ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

COMO se a história desse a volta, agora mesmo na América Latina os setores direitistas da região, cumprindo planos projetados no exterior, tentam derrubar os governos progressistas — tal como ocorreu no Chile, em 1973 —eno ocorriónuns se reuniram con Estrangeiro, tro do Comce-minist5o que deixaram a um lado o sistema neoliberal, atacando nas últimas semanas de novo o Equador e a Revolução Cidadã, liderada pelo presidente Rafael Correa.

Com o absurdo pretexto de se opor a duas leis enviadas em 5 de junho pelo chefe de Estado ao Congresso Nacional que, segundo os reacionários, prejudicavam o povo, líderes direitistas convocaram seus seguidores, mediante as redes sociais a sair às ruas para solicitar a derrogação dos projetos de leis. Nos cartazes que portavam também exigiam a saída de Correa do Palácio de Carondelet (sede do poder executivo).

Esses protestos se estenderam por importantes cidades equatorianas, lideradas por dois reconhecidos inimigos da Revolução Cidadã: o prefeito de Guayaquil, Jaime Nebot e o multimilionário e ex-candidato presidencial Guillermo Lasso, os quais não escondem sua participação nas ações violentas contra sedes do partido Aliança País e agressões a seus membros, entre outras malfeitorias.

Oportunistas, Nebot e Lasso aproveitaram a ausência do mandatário, que devia cumprir importantes visitas à Europa, no princípio do mês de junho, para expressar seu rechaço a um sistema de inclusão social que investiu no setor da educação, por exemplo, 30 vezes mais que as últimas sete administrações prévias à Revolução, iniciada em 2007.

O processo político sob o mandato de Correa, um declarado líder antiimperialista de grande prestígio internacional, trouxe enormes benefícios à população, já que segundo l Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), Equador cresceu 4,3% no período 2007-2014, mais de um ponto porcentual sobre os restantes países da região e de economias poderosas como o Brasil e a Argentina.

POR QUE AGORA TAMBEM CONTRA O EQUADOR?

Os Estados Unidos têm compreendido que seus parceiros da direita na América Latina nunca chegarão ao governo por meio das urnas, o que tem sido verificado na Venezuela, Bolívia, Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai, Nicarágua, El Salvador e outros mais.

A partidocracia tradicional é derrotada uma e outra vez nas eleições presidenciais desde o ano 1998, quando o presidente venezuelano Hugo Chávez deu o aviso para o começo de uma nova era em uma extensa e rica área geográfica governada no século XX por Washington, de onde provadamente partiu a estratégia para derrubar o presidente socialista Salvador Allende, uma amarga experiência da qual ainda se podem tirar lições políticas importantes.

O que resta então ao imperialismo estadunidense a não ser lançar mão de outros métodos, desmascarados como “golpes brandos” de Estado, para desestabilizar os governos progressistas, derrubá-los e intervir, ou bem diretamente, ou por meio de seus fantoches internos e se apoderar de novo da América Latina, que conseguiu a unidade de seus membros, apesar das diferenças políticas.

Nos últimos 16 anos têm surgido na América Latina e o Caribe importantes organizações de integração, sem a presença dos Estados Unidos, como a Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), a Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (Alba) e a União das Nações Sul-americanas (Unasul), que defendem seus membros das ingerências de fora e mantêm uma rede de comunicação em defesa da soberania e a independência nacional.

Contudo, não se pode obviar que a direita regional também se reorganizou e que existe uma triangulação demonstrada na Venezuela, com a presença do ex-presidente do governo espanhol Felipe González em Caracas, depois a de vários senadores da direita brasileira, como o ex pré-candidato presidencial Aécio Neves na frente, e o apoio fundamental de meios jornalísticos dos Estados Unidos, Espanha, e os nacionais nas andanças destes fantoches locais.

As atuais tentativas de golpe de Estado, embora sejam qualificadas de moles, porque até agora não intervêm as forças militares, são, contudo, fortes e daninhas, pois em sua intenção de desestabilizar os processos revolucionários seus protagonistas realizam ações violentas, especulam com gêneros de primeira necessidade e espalham o terror através de seus meios de comunicação em massa, que passaram a ocupar o lugar dos partidos tradicionais conservadores, quase todos divididos e sem liderança.

As provas são concretas e a Venezuela e o Equador estão agora sob a virulência extremista do império e seus sequazes, diante das eleições legislativas venezuelanas, neste ano, e as eleições presidenciais equatorianas, em 2017, sempre de olhos no objetivo de derrubar antes os governos, se isso for possível.

Tanto Nebot como Lasso arguem que os protestos são o resultado da apresentação no Congresso das Leis de Redistribuição da Riqueza – conhecida como Lei Herança — e a Lei de Ganhos Extraordinários ou da mais-valia, com novos impostos, que afetarão só 2% da população, entre eles os líderes direitistas, segundo suas próprias declarações.

Em torno de 98% dos equatorianos não pagaria imposto pela herança, enquanto os proprietários de terras e imóveis — provadamente — têm multiplicado em seis vezes os valores, segundo estudos de organismos especializados, e devem pagar ao Estado em consonância.

NÃO PARAM MOS PROTESTOS

A pesar das medidas adotadas pelo mandatário, continuam os protestos no Equador, o que demonstra que o objetivo é quebrar o governo nacional.

Enquanto na Venezuela, a burguesia se prontifica para novas ações nas ruas, denunciadas pelo presidente do Parlamento, Diosdado Cabello, no Equador, o prefeito Nebot — lembrem que Guayaquil é uma província nas mãos da alta burguesia — continua fazendo apelos a ter confrontos com as autoridades.

Depois de seu retorno ao país, Correa explicou à população as interioridades dos temas em discussão, encaminhados a que os ricos paguem justamente seus impostos. Em uma estratégica jogada para evitar a continuidade das manifestações, tendo em conta a chegada ao país do papa Francisco, em 5 de julho próximo, determinou retirar ambas as leis do Parlamento.

Também fez um apelo a um diálogo nacional, no qual o povo opinará não só acerca destas duas leis, mas que determine o tipo de país que quer ter, algo que os analistas consideram um ato de valentia e de coragem democrática. •

Pies de fotos...

O presidente Rafael Correa desafia a oposição equatoriana a pedir a revogação do seu mandato.

O ex-candidato presidencial Guillermo Lasso (com o braço no alto) e a sua direita o prefeito de Guayaquil Jaime Nebot, cabeças visíveis dos protestos antigovernamentais no Equador, com evidentes intenções de golpe de Estado.

A Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) e a União das Nações Sul-americanas (Unasul) foram um baluarte na defesa da soberania e integração de Nossa América perante os planos golpistas do imperialismo norte-americano.

O presidente Rafael Correa desfruta de um majoritário respaldo popular.