O presidente Raúl Castro afirmou no sábado 11 de abril que Cuba foi à 7ª Cúpula das Américas cumprir o mandato de José Martí com a liberdade conquistada com nossas próprias mãos.
Agradeceu a solidariedade de todos os países da América Latina e o Caribe que tornou possível que Cuba participasse em pé de igualdade neste fórum hemisférico, e ao presidente da República de Panamá pelo convite e pelos minutos concedidos, pois “tantos anos de ausência” nestas cúpulas justificava que se estendesse um pouco mais que os oito estabelecidos para falar na sessão.
Sustentou que quando nos dias 2 e 3 de dezembro de 2011 foi criada a Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos, em Caracas, inaugurou-se uma etapa na história de Nossa América, que tornou patente seu direito bem ganho de viver em paz e a desenvolver-se como determinem livremente seus povos e se traçou para o futuro um caminho de desenvolvimento e integração, baseado na cooperação, a solidariedade e a vontade comum de preservar a independência, soberania e identidade.
No ano 1800, pensou-se em adicionar Cuba à União do Norte como o limite sul do extenso império. No século XIX, surgiram a Doutrina do Destino Manifiesto com o propósito de dominar as Américas e o mundo, e a ideia da Fruta Madura para a gravitação inevitável de Cuba para a União norte-americana, que deixava de lado o nascimento e desenvolvimento de um pensamento próprio e de emancipação.
Afirmou que depois, mediante guerras, conquistas e intervenções, esta força expansionista e hegemônica despojou Nossa América de muitos territórios e se estendeu até o Rio Bravo.
Após longas lutas que foram frustradas, José Martí organizou a “guerra necessária” e criou o Partido Revolucionário Cubano para conduzi-la e fundar uma República “com todos e para o bem de todos”, que se propôs atingir “a dignidade plena do homem”.
Ao definir com certeza e antecipação os traços de sua época, Martí se consagrou ao dever “de impedir a tempo com a independência de Cuba, que os Estados unidos se estendessem pelas Antilhas e caíssem com força sobre nossas terras da América”.
Nossa América é para ele a do crioulo, do índio, a do negro e do mulato, a América mestiça e trabalhadora que tinha que fazer causa comum com os oprimidos e saqueados. Ora, mais além da geografia, este é um ideal que começa a tornar-se realidade, explicou Raúl.
Acrescentou que há 117 anos, em 11 de abril de 1898, o então presidente dos Estados Unidos solicitou ao Congresso autorização para intervir militarmente na guerra de independência, já ganha com rios de sangue cubano, e este emitiu sua enganosa Resolução Conjunta, que reconhecia a independência da Ilha “de fato e de direito”. Entraram como aliados e se apoderaram do país como ocupantes.
Impôs-se a Cuba um apêndice na sua Constituição, a Emenda Platt, que a despojou de sua soberania, autorizava o poderoso vizinho a intervir nos assuntos internos e deu origem à Base Naval de Guantánamo, a qual ainda usurpa parte de nosso território. Nesse período, se incrementou a invasão do capital nortenho, houve duas intervenções militares e o apoio a cruéis ditaduras.
Em 1º de janeiro de 1959, 60 anos depois da entrada dos soldados norte-americanos em Havana, triunfou a Revolução cubana e o Exército Rebelde comandado por Fidel Castro Ruz chegou à capital.
Em 6 de abril de 1960, apenas um ano depois do triunfo, o subsecretário de Estado Léster Mallory escreveu em um perverso memorando, revelado dezenas de anos depois, que “a maioria dos cubanos apoia Castro… Não há uma oposição política efetiva. O único meio previsível para restar apoio interno é através do desencanto e o desalento baseados na insatisfação e nas penúrias econômicas (…) enfraquecer a vida econômica (…) e privar Cuba de dinheiro e suprimentos com o fim de reduzir os salários nominais e reais, provocar fome, desespero e o derrubamento do governo”, citou o general-de-exército.
Também explicou que os cubanos temos suportado grandes penúrias. Os 77% da população cubana nasceu sob os rigores que impõe o bloqueio. “Mas nossas convicções patrióticas prevaleceram. A agressão aumentou a resistência e acelerou o processo revolucionário. Aqui estamos com a cabeça bem no alto e a dignidade intata”, sublinhou.
Quando já havíamos proclamado o socialismo e o povo havia combatido na Baía dos Porcos para defendê-lo, o presidente Kennedy foi assassinado precisamente no momento em que o líder da Revolução cubana Fidel Castro recebia uma mensagem dele procurando iniciar o diálogo, continuou dizendo.
Em outro momento do discurso, o general-de-exército afirmou que tinha expressado e reiterava agora ao presidente Barack Obama nossa disposição ao diálogo respeitoso e à convivência civilizada entre ambos os Estados dentro de nossas profundas diferenças.
Considerou que o presidente Obama é um homem honesto e pensa que sua forma de ser obedece a sua origem humilde. Mas normalizar as relações é uma coisa e o bloqueio é outra.
Apreciou como um sinal positivo sua recente declaração de que decidirá rapidamente sobre a presença de Cuba em uma lista de países patrocinadores do terrorismo na qual nunca devia ter estado.
Até hoje, o bloqueio econômico, comercial e financeiro se aplica em toda a sua intensidade contra a Ilha, provoca danos e carências ao povo e é o obstáculo essencial para o desenvolvimento de nossa economia. Constitui uma violação do Direito Internacional e seu alcance extraterritorial afeta os interesses de todos os Estados, sublinhou.
Da nossa parte, continuaremos envolvidos no processo de atualização do modelo econômico cubano com o objetivo de aperfeiçoar nosso socialismo, avançar rumo ao desenvolvimento e consolidar as conquistas de uma Revolução que se ha propôs “conquistar toda a justiça”.
Também ratificou que a Venezuela não é nem pode ser uma ameaça à segurança nacional de uma superpotência como os Estados Unidos e qualificou de positivo que o presidente norte-americano o tenha reconhecido.
“Cuba continuará defendendo as ideias pelas que nosso povo tem assumido os maiores sacrifícios e riscos e lutado, junto aos pobres, os doentes sem atendimento médico, os desempregados, as crianças abandonados a sua sorte ou obrigados a trabalhar ou a se prostituírem, os que passam fome, os discriminados, os oprimidos e os explorados que constituem a imensa maioria da população mundial”, sublinhou.
Lembrou que a aprovação, em janeiro de 2014, na Segunda Cúpula da Celac, em Havana, do Proclama da América Latina e o Caribe como Zona de Paz, constituiu uma contribuição transcendental nesse propósito, marcado pela unidade latino-americana e caribenha em sua diversidade.
O presidente cubano sustentou que deve ser respeitado, como reza o Proclama da América Latina e o Caribe como Zona de Paz, “o direito inalienável de todo Estado a eleger seu sistema político, econômico, social e cultural, como condição essencial para assegurar a convivência pacífica entre as nações”.
Concluiu dizendo que graças a Fidel e ao heróico povo cubano, temos vindo a esta Cúpula, para cumprir o mandato de José Martí com a liberdade conquistada com nossas próprias mãos, “orgulhosos de nossa América, para servi-la e honrá-la… com a determinação e a capacidade de contribuir para que seja estimada por seus méritos, e seja respeitada por seus sacrifícios”.





