ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

NO Uruguai já se configura o palco, tendo pela frente o segundo turno, que terá lugar em 30 de novembro próximo.

Se bem o apoio majoritário à Frente Ampla (FA) — 47,9% — deixou Tabaré Vázquez à beira dum triunfo eleitoral no primeiro turno, o apoio do Partido Colorado a Luis Alberto Lacalle Pou — Partido Nacional — também demonstra que as forças tradicionais no Uruguai tentarão medir-se ante a fórmula da FA.

O apoio dos colorados a Lacalle Pou foi determinado em uma reunião do comitê executivo colorado, depois duma eleição não muito boa para esta força majoritariamente conservadora: somente conseguiu 12,9% dos votos — perdendo 4%, relativamente ao ano 2009 — e, além do mais, não consagrou sua proposta de diminuir a idade de contagem (judicial) para os menores no plebiscito que se realizou paralelamente à eleição.

Em 26 de outubro, ao conhecer os resultados adversos, o próprio candidato presidencial colorado, Pedro Bordaberry, expressou seu apoio a Lacalle Pou, quando disse, "vou trabalhar todos os dias para que haja segundo turno".

Depois, teve um ex abrupto, registrado pelos meios locais, ao ser captado por um microfone no búnker dos brancos, enquanto gritava "estou aqui para destruir Tabaré Vázquez".

Todas estas ações provocaram fendas no partido, ao ponto tal que Alberto Iglesias, membro do comitê executivo, demitiu-se do cargo.

Por seu lado, a Frente Ampla, exultante com os resultados presidenciais, mas também por ter praticamente garantida a maioria no Congresso — 50 deputados e 15 senadores, e somaria na Câmara Alta Raúl Sendic (filho), caso fosse eleito vice-presidente — afirmou que convocará para um chamamento cidadão, de olhos voltados para o segundo turno, segundo informou a presidenta do partido, Mónica Xavier. A proposta tem relação com as palavras prévias de Tabaré Vázquez, quem anunciou que buscará o apoio dos "batllistas e wilsonistas" — tendências históricas dentro dos colorados e brancos, respectivamente, porem afins ideologicamente à FA que o resto dos dois partidos.

O demitente Iglesias provém, precisamente, dessa tradição batllista, sendo um exemplo que serve à FA para buscar futuros votantes — e apoio — inclusive, dentro dos partidos tradicionais do Uruguai.

Por tal motivo, a projeção para as próximas semanas é favorável para Tabaré e Sendic, os quais se darão ao luxo de fazer uma campanha de menor intensidade que a primeira, "para não saturar", como expressara Xavier dias atrás.

Entretanto, no Partido Nacional lançarão um novo lema — "Uruguai unido pela positiva" — e prometem continuar trabalhando, apesar das dificuldades que entranha uma eleição praticamente definida, com pouca margem para reverter uma decisão expressa claramente em 26 de outubro — tanto nas presidenciais quanto nas legislativas e, inclusive, no plebiscito sobre a imputabilidade de menores aos 16 anos, considerando que a Frente Ampla foi o único partido dos três mais relevantes que convocou para votar pelo triunfante "Não à baixa".

"Fiquei surpreendido pela votação da FA", disse Lacalle Pou, afirmando que "é muito difícil vencer no segundo turno".

Ainda, dentro da equipe de governo do ainda presidente José Mujica — nesta eleição, eleito senador — estão satisfeitos pela primeira ratificação nas urnas do trabalho de gestão durante estes últimos quatro anos.

Esta eleição foi um triunfo do próprio grupo do ex-guerrilheiro tupamaru, o Movimento de Participação Popular que, junto com outros sete espaços aliados, conseguiu mais da metade das preferências da FA sob o lema "Mais Frente Ampla", e liderará, portanto, a participação desta força no Congresso.

Mujica é, portanto, um dos grandes vencedores dentro do oficialismo, de olho no segundo turno, que prognostica um novo triunfo da FA — o terceiro consecutivo nas presidenciais, caso acontecer — no Uruguai.

Por tal motivo, espera-se que cumpra um papel destacado nas semanas que restam para o segundo turno, visto e considerando que a aprovação a sua gestão continua em aumento: segundo a consultora Equipos Mori, pois já atinge 56%. (Extraído do Rebelión)