ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

AS forças da direita, incapazes de chegar ao governo através de eleições, torcem agora pelas ações violentas, como agora acontece no Equador, onde o fracasso do primeiro dia da greve nacional, convocada para 13 de agosto, se lançou na aventura de cortar estradas importantes — como a importante Pan-americana Sul — queimaram pneus e equipamentos e com manobras que pressagiam um golpe de Estado contra o presidente Rafael Correa e a Revolução Cidadã.

Imediatamente, a polícia conseguiu reabrir as rodovias e prendeu os manifestantes violentos, que tentam chantagear o presidente Rafael Correa, com essas manobras iniciadas em junho passado, supostamente para manifestar-se contra duas leis — a da hereditariedade e da mais-valia — mas que o decurso dos dias só veio demonstrar que era apenas um pretexto para desenvolver uma tentativa de golpe que, até agora, deixou para eles poucos dividendos políticos.

Ao contrário do que pensaram os líderes de direita que agitam bandeiras contrarrevolucionárias, a população apoiou Correa, mediante demonstrações públicas, sem aderir à paralisação, enquanto continuam chegando a Quito mensagens de solidariedade de políticos e de organizações políticas e sociais de todo o mundo.

A normalidade reinou, em 13 de agosto, nas principais cidades do Equador, o que enervou os líderes da oposição, que são reconhecidos como membros da elite equatoriana, que dependem de certos líderes do Pachakutik, uma facção da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie) e da Frente Única dos Trabalhadores.

O Pachakutik chegou ao Quito com um pequeno grupo de indígenas que seguem determinadas figuras políticas, como o prefeito de Guayaquil, Jaime Nebot; o ex-candidato presidencial e banqueiro Guillermo Lasso e o prefeito da cidade de Quito, Alvaro Noboa — representantes daqueles que sempre exploraram os indígenas — para ir em frente com seu plano de desestabilizar o país e derrubar o líder do partido Aliança País.

O presidente advertiu, em 14 de agosto, que as elites latino-americanas “já não andam dispersas”, mas articuladas nacional e internacionalmente e com “a cumplicidade flagrante da imprensa”, pelo qual exortou a não subestimar os adversários, que fazem golpes suaves na região.

Correa falou para uma multidão, durante o Encontro Latino-americano Progressista da Juventude 2015, realizado em Quito, onde ele disse que “como já não podem dar golpes de Estado tão descarados têm uma nova estratégia”, conhecida como os golpes suaves, “uma estratégia continental” contra os governos da esquerda na América Latina.

A partir da Plaza Grande e diante de milhares de pessoas, Correa rejeitou o fechamento de estradas como forma de chantagear as autoridades, enquanto a multidão reunida na Praça Geral aplaudia e manifestava seu apoio à Revolução equatoriana.

Acompanhado do secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), Ernesto Samper, Correa precisou que a greve “foi um fracasso e sempre facassarão”, e desafiou em seu discurso à oposição para que, se deseja, saia às ruas para coletar as assinaturas necessárias para buscar a revogação do seu mandato, mas disse que a enfrentará nas urnas em 2017, algo que precisamente a direita tenta evitar, porque sabe que vai perder novamente nas eleições.

O presidente equatoriano também se referiu às marchas de oposição indígena e disse que o mundo indígena “não deve ser mitificado... há indígenas de direita e indígenas de esquerda, há indígenas honestos e desonestos”. E lembrou que esses pequenos grupos indígenas se manifestaram contra a reforma dos impostos, embora eles não paguem.

Quanto à possibilidade de diálogo com a oposição, foi contundente: “É impossível conversar com pessoas que não respeitam as instituições, a democracia, eles pensam que são independentes, porque dizem serem ancestrais”, expressou Correa aos seus seguidores. Os apoiantes do governo disseram aos jornalistas que não se moverão da praça em frente ao Palácio Carondolets, sede do governo, para evitar um possível assalto contrarrevolucionário.

O ministro das Relações Exteriores, Ricardo Patiño, em uma conversa com a rede Telesur, disse que a oposição se deparou com um claro sinal de fraqueza em termos de convocatória. “Chegaram 250 indígenas do Sul e algumas dezenas de trabalhadores, a maioria médicos”, precisou.

Após qualificar a contrarrevolução de “extremamente violenta", Patiño lembrou que esta tentativa de golpe (a primeira foi em 2010 e durou apenas algumas horas) afeta a democracia instituída há oito anos e meio, que faz jus à Constituição Nacional, disse, com o diálogo permanente, como agora acontece quando o governo está envolvido em conversações com a grande maioria da sociedade para definir o tipo de sociedade que se quer construir na nação sul-americana.

Patiño reafirmou que os adversários não procuram o apoio de pessoas por causa de seu fracasso; ninguém se juntou a eles e, em seguida, lançam mão da violência. A polícia deverá abrir as estradas interrompidas, resumiu o ministro das Relações Exteriores.

Um incidente grave ocorreu quando o ministro do Interior, José Serrano, tentou falar com os líderes do Movimento Indígena e Camponês de Cotopaxi para desocupar a rodovia Pan-americana sul, que liga essa cidade com Quito e permitir o tráfego de veículos.

Serrano procurou intercambiar com os manifestantes, os quais, disse ele, estavam "atentado contra a segurança do Estado, que lhes tem dado tudo", mas foi rechaçado, em meio de uma briga entre a polícia e algumas pessoas que tentaram agredir o ministro com pedras e paus.

Em apoio à Revolução Cidadã, as nações da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América-Tratado de Comércio dos Povos (ALBA-TCP) realizaram um tuitaço global, tal como acordaram em Caracas, capital da Venezuela, na segunda-feira, 17 de agosto, durante a 4ª reunião extraordinária do Conselho Político da organização de integração.

No encontro de Caracas, a chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez anunciou que a ALBA-TCP irá implementar um plano de ação para fazer face os atuais contra-ataques contrarrevolucionários contra os povos e os governos do Equador e de El Salvador.

A ALBA-TCP é composta por Bolívia, Nicarágua, Dominica, Santa Lúcia, Granada, Equador, São Vicente e as Granadinas, Antigua e Barbuda, São Cristóvão e Nevis, Cuba e Venezuela.