ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Intensificam-se os treinos na Escola Nacional de esportistas de alto desempenho. Foto: Miguel Manuel Lazo

ALEGA-SE que foi em abril de 1955, quando, na Coreia do Sul, o nome «taekwondo» foi proposto para designar a arte marcial que é caracterizada pelo amplo uso de técnicas de pernas e chutes. Em 9 de outubro de 1963 foi realizado pela primeira vez um evento oficial desta disciplina, no 44º Encontro Nacional de Atletismo dessa nação asiática.

Não foi até agosto de 1986 que se começaram a dar os primeiros passos nessa arte marcial em Cuba. Naquela época, o apoio e a aprovação da Federação Cubana de Caratê-do, dirigida por José Ramón Balaguer, foram fundamentais.

Graças ao convite feito ao nosso país, Cuba participou neste esporte nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis, em 1987.

A partir de que o taekwondo foi incorporado em múltiplos eventos, é um dos esportes que mais contribuiu com medalhas para as delegações cubanas. Nos jogos pan-americanos foi incluído pela primeira vez no programa de Indianápolis 87, e desde então Cuba conquistou 41 medalhas, somando 16 de ouro, dez de prata e 15 de bronze, superada apenas pelo México (17-10-14).

Nas competições olímpicas, o taekwondo da Ilha maior das Antilhas alcançou um total de cinco medalhas (1-2-2), ocupando a décima primeira colocação histórica na tabela de medalhas desta disciplina, que é olímpica desde Sydney 2000. No caso de Cuba, apenas na reunião do Rio de Janeiro 2016 não adicionou nenhum prêmio.

PUEBLA 2013, O MELHOR PARA CUBA

O progresso do nosso país nos campeonatos mundiais tem deixado resultados agradáveis em várias edições. Cuba ocupa a 14ª colocação entre os mais de 65 países que conseguiram pelo menos uma medalha nesses eventos. O 21º Campeonato Mundial de Taekwondo, realizado em Puebla, México, entre os dias 14 e 21 de julho de 2013, merece menção especial.

Lá, os cubanos ocuparam a segunda colocação, com cinco medalhas (2-0-3). Glenhis Hernández e Rafael Alba foram campeões, enquanto Robelis Despaigne, Yania Aguirre e Yamisel Núñez conquistaram o bronze. Apenas a Coreia do Sul (6-3-1) terminou acima dos lutadores caribenhos em solo mexicano.

RUMO A LIMA 2019

2019 será um ano cheio de desafios para esta disciplina em Cuba, devido ao fato de que este é um esporte chamado a obter várias medalhas de ouro nos Jogos Pan-americanos.

Antes, prevê-se a participação cubana no Campeonato do Mundo, que terá lugar em Manchester, Grã-Bretanha, de 15 a 19 de maio, onde competirão José Ángel Cobas (80 kg) e Rafael Alba (mais de 80 kg), as duas figuras em que as possibilidades de medalhas olímpicas em Tóquio 2020 estão concentradas.

Para saber os detalhes de como vai a preparação, o Granma Internacional foi até a Escola Nacional de Treinamento de Atletas de Alta Performance, Giraldo Córdova Cardín, no leste de Havana.

«Estamos nos preparando para o torneio de classificação pan-americana, que acontecerá na República Dominicana, em março. Vamos participar com nossos homens principais, a fim de ganhar pontos que nos garantam uma boa posição no torneio de Lima», disse Pedro Caraballo Elizalde, treinador da equipe masculina.

«Seremos objetivos na hora de fazer previsões, já que estamos promovendo quatro divisões para o Pan-americano e o Campeonato Mundial. Os recursos que temos os estamos investindo nos atletas que podem obter medalhas», acrescentou.

«Ajustamos a preparação tendo em vista as constantes mudanças nos regulamentos competitivos. Agora, o combate é feito em um octógono, com uma faixa de 15 centímetros que delimita a área válida do colchão, mas ainda não sabemos quais serão as variações adotadas na arbitragem. Estimamos que nos Jogos Pan-americanos podemos obter duas medalhas de ouro com os homens e duas de ouro, uma de prata e uma de bronze com as meninas», afirmou.

GLENHIS COMPROMETIDA

«Estou treinando para conseguir uma medalha para meu país. Não combatemos com atletas de primeiro nível internacional, por isso é difícil fazer uma previsão precisa para essa luta, mas trabalhamos duro para conseguir as medalhas de ouro, para as quais vamos aos Jogos Pan-americanos», afirmou Glenhis Hernandez, campeã mundial em 2013.

Outro que parou seu treinamento para falar com a imprensa foi o campeão pan-americano de Toronto, José Ángel Cobas. «Eu estou recém incorporado após uma lesão, por isso quero agradecer ao grupo médico que ajudou na minha recuperação. Estou focado em treinar, já que o claustro de treinadores e todo o povo de Cuba espera de nós um bom desempenho em Lima. Embora seja um objetivo difícil, sei que posso alcançá-lo».

«O treinamento é intenso e estamos no caminho certo para termos as condições materiais certas, porque o tatame onde treinamos está sendo consertado. Esperamos por novas proteções e peitorais eletrônicos, já que a falta desses equipamentos nos atingiu, pois somos um esporte que não compete como treina: compete com a tecnologia eletrônica e nós treinamos com a tradicional», confessou.

Cobas elogiou o reparo que está recebendo a Escola de Formação de esportistas de alto desempenho, Giraldo Córdova Cardín. «Somos muito gratos, porque as condições de vida na escola melhoraram muito; temos acesso à Internet, a comida é excelente e somos de três a quatro acompanhantes por quarto, com ar condicionado e outras comodidades», afirmou com satisfação visível.

Para cumprir o objetivo principal do esporte este ano (superar a performance de Toronto 2015), será muito importante o desempenho de esportes de combate, uma fonte de medalhas de ouro para o movimento esportivo cubano.