
WASHINGTON.— Apenas um ano após os anúncios históricos de 17 de dezembro de 2014, a Casa Branca emitiu uma nota de informação na quinta-feira, 17 deste mês, que faz um balanço dos progressos realizados nas relações entre os EUA e Cuba.
O documento sublinha que a nova abordagem da administração de Barack Obama permitiu “a restauração das relações diplomáticas e a modificação dos regulamentos para facilitar ainda mais o turismo, o comércio, as ligações pessoa-a-pessoa e o livre fluxo de informações para, dentro e para fora de Cuba”.
“Logo após o anúncio do presidente, os Estados Unidos e Cuba têm adotado várias medidas, como parte de nosso esforço para normalizar as relações, com foco em áreas de interesse mútuo, incluindo a restauração das relações diplomáticas, o reforço da segurança, construindo pontes entre nossos povos e promovendo a prosperidade econômica para os cidadãos de nossos dois países”, acrescentou.
A Casa Branca considerou que a normalização é “um processo complexo e em longo prazo”. E disse que vai continuar “trabalhando com Cuba para tratar de áreas de interesse mútuo, mesmo quando estamos claros sobre as nossas diferenças”.
O documento também destaca a remoção de Cuba da lista de Estados patrocinadores do terrorismo, em maio de 2015, o restabelecimento das relações diplomáticas, em julho e o estabelecimento, em agosto, de uma Comissão Bilateral para acompanhar o processo no sentido da normalização das relações.
Da mesma forma, descreveu em detalhes o diálogo aberto sobre questões de interesse mútuo, tais como a aplicação da lei, a luta contra o tráfico de drogas, os direitos humanos, os pedidos de indenização, entre outros.
Também mencionou os acordos conseguidos para a proteção do meio ambiente e o restabelecimento do correio postal direto, depois de mais de meio século de estagnação.
A Casa Branca trata da cooperação no setor da saúde em nível internacional. E destacou o exemplo do Haiti, onde já foram realizadas algumas trocas preliminares.
Apesar da aparente estagnação no setor comercial, o Executivo norte-americano observa que foram tomadas algumas medidas para tornar mais fácil o comércio com Cuba.
A diretora-geral para os EUA, do Ministério das Relações Exteriores (Minrex), Josefina Vidal Ferreiro, disse recentemente a jornalistas que na área econômico-comercial os resultados são pouco visíveis.
Muitas das medidas aplicadas até o momento nesta área, disse, são positivas, mas têm um alcance limitado. E, aliás, incluem elementos que tornam inviável sua implementação.
Ela explicou que Obama poderia permitir que Cuba utilizasse o dólar nas transações internacionais, o acesso a créditos privados, bem que o comércio possa ser feito em ambas as direções, e não unilateralmente como foi até agora, a fim de facilitar a aplicação das próprias medidas aprovadas.
Se bem o Congresso é a única entidade que pode revogar completamente o bloqueio obstáculo principal para o desenvolvimento das relações, Obama mantém amplos poderes executivos para alterar a sua aplicação prática.
Até agora ele só as tem usado para influenciar em um pequeno grupo de elementos, principalmente o envio de remessas, o setor autônomo ou independente e as telecomunicações, deixando em pé o grosso do bloqueio.
Vários analistas concordam que esses setores são priorizados pelo governo dos EUA com propósitos políticos óbvios.
No texto não aparecem mencionadas questões chaves que Cuba considera serem essenciais para a normalização, como a devolução do território ilegalmente ocupado de Guantánamo, o fim dos programas subversivos e as transmissões de radiodifusão ilegais, bem como a persistência de uma política de migração preferencial para os cubanos, que incentiva o fluxo ilegal de pessoas.
Por outro lado, o governo dos EUA destacou o aumento do intercâmbio povo a povo, durante o último ano. “As viagens a Cuba aumentaram em 54%, em relação ao ano passado, diz a nota informativa, mas omite completamente o fato de que os cidadãos norte-americanos ainda são proibidos de viajar como turistas ao nosso país. Os estadunidenses estão interagindo com os cubanos de todas as esferas da vida, dando aos cubanos uma compreensão mais exata de nosso país e de nossa maneira de entender a vida”, indica a informação.
A Casa Branca refere-se a seu apoio “às conversações de paz entre o governo colombiano e as FARC-EP, das quais Cuba é um dos garantes, além de ser a sede”.
O documento conclui que “estamos nos movendo na direção certa. Nós vamos continuar promovendo maior aproximação entre os Estados Unidos e Cuba. Continuamos pensando que o embargo dos EUA contra Cuba, imposto pela legislação, é contraproducente e deve ser levantado”.





