segundo as leis de ambos os países, negociaremos, mas a cooperação dos dois governos é necessária», disse Dan Halem, vice-presidente das principais ligas e diretor jurídico.

- 21 de março de 2016: «Estamos trabalhando, são questões complicadas, mas queremos um relacionamento normal, como disseram executivos em dezembro passado aqui em Havana», disse Rob Manfred, comissário da Major League Baseball (MLB).

- 22 de março de 2016: Jogo entre Cuba e o time Tampa Bay, da MLB, vencida pelos visitantes.

- 19 de dezembro de 2018: Acordo entre a FCB e a MLB.